quarta-feira, 16 de junho de 2021

Momento de paz - CARLA F

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Silêncio
Paz
Pensamentos que se ouvem
Quietudes que se movem
Abraço
Beijo
Movimentos que vejo
Toques que desejo
Dia
Noite
Acontece ou aconteceu
Será que vive ou já morreu?
Som ou
Silêncio,
Hoje não vou a nenhum lado
Mas gostava de um abraço... bem apertado!

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 15 de junho de 2021

Nas terras de conselheiro - RITA PINHEIRO

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Nas terras de Conselheiro
O pensamento voa, a terra batida é seca,
Sou poeira que fica pra trás...
Sorria menina
O vento quente é brisa, e seu corpo é ruína
Enquanto eu, sou barragem aberta.
Nas terras de Conselheiro
A menina reza,
Ora e joga palavras ao relento
Cadê o vento menina?
Roda essa saia, a Cultura não pára
E você é cancela a ser pulada.
A terra que cheira a sangue
Leva a menina ás lágrimas
Qual é menina?!?
Levanta a cabeça,
Olha os êres que rodopiam no descampado!
Roda essa saia menina, balança os quadris,
A Umbigada, Caixa, Puladinho
Vamos dançar juntos:
A Ciranda de Lia, O tambor da Família Menezes
E depois adormecer ao som de ninar de Vó Sinhazinha.
Adormece, que nós zelamos seu sono
No berço da terra de Conselheiro.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Para um bebé - 35 anos - BIAMARIA

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Oferece o teu amor
Quando não tiveres nada para dar
É um presente tão lindo
Que todos gostam de aceitar

Oferece o teu sorriso
Quando nada tiveres para oferecer
Que presente tão bonito
Que nunca se pode esquecer

Oferece a tua amizade
Quando nada mais te restar
E verás que do teu presente
Toda a gente se há de lembrar

E se algum dia pensares
Que já deste tudo o que tinhas
Repara que estás enganado
Tudo o que tinhas é teu
Foi só um Dom que Deus te deu

EM - A VIDA É UM POEMA - BIAMARIA - IN-FINITA

Papiro - FERNANDO JOSÉ BACELAR

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Um claro escuro
Em aparo precioso
Resinas de seda
Pigmentos aquáticos
Descansam serenos em polpas de juncos
Substitutos
Velinos carentes
Subsequentes.
Cursivo hieróglifo
Gótico na intenção
Oco de tabuinhas de argila
Palimpsesto
Nunca obra feita
Uma tentativa
Sempre e só tentada
De firmar em poucas runas
Palavras idiotas febris
Gastas
Gentis.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A mais bela - CARLA DE SÀ MORAIS

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Se essa Lua fosse nossa
Seria a mais bela de entre todas
Dançaria com ela na sua órbita
Rodopiar-lhe-ia o longo manto
Que em quartos, novas ou cheias
A cobririam de encanto

Se essa Lua fosse nossa
Seria a musa mais que perfeita
De músicos, artistas e poetas
Que a Terra guarda e enfeita

Mas como alcançar airosa Lua
Que vive de vaidade e elegância
Do brilho que o Sol lhe oferece
Com tanta exuberância?

E a Lua delicada, responde singela:
– Já me alcançaram. Sou a vossa Lua
De trato fino e distinto
De entre todas a mais bela

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Retirante sonhador - RENATA LIMA

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Foi embora para longe mais um filho do sertão!
Rapaz moço, cheio de sonho e emoção
Saiu em busca de novo horizonte, de melhor ocasião!
Deixou família, cachorro, pato, preá e um coração!
Não levou quase nada, só a mochila,
O celular, a caneta e o violão!
Na cidade grande, quer se tornar homem, cidadão!
Foi embora para longe
Mas, o peito continua a gritar
Que o Nordeste é o seu chão!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Entranhada na dor da noite - GORETI DIAS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Entranhada na dor da noite,
toco o nada dos dias,
a solidão
e a desilusão!
Espantada pela maldade do tempo,
toco o silêncio,
o desejo esquecido
e a exaustão!
Quebrada nas palavras do sol,
escureço a cada nuvem,
quedo-me na chuva
e no gelo de ti!
Desalentada...
Incoerente...
Vagueando em mim!

EM - POESIA PINTADA NO SILÊNCIO - GORETI DIAS - CUCA MACUCA EDIÇÕES 

Chegada - FERNANDO JOSÉ BACELAR

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Cirando por esta aldeia da Foz
Rebusco de hortas esquecidas
Um manto morno que do Douro vem lavando
Sulca entre salpicados rochedos
Onde descansam colhereiros em escala.
Vejo searas gastas em despedidas de caíques mofados
Carris ferrugentos em novas rotas
Que badalam turistas com ares de iodo.
Ventando à janela, um rosto anglicano de face tão mimosa
Crespada em gestos de granito
Raros e graves
Uma pose anacrónica que atrai
Corrige-me o cínico ciúme
De terceiro-mundista não forçado.
“Pleased to meet you”.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Círculo polar - BETH BRAIT ALVIM

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aos 45 graus
de um salto
arranco lascas do meu couro derretido em ácido
e com os pés em carne viva chuto o lixo das esquinas de São Paulo
bem alto
até cobrir a torre da catedral e de longe
saco uma foto do topo da bela dama que tem o ar de uma senhora
medieval
com seu chapéu
de longe
à la coco chanel
o lixo de são paulo
mas são apenas restos sujeira excreção
apenas o cocô em zoom
os respingos da cultura ocidental
pintarolando as bordas dos pratos brancos dos que sentam à mesa
e arrebitam o charme de buñuel na ponta dos seus narizes
pontiagudos de cristais de neve ácida
e mal escondem seu esgar de cera diante de tudo que não brilha
e não é branco
como a lua
então rio e choro rio e choro rio e choro
e grunho minha solidão nos buracos das bocas de lobo ardendo
em febre
e toco gasolina e umas faíscas de um cano de prata até
meu coração arder no fogo do inferno
em praça pública
e cavo sete palmos debruçada no cimento coberto de merda
e rachaduras de um conserto mal feito de onde saltam pontas
de estrelas feito pulgas famintas um estandarte de tangerina
uma dançarina de cabaré antigo um ombro direito pisoteado
pela madame cleci um espadachim seminu que sempre desce
a rua da consolação o terceirizado nem aí com o serviço largado
coçando o saco bem na cara do corre do centro o pipoqueiro
do teatro que morreu de corona e os sem teto sem buraco
sem cobertor sem prato sem papel higiênico sem água sem dois
metros de distância sem vacina sem nada e corro corro corro
e me afundo na areia revirada da represa imunda e deliro
atrás de ciscos e lascas de conchas de mil anos e me afogo
até esquecer esquecer esquecer
então esfrego com sal grosso minhas retinas nas pontas
dos meus seios
e rasgo com os dentes embora moles meu útero seco
para que a dor de doer sem pele sem mente sem sangue
sem memória sem herdeiros
seja apenas o converter-me em ossos apaziguados
como baba de leite que jaz numa esquina qualquer
até explodir a lua cheia
e perder os sentidos de uma vez no seu
círculo polar

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 13 de junho de 2021

Quando junho bate à porta - RENATA LIMA

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Junho é a própria festa
Em cada canto do meu do meu nordeste.
Toda gente se alegra! É chegada de frio
Mas, o coração esquenta!
O som da zabumba,
Do triângulo e da sanfona
Lembram as noites enluaradas do sertão

Tem trezenas para o Antônio santo
Com reza e comilança! É o 13 carregado
De lembranças da infância!
O mês tem cheiro de fogos
Fumaça, canjica e namoro!
Pra quem tem seu par
E pra quem paquera!
Ninguém quer ficar sem um xodó!
É o exalar da paixão, no dengo de dar as mãos!

No dia 24 celebramos o São João, com muita tradição!
Tem fogueira na porta e licor na mão!
Cada caipira linda, que encanta o coração!
Junina emoção!
Nas quadrilhas que dançam o xote e arrastam as chinelas
no chão!
É puro chamego e comemoração!

Antes de terminar, junho traz São Pedro!
Num suspiro de devoção!
De novo as fogueiras são acesas
Sustentando a tradição!
Viva ao mês da celebração!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Segredos do tempo - CARLA FÉLIX

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Guardo em ti os segredos do tempo
Do tempo que perdi
Perdendo o sentido de ti
Guardo em ti os sonhos
Os sonhos que vou descobrir
Descobrindo a vida que pulsa em mim
Guardo em ti aquela gaivota que planou
Planando perdi o olhar
Olhando desejei sentir-te aqui comigo
No poema que escrevi na areia da nossa Praia

EM - MELODIA NOS VERSOS DE (A)MAR - CARLA FÉLIX - EDIÇÃO DE AUTOR

Na saudade da canção - FERNANDA BEATRIZ

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Quero continuar a cantar
Mesmo que d’alma a chorar
Mesmo com a voz grudada, desafinada
Desfeada, roufenha, esganiçada,
Na intensão de ser propagada como fogo posto
N’alegria da energia musical, minha esteira
Companheira balsâmica, meu sal na Solidão.

Na saudade da canção
Triste, alegre, profana ou santa
Arrastada ou saltitante
Som da alma na garganta,
Explode um refrão ritmado
Ao compasso do bater do coração
Ou escangalhado
Ou mal esgalhado e engraçado
Bate o pé, levanta a mão
Como o soltar dum balão
Na ilusão do Infinito.

Cantar também é oração e introspeção,
É a extroversão
Do silêncio pensado, alegre ou dorido
Na razão direta que faça ou não sentido
Entre choro, lágrimas, muito ou pouco siso...
Por isso…cantar, ser-me-á sempre preciso.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A nudez - AUDRÉ LISBOA

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No silêncio absoluto
Liberdade!
De expor
De explorar
A nudez
No tumulto condicionado
Proibição!
De demonstrar
De desbravar
A nudez
Escondida
De todos
De tudo
É procurada
No dedilhar da pele
No tocar da alma
A nudez
Um corpo
No espaço
No tempo
De um silêncio absoluto
De um tumulto condicionado

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 12 de junho de 2021

Mulher - CHRIS HERRMANN

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bendito é o ventre
de todos os frutos

bendito é o fruto
que respeita
todos os ventres

bendito é o respeito
ao vosso ventre
com ou sem frutos
mulher

EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Muito prazer! Sou nordestino - REJANE LUCI SILVA DA COSTA KNOTH

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O Nordeste brasileiro é uma região peculiar,
composta pela diversidade
Há muita beleza e tanta riqueza, muito problema
e tanta pobreza... é uma disparidade
Sou nordestina de Inhambupe, baiana do Agreste;
afirmo com dignidade
Por sermos, “antes de tudo, fortes”,
a esperança surge da adversidade.
Paralelo ao Agreste, está o Sertão,
lugar de dor e sofrimento
É onde chove pouco e quase tudo que se planta
acaba morrendo
O clima é semiárido,
o solo é seco e quase não tem alimento
O nordestino do sertão carrega consigo a aflição;
oh, que lamento!

Mas os sertanejos são heróis,
sabem como a dificuldade enfrentar
Se o açude está vazio ou não tem luz elétrica
pra iluminar
Se a plantação não vingar
ou se só tem casa de taipa pra morar
Ele carrega água, usa candeeiro,
planta novamente e reza pra chuva chegar.
Se a pobreza é grande,
o analfabetismo impera e o desemprego é constante
O nordestino, como a caatinga e o mandacaru,
se reinventa, por ser perseverante
Para sobreviver, resistir e se adaptar, torna-se confiante
Porque há outro problema por aqui
que é bastante significante.

Poucas pessoas são proprietárias das terras e riquezas
da extensa região
Algumas, utilizam a Indústria da Seca
para ganhar a eleição
Prometendo acabar com a seca e com a fome
da população
No entanto, a peleja do sertanejo perdura de geração
a geração.
O nordestino sofre com a seca,
pois é longa a época da estiagem
Mas sua força e determinação
se configuram na sua coragem
Apesar de ser discriminado,
não nega a origem e isso reforça sua imagem
O nordestino do sertão não desiste nunca,
isso faz parte da sua bagagem.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Arrebentação - RITA QUEIROZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

As ondas batendo nas pedras
Cheiro de maresia
Teu corpo peixe dizendo:
Devora-me.

EM - VELAS AO VENTO - RITA QUEIROZ - EDITORA PENALUX

Cada dia uma vitória - FERNANDA BEATRIZ

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Venço o medo da insónia
Quando me deito e durmo;
Ganho o dia, ao despertar repousada
E aprumo.

Por tanta vitória ganha
Ainda tenho bom viver;
Pela vitória da Vida
Vou devagar, sem correr.

Ganho Amor, ganho amizade
Sem nem saber bem porquê.
Só de dispensar sorriso
Só de dispensar meu tempo
É vitória, bem se vê.

Grandes façanhas sonhei
Para vitória alcançar
Outras que nunca almejei
À mão vieram parar.
Umas ganhei, outras não...
E já nem faço questão.
Perder medos, ganhar dias
São vitórias prometidas.

A Vida é um perde e ganha
De que não sei as medidas.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Princesas - ANGELI ROSE

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No reino nem tão distante fui
um dia princesa de meu pai
Ainda bem que cresci mulher
Sem coroa e sem espelho quebrantado

Naquele reino nem tão distante fui
Adormecida com histórias e fábulas
Ainda bem que se foram as fadas
E sem tear e rabo de sereia cresci amada

Noutro reino recém-conhecido e distante
Lancei meu discurso libertário e meu funk
Ainda bem que dançando aprendi
a me virar e apoiar outras ex-princesas,
agora, mulheres

No meu reino interior e próximo
de palavras enluaradas e estreladas
a distância entre os homens e
as mulheres foi abolida e dominada
             Ainda bem que encontro mãos solidárias...

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Amor de Mandacaru - PEDRO MACHADO SOARES DA SILVA

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Foi nessa terra queimada
Que vim me apaixonar
Pela princesa encantada
Por quem estou a cantar

Foi lá no meio do sertão
Mandacaru a florescer
Onde perdi meu coração
E a paixão se fez nascer

Ela me ganhou no olhar
E naquele sorriso de canto
Agora me resta sonhar
Ou rezar pra algum santo

Ela é toda inteligente
De conhecimento concreto
Já eu pareço um indigente
Que mal sabe o alfabeto

Mas sou doutor em cordel
E assim eu vou lutar
Aqueles lábios de mel
Ainda hei de beijar

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Bendita - CRISTIANE BEZERRA

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Bote sentido
Pra tudo que é ouvido e lido
De repente um sorriso
De cinismo ou atrevido
Mensure a vida
Colha a parte já brotada
Na veia central da alma

Careço arremessar os medos
Bem para fora dos meus desejos
Informo que não morro na próxima esquina
Apesar da ferida feita com gana, fúria e intenções malignas
Sangro até refazer a artéria que renasce dura e lança fora
Lágrimas

Não suporto a crueza do que você me serviu
Palavras com tons fúnebres
Clareza não provém delas
Me cubro de sentimentos infinitos
Pela bênção das mulheres todas
Que carrego em mim

EM - ELAS E AS LETRAS (INSUBMISSÃO ANCESTRAL) - COLECTÂNEA - IN-FINITA