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terça-feira, 10 de julho de 2012

Regresso ao lar - ÁLVARO DE CAMPOS*


Há quanto tempo não escrevo um soneto
Mas não importa: escrevo este agora.
Sonetos são infância, e, nesta hora,
A minha infância é só um ponto preto,

Que num imóbil e fútil trajecto
Do comboio que sou me deita fora.
E o soneto é como alguém, que mora
Há dois dias em tudo o que projecto.

Graças a Deus, ainda sei que há
Catorze linhas a cumprir iguais
Para a gente saber onde é que está...

Mas onde a gente está, ou eu, não sei...
Não quero saber mais de nada mais
E berdamerda para o que saberei.

EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM

* Àlvaro de Campos é um dos heterónimos de Fernando Pessoa

1 comentário:

  1. Comentar a poesia de Álvaro de Campos (Fernado Pessoa) é quase um atrevimento, para um leigo, como eu . Mas estando no meu blog. este poema, não resisto em considerar que aliado ao seu posto de engenheiro, teve a arte de associar um transporte- o comboio- à arte de fazer um soneto e , em suma dar a sua mensagem no tom de que já nos habituamos a sentir...

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