quarta-feira, 18 de maio de 2022

Uma velha casinha - FERNANDO VASCONCELOS

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Uma velha casinha,
Numa aldeia de xisto,
Estava um cravo à janela
Em seu parapeito…

A noite perece,
Vem o raiar do dia,
Consigo trazendo a aurora,
Muito enamorada, pois esse é
Seu jeito…

Vendo o cravo à janela,
Pediu-lhe um abraço
E depois um beijo…

Essa descarada,
Fisgou-o com jeito.

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

Cânticos da seca - ROMERO SÁ

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A quem vão tantos cânticos,
Nas ruas das amarguras,
Oh, sonolenta voz da sepultura?
Ouço a voz que ecoou no Nordeste
Pobre sonolenta voz, rachaduras...
No barro do açude, nos pés de nossa gente, Senhor,
Do nosso povo lavrador.

“Meu divino São José,
pela cruz que traz nas mãos,
nem de fome e nem de sede
não mate seus filhos não”

Era um coro só na procissão
Subindo e descendo ladeira
De minha terrinha boa

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 17 de maio de 2022

Femininas Ambiguidades - RITA BENTES

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Intuímos tantas vezes
Rasurando a intuição que não temos
Em busca de nada!

Soltamos em nós a dor do outro
Quando tantas vezes abraçamos
O nada que nos move
Vivendo no vazio…

Somos feitas de barro
Moldando-nos ao sabor de um tempo que passa
Amargurando o futuro que volta
Não aparecendo, contudo!

Intuímos, amando o presente
Num passado que se faz futuro
Numa era que ainda não chegou

Abraçamos os desafios que surgem
Quantas vezes dilacerantes
Abrasivos… amorfos
Sem que nos reconheçam o caminho
No seu fim e começo
Que recomeço também é, em tanto de nós!

Somos isto e tudo o resto,
Parte de uma humanidade precária
Envolta num podre magnetismo
Sem sentido…
Intuindo o que são, aquilo que somos
O caminho que reconhecemos.

Acutilam-nos os sentidos
Saltando para uma era perdida
Livre de conquistas, reconhecimento,
Livres do que deveríamos ser,
Tendo deixado de ser,
Porque somos mulheres,
De intuição!

Somos guerreiros de Terracota!
Ferozes e frágeis
Armados de intuição,
Amor, fraternidade,
Verdade apaziguadora
União, dever!
Somos, tão somente aquilo que nos permitem
E o que ditará a História amanhã lá longe!

Somos, ambíguo feminino
Que na doçura das palavras
E seus atos,
Relembramos a cólera que nos move
Em defesa daquilo em que cremos
Erguendo-nos!
Somos fé,
Guerras, batalhas,
Imensidão!

Vida que percorremos,
Que doamos
Perpetuamos,
Usufruindo do diletantismo que nos caracteriza
Em acutilantes batalhas que travamos
Fazendo prosperar o que queremos
Intuindo, sempre,
Um amanhã que de hoje
Nascerá mais são!

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

Caridade - CRISTIANO CONSTANTINO

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se ejaculei na tua boca
foi gozo sem sentimento
que desceu pela garganta
preenchendo vazio adentro

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

Solidão - ROMÁRIO OLIVEIRA PINTO

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Porque a solidão entra em nossa vida e parece querer fazer morada,
Porque somos tomados por essa tristeza que nos faz não acreditar em mais nada,
Porque somos forçados a sorrir, quando tudo o que queremos é chorar,
Porque parece ser a solidão a única a conosco a caminha?

Dói a alma ao imaginar que estamos a fadados a com ela ao nossos lado sempre está,
Machuca o peito só de pensar em todos os que se vão e ela continua em nossa vida a nos atormentar,
Pior ainda é ver todas as luzes do nosso viver pouco a pouco estarem a se apagar,
Quando isso vai acabar?

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Memória Cariri - PAULA ANIAS

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Onde estão as Mariarcas , passeio pelos caminhos do Recôncavo,
na minha missão
O passado invade o presente, portas se abrem,
águas de Paraguaçu me invadem
Memórias, totens, monumentos imortalizam legados sangrentos
Cactos, caatinga , resplandecem nas áridas terras as lutas
do povos meus
Sangue Cariri , aqui minha Nação chorou o pranto de dor e teve que pro sertão partir

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

Amor e Respeito - ROMÁRIO OLIVEIRA PINTO

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Delicada e simples,
Sensível e perfumada,
Assim é você,
Flor única e inabalada;

Sincero e suave,
Amável e tolerante,
Assim és tu,
Oh vento compreensível e constante;

Pela flor,
O vento sobre ela está a passar
E polens carregados de amor,
Ele dela está a levar;

E com todo o respeito,
Sobre toda a terra,
O amor dela,
Pouco a pouco estará a se espalhar,
Mostrando assim,
Que o amor e o respeito,
Juntos precisam sempre estar

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 15 de maio de 2022

Há Marias em mim - PALMIRA HEINE

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Há aquela que grita, que resiste na labuta
Há a que sorri à toa mesmo sem fugir à luta
Há aquela cujos sonhos se esconderam em cicatrizes
Há as que, desoladas, tiveram suas asas cortadas, e mesmo assim, resistem
Há as que têm hematomas,
as que foram colocadas em redomas
Há Marias de burca, há as de biquíni, há as de minissaia,
as de calça,
Há as mulheres, as meninas, que desde tenra idade vivem
suas sinas.
Em mim há muitas Marias,
Mosaico de cores, de vozes
Porque eu me teço
Dos gritos e dores
Das que me antecederam.

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Palavras há - MARIA FRATERNA

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Que são de maio
Andam pé ante pé
A soletrar cada sílaba
Antes de ditas
Procuram ternura, intimidade, enleio
Querem agarrar a tua mão.

Roseiras há
Que são de maio
Depois de cobertas de rubis
São rosas fecundas
Que beijam a tua boca
De desejo e de paixão
São pétalas para o teu coração
Na retidão do teu corpo
Num longo mar de carícias.

Restos na vida há
Que são de maio
E se tu os fechares num poema
No ventre de qualquer vale,
E nele redigires
O percurso rubro do teu caminho
Consegues amar os picos das tuas rosas.

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

Revés - RODRIGOSBA

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Naqueles rostos
De olhares rasos
Não vejo rastros
De esperanças

Níqueis-retratos
De sonhos ricos
Nefastos restos
De desencantos

Nenhumas relhas
De preces-regras
Nem os reversos
De guerras santas

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sábado, 14 de maio de 2022

Legítimo charme da experiência - NAUZA LUZA MARTINS

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Sessentei, raro presente da vida ganhei
Mais tempo, esperança e oportunidades
Sensação de plenitude, vigor invejável
Novas aventuras, paixões, saberes diversos
Aproveitar da vida todas as possibilidades
Definir meu destino com atitude e coragem
Transformar meus sonhos em realidade.

Sou uma loba solitária feliz do meu jeito
Sou mulher empoderada, dona de mim,
Tenho minhas memórias, já fui vendaval
Nunca fui santa, sei do que sou capaz
Provoquei mudanças, me livrei de teias
Descobri em mim, liberdade afinal.

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Olivença - RODRIGOSBA

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Janeiro
Família.

Água salgada
Água doce
Água ferro
Água salobra
Água-viva
Água, água…

Ainda no raso,
remo lembranças

           Viajo.

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

Sentidos aguçados - MAURA LUZA FRAZÃO

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Com o tempo entendi
Que todo desejo
Tem um propósito ou intenção
E que cada sentido
Parte de uma realidade
Alcançar prazer
Realização de um sonho
Ou simplesmente satisfação
De uma vaidade.

Conquistar para o deleite
Pessoal
Subjugar ao bel prazer
Ambicionar
Vencer, lutar
Xeque-mate
Assim o tempo me ensinou
Que todo e qualquer desejo
Vem de uma necessidade.

Percebi também
Que existe tempo para tudo
Tempo de desejar
Ou ser desejada
Experienciar
Partilhar emoções
Se entregar a possíveis sensações
Plenamente vivenciá-las
Ao sabor do tempo, saciá-las.

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Se um dia - FERNANDO VASCONCELOS

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Se um dia te apaixonares como eu apaixonei!
Só por ti minha lírica e poética donzela, eu me declararei!

És fruto de outras castas,
És o fruto que me afeiçoei,
Benzido… por mim beijado,
Com ternura acariciado,
Como eu nunca acariciei!...

Dá-lhe todo o teu carinho,
Dá-lhe todo o teu afeto,
Dá-lhe todo o teu amor,
Defende-o com toda a garra que tens.
Dá-lhe tudo de bom em ti,
Que no teu interior, buscas e tens!

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Pan-de-mia - RITA QUEIROZ

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Miados no telhado
Gatos se enamoram
Olhos vidrados na lua
Adormecem abraçados.

Cheiro de alfazema
Desperta sentidos implícitos
Nos lençóis de linho
Traições se aninham.

Fumaça, brigas, craques
Trapos humanos em contraste
Bola corre pelos gramados
Disfarces de Coringa nunca jazem.

Fome de tantos quereres,
Beija as manhãs carentes
Olhos sedentos
Bocas desejam pão.

Em outras paragens,
Cortes, navalha afiada,
Gás pelos olhos da cara
Ma(u)l lavada sem piedade.

Clemência pede passagem
Não há espaço.
Inerte, sangra solitária
Para que tanta maldade?

Segundos, minutos, horas
Dias, semanas, meses, anos
Repetem-se as promessas
Tudo em vão.

Doenças, vírus, bactérias
Não vencem a tirania.
Segue o fluxo, motorista,
Não há parada fixa.

Anseios da alma
Gosto de café salgado
Poesia eterna
Nós, elos passados.

Inteligência emocional, artificial
Conquistas em profusão
Faltam amor, saúde, interconexão
Deus, responde-nos se há salvação.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Prendi o Mundo - MARILDA DE FÁTIMA RIBEIRO

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Fechei portas e janelas
Prendi o mundo lá fora.
Eu já estava muito cheia e precisava
Guardar algumas ausências
Descubro nesse refúgio que a vida não tem fios
Somente recuos e avanços que fazem
De mim um porto sem fim.
Enquanto eu espero ainda enlutada amores
E amparos nesse confronto desarmado
Alcançar outros fins.
Me vejo assim, continuo existindo a
Espera de outros horizontes e
Resistindo aos plurais das ausências.

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Último desejo (reprise) - CRISTIANO CONSTANTINO

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o meu último desejo
é devorar devagarinho
o teu coração tão tão frio
fazer sangrar bem aos pouquinhos

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

O sertão virou arte - RITA PINHEIRO

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O sertão virou arte
Dos mandacarus secos
Brotaram poesias...
O quadro natural
Que vinha de todos os lados
Bastava se permitir olhar.
Lá estava mais uma tela
Pintada por Deus.
O azul de doer os olhos
É o céu de Canudos
História contada e recontada
E o orgulho que salta meus olhos.
O povo de Conselheiro
Canções entoadas, hinos, lamentos
O sertão virou e sempre será Arte!
A arte da resistência, da luta, persistência.
Piso no solo sagrado
Reverencio a história
Bebo do conhecimento
E escrevo esse poema.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Chilrear dos pássaros - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

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Soltam-se os pássaros em debandada
Soltam-se as asas em liberdade
E os beijos doados com amor
E as mãos dadas em desalinho
As flores renascem ao amanhecer
Abrem-se à luz do sol ardente
Numa primavera ausente
E as águas do rio banham os lagos
Onde os patos passeiam os bicos
E o mundo gira em redor
E a lua apaga o dia
E a felicidade se anuncia
Entre abraços de felicidade
Com o chilrear dos pássaros em debandada.

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

Não mais menina... - ANA MENDES

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Ainda jovem
Mas não mais menina
Com a voz suave
E corpo de bailarina
Que nos segredos te escondes
Teu olhar inocência
De gestos seguros respondes
Trazendo no olhar vivência.
Por momentos distraída
És levada ao longínquo passado
Perdendo pérolas dos olhos caídas
Talvez de um amor destroçado.
Por ti muito me importo
Tudo quero levar
O teu amor sonho e imploro
Deixa-me tudo de ti amar.
Mulher pura e não mais menina
Tens em ti a esperança da infância
Quero a tua presença na minha vida
Aceita de mim esta aliança...

EM - PELO FIO DE ARIANA - ANA MENDES - IN-FINITA