terça-feira, 22 de março de 2022

Este silêncio - JOSÉ CARLOS MOUTINHO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Este silêncio que me mantém
silencioso, de palavras esmorecidas
e versos calados…

silenciosamente tudo se ausenta do som,
só o eco vazio é repercutido lá longe
no abismo do tempo,
que, silenciosamente, nada diz,
e cala a voz efémera
do porvir incerto,
escancarado num silêncio
que só o vento ignora
no seu assobiar insubmisso!

Ai, este silêncio que sinto profundo
e me ensurdece os sentidos
pela ausência das marés,
dos murmúrios das brisas,
do grasnar das gaivotas,
e dos sons da vida,
que me gritam, todavia,
desassossegando o silêncio do meu peito

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Fazer poesia - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

por isso faço poesia
faço porque sim
e porque não
por nada
e por isso mesmo
porque quero e nem tanto
por isto
por aquilo
e insisto faço poesia

para os que não existem
para os que existiram
para os desaparecidos
para os fracos que desistiram
para os heróis que resistiram

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

Eu, na janela - OLGA VALESKA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Tenho a certeza dos loucos
e a felicidade do pó que segue o vento
em risos de cinza e cisco

Tenho a eternidade do feto que não sabe que será dado
à luz
e a solidão das montanhas que gemem os medos de Minas.

E eu torço as letras
em torturadas curvas
(sempre negras de grafite e pavor)
sem saber se serão lidas...

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Poesia na Carne - GISELDA CAMILO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Impregnada nas células, vibrante...
Ela, não só parte do pensamento.
Ela, enraizada em meu ser.
Ela, apoderada do meu sangue.
Ela, tatuada como bela arte.
Ela corre pelas minhas veias.
Ela está em mim como está você...
Ela... Poesia na carne.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Inquietação - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Espreitei por de trás das janelas
A inquietação que eu sentia
Talvez se tenha escondido
Na esquina mais próxima
Do final da rua.

Afastei as cortinas
Não havia movimento
Nem sequer um ruído…

A cidade parecia vazia.

De onde vinha então essa inquietação
Que tanto me perturbara?

Olhei para o relógio da igreja
Mesmo de fronte da janela onde me encontrava.

Parado…
O silêncio total.

Talvez fosse o que mais me incomodava
Seria então essa a causa a minha inquietação?

Esperei mais um pouco…

Abri as janelas sem pressas
Olho o desfiar da minha curiosidade

Seria a saudade dos ruídos
Das pessoas correndo nas calçadas?

Ou o burburinho louco das conversas e risadas
Daqueles correm para a vida
Como gotas de água saídas de uma torneira
Mal fechada?

Senti-me um pouco desnorteada
Como se os meus pensamentos
Tivessem descarrilado num comboio feito de nada
Numa curva da minha imaginação

Talvez fosse isso...

Mas a inquietação continuava…

Ocorre-me então
Que todos esses ruídos se enchiam de palavras
Era isso que me faltava…

O barulho da vida
Nas ruas cheias de gente
Mesmo daqueles que vagueiam sem destino
À procura de um tudo ou de nada
Sem tempo nem hora
Para o encontrarem…

Nada mais me inquietava então
Senão esse vazio que o tempo gerou
Na minha desorientação…

As ruas desertas na minha cidade
E a saudade dos que vagueiam sem destino

Ou daqueles que correm apressados
Para mais um dia de trabalho?…

Ainda bem que não chove
Assim posso esperar por eles
Numa esquina qualquer sem ter de me molhar…

Afinal a minha inquietação
Era não saber esperar…

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

domingo, 20 de março de 2022

Não se perguntam os sonhos aos outros - INEZ ANDRADE PAES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

não se perguntam os sonhos aos outros

se o sonhador
os quiser contar

conta

assim desconta as lágrimas
de quem não fala

e cala

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Debaixo das arcadas do céu - MARIA FRATERNA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

As fontes e as praças
São agora as derradeiras memórias
Para um poema de amor
Nas bordas das orlas da paixão,
Cerzindo o verso ponto a ponto
Rente aos lírios roxos
Tão inocentes no lugar,
E no engenho do tempo
Absorvido no fecundo silêncio
Das flores simples do jardim.

Debaixo das arcadas do céu
E dentro da notável primavera
Que já rebenta ardente no pasto
Onde o chão é verde e tem o rosto
Do criador cheio de harmonia,
Com futuros virtuosos na caminhada
Do glorioso tempo,
Que se dilui na sinfonia da vida,
Nos interstícios soltos do corpo
E num zeloso cântico da natureza
Em cada viagem sem destino.
Tudo tão certo e incerto no final,
Como as imagens ocultas
Onde as mulheres espiam o mar,
A acreditar que o barco vai chegar
Nas ondas que vergam as dúvidas,
E em imagens ocultas
A escaqueirar todo o infortúnio.

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

Gemidos - GISELDA CAMILO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Do teu gemido entre lençóis
quando nos envolvemos de amor
desfrutando dos aromas
dos desejos, beijos, do ardor.

Do teu gemido sem dor
quando minha mão te envolve,
te acaricia, te excita, te domina...
E a paixão, assim, se promove.

Do teu gemido gerando música
gerando poesia, gerando rima...
Do desejo que de mim extravasa
e encontra no teu desejo obra prima.

Do teu gemido que cura minha dor
da distância, da solidão que fico...
Até que novamente vens,
e com gemidos curas meu gemido.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 19 de março de 2022

Melancolia - FLAVIANE BORGES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Tenho andado melancólica
uma melancolia disfarçada de breves
sorrisos tolos.

E na ausência de resposta a este sentir
vou sorrindo às tolices e finjo acreditar também
nas vãs manifestações de mim mesmo
e no surto disfarçado de bem.

E quando o triste rosto, defronte ao espelho se encontra
dizem os olhos à inquietude da alma:
– Mas o que esta tem?
E o tolo sorriso responde:
– Melancolia, sofre de melancolia.

– É uma bela palavra. Dizem os olhos rasos d’agua.
Digo com o pesar de minh’alma, deveras que não a sinta,
como a sinto porém.
Chorarias um oceano, pela força que esta palavra tem.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Farfalhar - GISELDA CAMILO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Milhares de asas de borboletas
A farfalhar dentro de mim
Deixando um rastro multicor
Um rastro de frenesi
Quero sempre me sentir assim
Quando você vier até mim.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Infinito olhar - MARIA EUNICE SISTI

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Parei diante daquele olhar continuado e penetrante
Parece ter nascido ali, autóctone
guarda dentro de si a vastidão silenciosa de uma quietude
inquieta
Sem aplausos, parece querer se fusionar, por instinto, à
alma alheia
O olhar de um querubim sem rosto, sem corpo, sem
pensamento.
Exigente e demorado
Um olhar sedento de socorro. De ouvido. De sorriso. Do
carinho que não veio.
Um olhar a procura dos céus, mas o
coração posto na terra
Não cabe todo aquele olhar dentro de mim...
Fiquei pequena demais!

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

sexta-feira, 18 de março de 2022

Qualquer coisa antes dos frutos - FERNANDO CHAGAS DUARTE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Qualquer coisa antes dos frutos,
à sombra de uma romãzeira
que como se vê é coisa mediterrânica
dois jogadores de xadrez, um de camisa branca
outro com nódoas tranquilas na gravata
opõem um cortejo de carruagens de simetria ambígua
enquanto se excluem à vizinhança.
Com gestos avulsos de monarcas
movem peões, povos, azémolas e torres, auxiliando-se
monasticamente pelas diagonais
numa conquista de multidões e enxames
que apenas procuram o doce aroma das flores. Não há
marfim escondido sob a tarde da romãzeira em flor,
embora na obliquidade tranquila da árvore prosperem
ruínas longínquas de impérios – e outras partidas
inexoráveis se concentrem na ilusão do nada
de cega inspiração.
A senhora e o seu lenço de tule, diáconos martirizados
e um céu cândido a arremeter-se sobre o futuro
dos frutos. As abelhas, os pássaros, as torres de ébano.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Sou poeta - FERNANDO VASCONCELOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Em miúdo subi pela primeira vez,
A um palco para declamar!

Numa banda toquei eu trompete.

Comecei no exército,
Acabei na marinha,
Como funcionário.

Em hotelaria,
Cheguei a chefe de banquetes.

Falta-me o canudo,
Não tenho o curso de letras.

Hoje em dia, escrevo poesia,
À minha maneira,
Serei eu um poeta?!

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

Saudade - GIL BHRAS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Ah! Que saudades!
Do carnaval da Bahia,
Do frevo pernambucano,
De pular até raiar o dia...
Me esbaldando na folia.

Na televisão só se via alegria,
Calor, suor e energia,
Da cor do amor e do pecado,
Em que todos ficavam atiçados!

Ah! Que saudades!
Dos momentos de outrora,
Daqueles tempos de ciranda,
Que participava com outras crianças,
Das brincadeiras de roda!

Ah! Que saudades!
Das fogueiras e balões,
Canjicas, quadrilhas e quentões,
E a música que é tradição,
Das festas de São João!

Ah! Que saudades!
Das noites coloridas e frias,
Que a dança e o quentão aqueciam...
Com as brincadeiras e alegorias,
E nos corações - só alegria.

Olho agora com tristeza e desolação,
O novo normal que irrompeu nossa tradição,
Festas juninas, Bumba meu boi, Carnaval,
Folia de Reis, Congada e Festival.

Espero que não se alongue por demais,
Essa ingrata pandemia a arrefecer,
Pois, estamos em momentos de agonia...
Nossos festivais não podem morrer.

Tenho saudade das tradições que era só beleza,
E agora está fazendo falta aquela fulgor e energia,
Parte da nossa cultura e elemento...
Da nossa natureza!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Tríade - MARIA ELIZABETE NASCIMENTO OLIVEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Coexistem em mim
a fada e a bruxa.
Uma recebe energia do sol,
a outra dedilha a lira da lua.
Uma se põe na linha de frente,
a outra apenas reflexo.
Elas são rio e mar;
elas são rio ou mar;
elas são o encontro
do rio com o mar.
Águas em excesso!
A fada e a bruxa
Voam, sonham
e, juntas, compõem música
para a mulher.
Dessa tríade jorram fios...

Fios d’águas que elevam cachoeiras.

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

quinta-feira, 17 de março de 2022

A Ti, que me encontraste - FERNANDA BEATRIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Às sementes que se encontraram
No útero de minha Mãe
Em corrida acalorada de Amor Vital,
Digo obrigada, por nesse Amor ser gerada.
Aos silêncios mais eloquentes que discursos
Atentos aos traquinas desvios de percursos
Devotos de amorosa correção,
Digo obrigada, por quanto fui ensinada.
À fidelidade cúmplice de quem ama
Nos corações e modos de meus Pais
Por meu bem, por meus ais,
Digo obrigada, por tanto ter sido amada.
Nas gargalhadas de lágrimas engolidas
Em chegadas e partidas, como se para nunca mais,
Digo obrigada, por me suster na jornada.
À robustez que ganhei e que perdi
E em meu Ser renasci por divina natureza,
Digo obrigada, por minha alma renovada.
Fui gerada, amparada, nunca perdida
Nem esquecida ou confundida
E prossigo nessa estrada em que confio
Entretecida no fio da Vida e não desvio.
Toda a minha singularidade te devoto
A Ti, Vida, porque me encontraste
E com teu contraste me marcaste.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Desencanto - CRISTIANO CONSTANTINO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

no calor da emoção
deitei fora qualquer ilusão
transformei verdade em mentira
e mentira em omissão;
do caixote, ainda resgatei toucador
para engavetar desencanto

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

Mote: A natureza me inspira para fazer poesia - GERSON SANDRE (O VAQUEIRO)

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Sapo sabe adivinhar
Que o rio vai encher
E a água que correr
Pode até lhe carregar
O socó sabe pescar
Mergulhar na água fria
O tetéu que é vigia
Nem agride nem atira
A natureza me inspira
Para fazer poesia

Dá vontade de rimar
Admirando a serpente
Usar apenas um dente
Para o veneno injetar
João de barro arquitetar
Sua própria moradia
E o saguim que assovia
Pendurado numa imbira
A natureza me inspira
Para fazer poesia

Sabiá que se alimenta
De pimenta malagueta
Não faz nenhuma careta
Pode arder mas ela aguenta
E o guará quando entra
Na roça de melancia
Seja noite ou seja dia
Madura ou verde ele tira
A natureza me inspira
Para fazer poesia

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 16 de março de 2022

Fechar o olho da noite - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

fechar o olho da noite
enfrentar a escuridão
lutar contra as sombras
nem só de luxo vive o poeta
nem sempre esperar
no final do túnel
a solução para o caminhar
no meio ao caminhar
ninguém poderá nos salvar
se é que estamos a perigo
não há heróis
nem mitos
nem super-homens
nem messias

temos que desenvolver
o apoio mútuo

é o único jeito de nos salvar
e de salvar o planeta
da insanidade do homem
que chegou por último
tomou posse
e se acha o único digno
de habitar a terra

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

Florminicídio - GENIVAL POETA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Sei que foi assassinato
A morte das Onze Horas
A Orquídea já não flora
Morreu no anonimato
D’espancamentos, maus tratos
Já morreram as Bromélias
Sucumbiram as Camélias
Pelas mãos dos seus algozes
E assim calaram as vozes
De centenas de Laélias

Cansadas de tantas idas
Em busca de alguma ajuda
Deceparam duas mudas
De joviais Margaridas
Foi triste a despedida
Da bela trans Iasmim
Tantas flores no jardim
Seu petalar não fulgura
Pois moram na sepultura
Por causa de gente ruim

Sempre alvo de racismo
Belas Marias Pretinhas
Ainda quando mudinhas
Foram vítimas do machismo
As ofensas do fascismo
Torturam as Cantiléias
Causando mil cefaleias
A quem clama por justiça
E a tirania mortiça
Ceifaram as Azaleias

Os sopapos e açoites
Não tiveram solução
Quem sofreu a agressão
Foi uma dama da noite
Ainda há quem acoite
Esta tal impunidade
Pois esta banalidade
Favorece o agressor
Libertaram o autor
Do estupro contra jade

Violeta foi queimada
Ninguém prendeu o culpado
O seu corpo foi jogado
Às margens de uma estrada
Petúnia foi abusada
Por aquele seu parceiro
Que num ato sorrateiro
Difamou a Peperônia
Tripudiou da Peônia
Na frente dos companheiros

Dália foi pisoteada
No momento em que floriu
Ninguém sabe ninguém viu
Gardênia ser humilhada
Logo foi silenciada
Por um infeliz covarde
Que impôs sua vontade
Desrespeitando Acácia
Bastou a sua falácia
Pra ganhar a liberdade.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA