segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A palavra não dita - SUELI SANTOS

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Diga o que tem vontade
Não deixe para depois, isso não faz bem.
Pense com serenidade, porém.

Expresse as palavras para não adoecer.
Cada um tem seu caminho, sua história para viver.

Se acolher sem se julgar. Sem ser julgada.
Com ninguém se deve ser comparada.
Seja livre!!!
Siga seu destino, siga sua caminhada.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Nau Sem Rumo - JACKMICHEL

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A uma nau sem rumo lancei-me
Sem querer chegar em porto seguro...
Ordenei aos leves ventos que partissem
Para os confins dos mundos
E chamassem os ciclones.
Sem velas e sem bússola,
A nau rota, sem rumo certo,
Farandolava insanamente, sem magia,
No compasso do turbilhão...
E o meu pensamento – atado ao cárcere
Da Incompreensão descomunal –
Também singrava, esfazendo-se,
Como se fosse vetustos selos de coleção!...

EM - JACKMICHEL - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

domingo, 19 de setembro de 2021

As várias saias de quem sou - CLÁUDIA ASSIS

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Sou mônada, sou diversa.
Sou calmaria, sou temporal.
Sou beata, sou festiva, sou presença.
Sou Fortaleza enluarada.
Sou no interior, a paz.
Sou a que acolhe e abriga.
Sou a que reza e escuta.
Sou a que lidera, sou a que teme.
Sou a que evolui, sou a que sonha.
Sou a que divide e compartilha desejos.
Sou a que zela e vela pelos seus.
Sou filha, sobrinha, tia e mãe.
Sou Lainha, Cícera, Chaguinha e eu.
Sou as várias saias de nós.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Rasto Dúbio - LUANA BOAVISTA

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Não soube seguir a tua trilha,
Não soube ler os teus sinais.

As sardas que, na tua pele, te teimavam denunciar.
Lisa, luzidia e livre de rasto,
Com um gasto suave
Que só tu conseguirias explicar.

Segui mato dentro
E confundi pétalas que largaste
Por sinais que não deixaste.
Perdida, fiz flores
E o mato virou buquê,
Sem nunca perceber o porquê
De te seguir para te perder.

Não sei se não soube,
Não sei se não quis saber.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Se... - SÍLVIA SILVA

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Tão diferente de ser,
O «Se» é tão limitador,
Queria talvez ser mas não é

Se soubesses,
Se dissesses,
Se amasses,
Se lutasses...

Se um dia me disseste que sim
Acolheste nos teus braços,
Em todas as marés baixas
E prazerosas maresias,

Porquê o «se» prenunciar
Deixar a insegurança ganhar
Ou triunfar tal coisa feia que é?

O Se limita...
O Se quer ser mas não é
O Se é isso, condição
A Limitação do SER pensante.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 18 de setembro de 2021

Adejos - CINTIA GUSHIKEN

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Acalme-se, Céu!
Que dessa fúria
Só fluirá água
...
Acalme-se, Alma
Que dessa calma
Só fluirá receios
...
Acalme-se, Arrepio
Que nesse rio
Só fluirá adejos!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Amizade - LENITA STARK

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Amizade é uma luz
Que aquece e ilumina nosso caminho
Às vezes essa luz apaga-se…
Porém o percurso continua
Novas fontes de energia positiva
Em nossas vidas surgirão…
E a luz que se apagou
Há de recuperar-se
E outras fronteiras iluminar
Somos todos caminhantes do destino
Na estrada da evolução
Tropeçamos caímos e nos reerguemos
E novamente nos posicionamos em marcha
Com pensamentos subjetivos
Andamos com muita pressa
Para chegar onde nem sabemos
Amigos deixamos
Boas lembranças levamos
Queremos fugir das inseguranças
Dos medos e dos desatinos
Esquecer a dor constante
Do insistente destino
Não nos prender em rituais
Que nos tiram a paz
Retratar a alma solitária
Abraçar a transitoriedade
Viver visceralmente o necessário!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Depois do infinito - RITA QUEIROZ

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Os versos escorrem pelos dedos
E o desejo transborda pelos olhos
Como procissão de domingo.
Corpos abrasados em folhas macias
Vozes em uníssono
Dentes cravados em peles de lua
Cicatrizes do nosso ir e vir
Vento cansado sobre as chamas.
Nossa poesia inscrita no tempo
Da chuva fina que nos adormece.
Não há infinito...

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Canção a Solo - SÍLVIA SILVA

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Realidades paralelas
Se moldam nos pensamentos
Naquilo que somos
Também o que temos
Cria-me em suaves memórias
Ou a promessa de um uno futuro certo.
Perfumado daquilo que sonhei
Num plano individual...
Ou na palma de quem
Complementar a melodia
Que a solo componho.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Beijo molhado - CILENE MURIEL PEREIRA

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Faiscou e tilintou
Aquele riso era algo que não se ouvia
Tão belo era, parecia magia
Meu coração saltitou em profunda agonia

A brisa quente me golpeou e o aroma invadiu
Era cheiro de paz
Então, fui beijado e arrebatado
Por um doce beijo molhado

Há muito não sentia tamanha emoção
Quando me percebi
deitado estava
Areia em meus cabelos beijados

A onda, sem se importar, retornava ao mar
E eu extremamente excitado fitava o céu
Enquanto o astro-rei tentava me vendar

Sem conseguir meus pensamentos frear
Ansioso por tudo que estava por vir
Como um desvairado, pus-me a sorrir...

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Sangria - KLEYSER RIBEIRO

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Enquanto eu sangrava pela casa,
neurônios queimavam e a água escorria;
os olhos vermelhos ardiam em brasa,
mirando os frascos vazios na pia.

Depois de uma era em que tanto sonhei,
a voz se calou, sem ver a utopia;
a insônia assaltou-me, mas eu desmaiei
e, enfim, nunca mais vi a luz do dia.

Zerei a chance de errar na aposta,
ao ver as virtudes lançadas na fossa;
caíram os olhos, restaram lágrimas.

A face despida foi alvo de tapas,
sem achar a rota de fuga nos mapas;
enfrentei dores, lamúrias e lástimas.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Sou outra ou sou eu - IRENE MATIAS

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Uma eterna interrogação!
Sou outra... eu, ou ninguém!?
Sou alma etérea
Sou verbo
Sou vida
Sou sentimento...
Sentimentos de sentimentos
Ocultos na mente
Mas vividos!
Sou outra no saber
Mas sou eu no expandir,
No meu falar, no meu sentir,
Sou outra, mais solta
Nas palavras,
Na escrita...
Mas sou eu, enquanto pessoa,
Que consigo mesma...
... Viveu!
Sou aquela que procurou
Dentro deste enxame de mentes,
Que pululam inteligentes
Neste Universo, de estrelas cadentes,
Um pequenino lugar...
Mas cheio de verdades e amigos,
Um lugar de ninguém...
Mas de todos
Que apenas querem mostrar
O seu esforço!

EM - AMANHECEU... RENASCEU! - IRENE MATIAS - IN-FINITA

Seus seios caídos… - SEBASTIÃO PANZO

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Hum… Querias o silêncio da escuridão
Por pensares, erradamente pensares
Que a luz traria à tona
Os traços de uma maternidade fértil

Sua vergonha
Era tão descabida, delicada
Contrariando a ousadia do seu desejo
Seu corpo, envergonhado
Molhado, excitado
Tocava a sinfonia do prazer
No mesmo esplendor
Da nona de Beethoven
Em cada sonata
Pairava o nosso respirar
O nosso cheiro
A nossa pulsação
Quando possuídos fomos
Por inteiro
Por um curto-circuito cerebral
Que elevou-nos ao paraíso

Seus seios caídos
Não são de se envergonhar
Mas, de se orgulhar
Por veemente contribuir
Na continuação dessa espécie
Que tudo, erradamente faz

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Anseios - CIÇA RIBEIRO

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Caixa fechada com abas soltas
Porta trancada sem trancas
Coração preso ao peito aberto
Ventos contidos em largos campos floridos

Amarras soltas
Garras outrora presas
Pés antes apertados esparramam-se
Vasto horizonte à frente

Apenas sonhos
Prisão à tranca de ferro
Amor regrado
Suspiros interiores

Fundo infinito
Jamais repleto
Busca incessante
Anseios em cascatas cristalinas

E, à frente

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Humana a poesia - JORGE GASPAR

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Visado o tempo. Incómodo. Contaminado.
Abertas as prisões da vulnerabilidade.
Desinstaladas pressas. Comodamente.
Contagiadas as vozes. De inquietudes.

Idealizado o tempo. Novos limites.
Interpelando verdades. Programadas.
Sem mistério igualdades. Acertadas.
Defesas urgentes. De aprendizagem.

Aberto o poema. Novos futuros.
Antevisão de pressas mestras.
Gritos humanizando novo tempo.
Reinventando novas aprendizagens.

Indispensável. Humanizar a poesia.
Iluminando novas conversações. Com Arte.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Realejo - CHRIS HERRMANN

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um realejo pousou
no meu toucador

aproveitei para
retocar as asas

EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Diário, recorrente - SEBASTIÃO PANZO

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É recorrente, diário
Cumprimenta-me seu cheiro
Quando me ofereces o teu silêncio
É recorrente, diário
Cruzarmos olhares
No abismo da distância

É diário
Acreditar, hoje, no exagero gráfico
Dos desenhos animados
Pois como eles
Também sinto o coração
O peito atravessar

É recorrente
Como um bobo sorrir
Como um louco suspirar
Quando no sono te desejo
E no sonho te amo

Entre a realidade e ilusão
Como um mago vivo
Perdido, pois há muito
Por completo me esqueci
Da distinção entre uma e outra
Quando para o mago
Existe, a absurda
Proibição de amar

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Olá, Ilusão! - JACKMICHEL

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Olá, Ilusão!
Permita-me entrar
Em tua alcova aurirrosada

E me acolhe em teu abraço
Macio, olente,
Que há tanto quero!

E me enleia
E me encanta
E me inspira a sonhar...

E me beija
E me anima
À luz do luar!

Sabes que sou triste?!

Quero, apenas, que me ames
Enquanto descambam os gelos do Nirvana!...

EM - JACKMICHEL - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Biblioteca - JANICE REIS MORAIS

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Silêncio
Tranquilidade
Conhecimentos no ar,
na estante lado a lado,
livro a livro enfileirado,
cuidadosamente organizado,
um a um catalogado,
novo sistema informatizado,
ambiente modernizado
no mundo digital visualizado,
amplamente divulgado...
Essencial paraíso de quem lê,
pesquisa,
escreve,
pega o livro emprestado...
Prazer de um livro físico folheado.
Biblioteca não ficou no passado,
caminha com a internet lado a lado!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Mães, seres divinos - CELINA BEZERRA

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Tem a delicadeza de uma flor
Tem o equilíbrio de um prumo
Vira uma leoa se preciso for
E por um filho muda seu rumo
Toda noite reza por seus filhos
Acredita na força da oração
Não só pelos nascidos do ventre
Mas também os nascidos do coração
Às vezes por dor ou sina
Tem seu destino mudado
Protegendo seu menino ou menina
Seu rebento pelo pai abandonado
As mães são seres divinos
E a elas, rendo todo o meu louvor
Que o carinho doado aos seus meninos
Retorne a elas em forma de amor.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA