domingo, 10 de março de 2024

Ausência - Therezinha Lima

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Eu fui à tua vida
Passei na tua vida
Senti a tua vida
E acabei sem vida.
Hoje, com frio, sem calor
O meu colo vazio
Sem mãos que o acariciem
Sem braços para abraçar
Sem lábios para beijar.
E assim vou seguir
Querendo seu amor
Buscando, sem encontrar
Você para amar.

EM - LACUNAS DA ALMA - THEREZINHA LIMA - IN-FINITA

Ondas - Maria Antonieta Oliveira

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Verde, branco, castanho
Castanho, branco, verde
Verde, branco, castanho
Castanho, branco, verde
Vai e volta inconstante
Mais uma…
Lá vem ela
Verde, branca, encaracolada
Enche, esvazia
E o meu olhar se delicia
Calma e tranquila
Ou, astuta e matreira
Borbulhas na espuma
Que te pica o sal

Castanho, branco
Branco, castanho
O verde, perde-se além
Fica lá longe, não vem
E eu na areia perdida
Anseio a tua chegada
Há muito esquecida.

EM - QUANDO O CORAÇÃO FALA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

sábado, 9 de março de 2024

O meu frágil batel - Maria Cabana

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Em ti mar, fui marinheira, 
Velejando no meu batel 
Todo feito de papel, 
Na carência da madeira. 

O teu sal ao corroer, 
O meu frágil batel, 
Me oferece um sabor a mel 
No alimento a trazer. 

Tuas ondas de verde bronze, 
Zangadas em dias de tempestade. 
De quando em vez, tua tumba se abre. 
Não te importa quando e onde. 

Ao pôr do sol és criança, 
Que nos sorri com ternuras. 
Sobre tuas águas fomos em busca de aventuras, 
Para lá do Cabo da Boa Esperança.

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Óptica Intrínseca - Alan Dornales

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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A sentinela do corpo gelado, estático
Sem olhos nem faróis
Contempla o belo capricho de nós
Servindo de pombo correio, avisa, extravasa
Abusa da intuição e aplica sentença
Deixando de lado o valor da presença
Do calor, do fervor do sangue
Da sina eleição do destino
Descartando as regras e métodos
Talvez cansado da fatídica repetição
Falta discrepância
                           Irresponsabilidade
Acenda uma fogueira à beira-mar
Corta lenha, deixe o violão tocar, adentrar
Alma escura, solitária e ensopada
Infiltração de ar puro
Falta fatos concretos
Argumentos fálidos, incompletos
Põe uns óculos novos
Aumente a graduação (grau)
Contemple o belo de outrem com vistas alvas
Remodele o simples

EM - GRITO ANÔNIMO SILENCIOSO - ALAN DORNALES - IN-FINITA

sexta-feira, 8 de março de 2024

Cigarras - Antónia Balsinha

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Cigarras passam o Verão
A cantar alegremente
Enquanto as formiguitas
Trabalham amargamente

Enchendo bem os celeiros
Numa corrida maluca
Enquanto as cigarritas
Cantam sempre ula upa

Quando chegou o Inverno
Cigarra geme de frio
Vai à porta da formiga
Esta lança desafio:

“Enquanto nós trabalhámos
Tu sempre na cantorita
Agora dança para nós
Se queres ter comidita”

O chefe do formigueiro
Deu comida às cigarras
Elas encheram barriga
E dormiram sobre parras

As formigas e cigarras
Falaram de suas vidas
E fizeram uma festa
Com danças muito corridas

Assim passaram Inverno
Cantando muito ao serão
Num convívio ameno
Até chegar pleno Verão

EM - A POESIA CORRE MUNDO - ANTÓNIA BALSINHA - IN-FINITA

Sonho - Andreia Sofia Vale

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Sonho em voltar
Naquela praia, as ondas voltar a ouvir
Da boca as palavras divagar,
Poder de novo sentir
O respirar da tua boca no meu olhar.
Quis tanto e agora não tenho nada,
Quis mudar, mas a porta se fechou,
Quis evoluir, mas tudo se acabou.
Deixei de ser tua amada,
Passei a ser desprezada.
Saber levantar novamente
Ter a força de um gigante,
Respirar como confiante
E sentir de novo o contentamento,
Pois eu sou eu, um ser lutador
Tenho a garra de sofrer em silêncio
Tenho meios de camuflar a dor,
Sentindo a tristeza por mim navegar
Sonhei tanto aquela praia voltar....

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de março de 2024

Fúria - Vítor Cintra

Do céu, enquanto raios de desgraça
Lampejam, com furor, na noite escura,
As nuvens, que nasceram ameaça,
Derramam-se em torrentes de água pura.

Ressoa, com fragor, por toda a parte,
A voz tonitruante de Vulcano,
Mais forte que a irada voz de Marte,
Capaz de intimidar qualquer humano.

O vento, que fustiga em desespero
As copas dos coqueiros desgrenhados,
Mergulha de rochedos escarpados;

Num silvo, que enfurece o mar severo,
Encontra, no rugir da profundeza,
Mais eco do que tem na natureza.

EM - PEDAÇOS DO MEU SENTIR - VÍTOR CINTRA - TEMAS ORIGINAIS

Só Assim (Fui ser Feliz e não volto) - Sílvia Silva

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Falo,
Escrevo,
Respiro amor...
Em todas as linhas do meu caderno...
Não me conheço
Nem ajo de outro jeito
Porque a qualquer dia pode ser S. Valentim...
E não preciso de uma desculpa
Pretexto qualquer
Ou dia... ou ocasião...
Esta sou eu...
E não peço desculpa a ninguém.
Sigo vivendo ao máximo
Levo o que sinto
E um dia, o teu apelido...
Fui ser feliz...
E não volto.

EM - SÍLVIA SILVA - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quarta-feira, 6 de março de 2024

Ser - Jorge de Sena


Cansada expectativa tão ansiosa
que ser só eu na minha vida espalha!
Na longa noite em que se tece a malha
do que não serei nunca, fervorosa

minha presença rútila e curiosa
arde sombria como um arder de palha,
curiosa apenas de saber se goza
o voar das cinzas quando o vento calha

lá onde o levantá-las é verdade.
Inutilmente se mistura tudo,
que a mesma ansiedade, já esquecida,

de novo recomeça. Mas quem há-de
contrariá-la? Eu não, que não me iludo:
Viver é isto, quando se é só vida.

EM - POST-SCRIPTUM - JORGE DE SENA - ASSÍRIO & ALVIM

A música dos corpos - Tito Lívio

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A minha pele, 
a tua pele 
tocando-te, 
tocando-se. 
Não faziam falta 
as palavras. 
O meu corpo, 
o teu corpo 
unidos, 
suados. 
E assim 
nasceu a música.

EM - VIAGENS PELO CORPO - TITO LÍVIO - IN-FINITA

terça-feira, 5 de março de 2024

Meus 70 anos - Therezinha Lima

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Sou feliz, estou feliz, estou viva!
Para continuar amando
Para perdoar amando
Para viver amando
Por ter uma família que amo e respeito.
A energia “Deus” está inserida na minha vida.
Tenho uma mãe maravilhosa, que amo.
Amo meus filhos
Amo minhas irmãs
Amo meus netos.
Amo a natureza.
Cultivo minhas amigas próximas e distantes.
Quero ser alegre, “chutar” os problemas e ser abnegada.
Quero ter misericórdia do meu próximo e sentir
a presença de Deus em minha vida.
Assim sou eu.

EM - LACUNAS DA ALMA - THEREZINHA LIMA - IN-FINITA

Fujo - Maria Antonieta Oliveira

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Fujo
Fujo devagar sem pressa
Não quero afugentar as gaivotas
Nem sequer quero pisar as ervas crescentes
Ou as algas pelo mar trazidas
Quero chegar antes do sol pôr
Quero ter a luz da paz no caminho
O escuro, é triste
É solidão
Ao chegar, quero abraçar a vida
Aquela que ficou para trás, já foi
Quero esta de agora com amor
Com luz e paz

Mas,
Eu fujo
Fujo do ontem sofrido
Para renascer no amanhã
Onde imperará a harmonia
E reinará a felicidade.

EM - QUANDO O CORAÇÃO FALA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

segunda-feira, 4 de março de 2024

Dedos da mão - Maria Cabana

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Olho um a um, cada dedo, 
Que tenho em minha mão. 
É um do outro irmão, 
Cada qual com seu segredo. 

São eles tão diferentes, 
Todos têm sua missão. 
São cinco os dedos da mão, 
Vivem juntos e contentes. 

Vamos como eles ser, 
Diferentes, mas iguais. 
Se temos os mesmos pais, 
Porque não fazer o bem acontecer. 

Dá a tua mão então, 
A quem está a teu lado. 
Cada dedo precisa ser tocado, 
Para que haja paz e união! 

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Personalidade Acinturada - Alan Dornales

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A caneta dourada fez um passeio deixando um rastro
de tinta
Numa declaração apaixonada
Subia montes, descia ladeiras, saltava e pingava
Cospia e gritava esgoelada
Tantas idas sem volta, estava a deixando cansada
Uma corrida sem ter dado largada
Um risco corrente de sair machucada
A destemida mão que a levava não temia o novo
Tudo era um jogo que não usava cartas
Desenhava uma vírgula e estacionava
Sem progresso arrumava as malas e saia em disparada
Era pouco introvertida e quase não falava
Sempre elegante, bem maquiada
Corpo robusto sem ter cintura afinada
Bem “rolicinha”, não importava pra esse negócio de ser
sarada
Torneada era a sua personalidade
Bem feminina, arrancava olhares por onde passava
Semblante horizontal ao chão
Ah, como aquela linda caneta cheirava

EM - GRITO ANÔNIMO SILENCIOSO - ALAN DORNALES - IN-FINITA

domingo, 3 de março de 2024

Chá - Antónia Balsinha

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Entre pedras encontro
A florir um malmequer
Com formato diferente
Até parece mulher

A pedra encontrada
Fugia do meu tempo
Olhando a cor da flor
Ouvi sempre lamento

Essa flor entre pedras
Encontrei-a no adro
Era mesmo talhada
Do teu lindo retrato

Eu nunca tinha visto
Entre pedras florida
Um malmequer tão belo
Estava flor perdida?

As folhitas dessa flor
São mesmo de malmequer
Servem para fazer chá
Adoçado com colher

Bule de porcelana
Contem chá de malmequer
Delicia o gosto
Do homem e da mulher

São folhas escondidas
No adro da igreja
Sempre a olhar pra mim
Há também um canteiro
A meter muit’ inveja
Com folhitas d’ alecrim

EM - A POESIA CORRE MUNDO - ANTÓNIA BALSINHA - IN-FINITA

O que fazer? - Andreia Sofia Vale

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Matar, tirar, afogar,
Tenho de o conseguir!
Acabar com esta vontade de amar
Pois não o vou possuir!
É inútil esquecer,
Vai ter que terminar
Pois não o consigo aguentar,
É uma dor não visível
Que torna o amor impossível!
A lembrança veio o trazer!
O que será que vai passando no teu espírito
Será que existirá algum documento escrito?
Onde eu poderia tirar estas incertezas.
Ou colocar ainda mais certezas,
De que nunca me irias amar
Nem comigo namorar.
Por mais que procuro
Está difícil de achar
O rapaz que seja puro
E digno de eu amar.
Está ficando uma procura angustiante
Por vezes tenho vontade de desistir
Mas logo chega a dor de confiante
E jamais parar ou fugir.

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

sábado, 2 de março de 2024

Duendes - Vítor Cintra


Andam duendes à solta
Nalguns caminhos 'scondidos
Só quem apura os sentidos
Pode senti-los à volta.

Ouvem, alguns, gargalhadas,
Outros só ouvem gemidos,
Nesses atalhos seguidos
Em noites mais estreladas.

É nesse mundo risonho,
Sem um temor desmedido,
Que cause dor ou revolta,

Que, quem viveu um tal sonho,
Se mostra mais convencido
Que andam duendes à solta

EM - PEDAÇOS DO MEU SENTIR - VÍTOR CINTRA - TEMAS ORIGINAIS

Certeza Incerta - Sílvia Silva

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Mãos trémulas
Não criam o dia de amanhã
Não sei o que o futuro encerra
Só sei que devo ter confiança...
Desvendar aos poucos é o que resta...

Todo o mistério me cativa
Mesmo quando fico à deriva...
As lágrimas, darão lugar a algo novo
E sei que chegarei a bom porto.

EM - SÍLVIA SILVA - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sexta-feira, 1 de março de 2024

Que é um corpo? - Tito Lívio

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Que é um corpo? 
Uma geografia que percorro palmo a palmo 
com estas mãos, tentando 
descobrir os secretos caminhos da ternura, o diamante 
escondido em tua pele que a boca 
nunca se cansa de beijar. 
Por ele eu tenho viajado ao longo dos dias e das noites desta 
febre que me comunicaste 
quando, pela vez primeira, te toquei. 
Que são os lábios quentes senão a fonte onde bebo a ambrósia e 
o mel da eternidade
quando vertiginosamente fazemos amor, acto em que morro e 
me fundo? 
Apenas um longo e profundo êxtase.

EM - VIAGENS PELO CORPO - TITO LÍVIO - IN-FINITA

10 (Canto dois) - Júlio Pomar

Entre a perna do cavalo
E a mulher a par'cença
Lembra-me o cantar do galo
Canta sem pedir licença

Entre o quadril da mulher
E o ladear do cavalo
A semelhança a dizer
O mais gostoso é prová-lo

Entre o ver e o tocar
E o pensar e não dizer
Porque se há-de ocultar
Aquilo que dá prazer?

EM - PRIMA CONTRADIÇÃO - JÚLIO POMAR - ASSÍRIO & ALVIM