sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ao meu pai... - ANA NUNES MAIO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Neste dia especial
Quero dizer-te que te adoro
Onde quer que estejas
Sei que estás feliz

És uma estrelinha
Que olha por mim
E sei que estás feliz
Por ser como sou

Quando me dizias para aprender
Isso nada me dizia
Com a vida aprendi
A ser como querias

Hoje penso muito em ti
E em tudo o que me dizias
Agora sei que tinhas razão
Devia ter-te dado ouvidos

Obrigada meu pai
Por me teres dado a vida
E fazeres de mim
Aquilo que sou hoje

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Por ti - ANDREIA SOFIA VALE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sei que sempre fantasiaste
Meu corpo tocaste
Que tuas mãos tocaram
Minha pele quente e ardente
Fantasia da tua mente
Querias que fosse verdade
Que eu aceitasse, sem saudade
O que sempre me quiseste dar
Teu amor, teu carinho
Teu toque afetivo, tuas palavras amorosas
Para conquistar meu coração
Fosse apenas a falar ou quando cruzaste o meu caminho.
A chama que te mantém vivo
Com lembranças carinhosas
Como a letra de uma canção
Onde cada palavra é sentida
Como um lavar de alma perdida,
Numa praia de apenas recordação
Lembranças sofridas, da lembrança da ilusão
Carinho meu amor, sempre foi o desejado
Foi tudo vivido contigo amado.
Na emoção do calor, quem disser o contrário
Não sabe dar valor, toda a emoção não tem horário
Nem momento para atingir o coração.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Renascer - THEREZINHA TAVARES

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Sopre cinzas
Surgirá luz!
Afague essa luz
Abrace essa luz
Alimente essa luz
Nela
Vai renascer
Esperança
Que transcende
A compreensão
Humana
Ultrapassa limites
Derruba barreiras
É plenitude...

EM - MEUS POEMAS - THEREZINHA TAVARES - IN-FINITA

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Quem me dera ser uma ave - ANA MARTINS

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Quem me dera ser uma ave
E no céu voar
Quem me dera ser uma ave
E lá do alto tudo poder olhar.

Olhar a terra, olhar as árvores
Olhar todos os animais
E lá no alto... bem no alto
Soltar todos os meus ais.

Quem me dera ser uma ave
E poder voar
Voar para tudo viver... tudo amar
E pelo mundo compaixão espalhar.

Que Fios de Jade inundem o mundo
Com raios de respeito e amor
Que todos os seres sejam iguais
E possam viver felizes sem dor.

Quem me dera ser uma ave
E no céu voar
Quem me dera ser uma ave
E um mundo justo abraçar!

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Cala-te cá dentro - ANA MARTA

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Foi um estrondo.
Um som demasiado alto, propagando decibéis de confusão,
medo e curiosidade.
Tudo mudou. Não foram as minhas minúsculas mãos que desafiaram 
o barulho intenso que ecoou dentro de mim e não conseguiram sequer 
amenizar o estrago prometido.
E tudo estremeceu para sempre.
Ecoaram zumbidos ou lá o que foi, mas também ninguém quis saber.
Fui eu, e eu só, atingida por este trepidar constante em sentimentos 
mistos, por este desassossego sonoro, por este ruído letal que, quanto 
mais silencioso, mais me fere, mais me magoa e tortura.
Não existem tampões que façam calar este tom ultrassónico que me 
acossa o coração, nem lugar onde possa esconder a cabeça, procurando 
o silêncio duradouro do esquecimento.
Lateja ainda fortemente esse som que me arrepia a pele e causa 
uma agitação húmida na profundidade mais subtil de quem sou.
Não fui preparada para esta zoada ininterrupta, para esta arritmia 
constante ou para estas palpitações agitadas que pulsam ruidosamente 
dentro de mim.
Cala-te, por favor!

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Quantas manhãs? - ANA MENDES

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Ainda ensonada
A brisa levanta pela janela
O véu ou a cortina
Como de uma barca, a vela
Desliza um braço suavemente acordando calmamente ela
Sente o frio da manhã…
Quantas manhãs ainda?
Quantas noites sozinha?
Quantas luas se deitarão discretas
Quantos raios de sol voltarão
A visitar os seus minguantes quartos?
E a bailarina da caixa mágica
Dança a mesma valsa
A cada toque de corda ou de chave
Dedo ou vontade
De encher o ar de melodia ou movimento
Enquanto espera e pergunta
Ansiosa, removendo os lençóis
De branco algodão
Será que somente por amor batera seu coração?!
Quantas manhãs ainda?

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 6 de junho de 2023

Ontem morri-te nos braços - ANA ACTO

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Ontem morri-te nos braços
Dez, cem, mil vezes morri
Tantas, quantas vezes meu coração
Dentro deles bateu

Ontem, morri-te nos braços
Adentrei neles tão profundamente
Que me deixei cair num abismo sem retorno

E todas as minhas mortes,
Me soaram vazias
E todas as minhas vidas, inúteis...

Ontem, morri-te nos braços

E nunca nenhuma morte
Me pareceu tão doce

Meu Amor, e sei...
Que assim foi apenas
Por serem os teus!

E se alguma mágoa daqui levei
Foi de neles, não ter morrido antes...

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Intenso momento - ANA CAVA

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Era um sussurro oriundo de prazeres que não sabiam explicar.
Na pele ardia um misto de sal e intensidade de um ritmo
profundo, profano.
Reverberava por horas, segundos aquele instante. E ambos
ali, amantes de pouco tempo com sensação de mil anos.
Entrava pela janela uma brisa que em nada minimizava
o calor do ambiente. E os olhares cada vez mais intensos
buscavam cada centímetro dos corpos um do outro.
Dançaram...dançaram colados. Uma cena tão normal,
se não estivessem se sentindo únicos no Universo,
com sentimentos inexplicáveis e tão óbvios ao mesmo tempo.
Batidas na porta. Seria o vinho? Um aviso? Algo importante?
O que poderia ser mais importante do que aqueles corpos
que não se desgrudavam sedentos...
Outra batida. Não mais importante do que a mão que já não
respondia à maçaneta.
As mãos igualmente dançavam buscando mais
e mais descobertas.
Até que adormecessem como que apagados por uma energia
cúmplice
com apenas as pétalas de rosas por testemunhas. 

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Apeteces-me - AMÉRICA ROLDÃO

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Esta noite, apeteces-me!
Esse teu olhar melado, está a enlouquecer-me!
Essas tuas mãos fortes, perturbam-me!
Essas coxas debaixo das calças, fazem-me humedecer!
Apetece-me, desapertar teu cinto…
Abrir tua camisa e deslizar meu rosto, por aí!
Esse peito lindo, onde a luz estagnou…
Essas pernas firmes, que fazem inveja ao rochedo mais perfeito…
Deixam-me sem jeito, sem ar…
Deixa-me…
Amar-te!!

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Estava escrito nas estrelas - ALICE CUNHA

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Estava escrito nas estrelas
Que serias meu e eu tua
Só não estava escrito nelas
Que me levarias a ver a lua
Este amor tão intenso
Até parece irreal
Quando em ti penso
Viajo pelo mundo sideral
Os dois abraçados
Voamos pelo espaço
Como dois cavalos alados
Dançamos no mesmo compasso
Quando viajas, pelas curvas
Do meu corpo nu
Ficamos de mentes turvas
Entre gemidos eu e tu
Somos apenas um
Nossas almas são gémeas
Teus beijos calorosos
Deixam-me as pernas trémulas
Nossos corpos de tão suados
Ficam escorregadios e colados
E num êxtase sem fim
Soltamos o último gemido
Esqueço-me de mim
Porque te tenho comigo.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Sussurro do Vento - NEGRA LUZ

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Não pergunte sobre o meu silêncio,
Pois o vento quero ouvir.
Nesse mundo de cimento
O vento, em seu movimento,
Me aconselha a evoluir

A confirmação vem com Tempo.
Será hora de seguir?
Não há o exato momento.
Decida a seu contento
Fechar os olhos e partir.

EM - O LIVRO DE MAR E DE TEMPO - NEGRA LUZ - IN-FINITA

domingo, 4 de junho de 2023

Dúvida…! - AMÉLIA ROLDÃO

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Não sei se vou…
Ou se fico…
Nem tão pouco sei
Se parto ou deixo-me
Pelo tempo partir
Também não sei…
Porque razão a primavera
Enunciou-se indócil e insegura
Tão rebelde e impura…
Que fica difícil, eu ficar
E este vento sem rumo
Arranha-me a pele
Batendo bem forte…
Tão árduo de disciplinar
Indo embaraçado na aragem
Onde surgem histórias à tona
E uma tremenda saudade
De um passado assombrado
Amor completamente indomável
Uma teimosa vida insuportável
Que me afunda nas profundezas
Deste rio lento, cálido e sagaz
Onde ainda permaneço indecisa…
E sei que vou, com vontade de ficar
Mas vou na dúvida…

Dúvida…!

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O corpo - ALICE COELHO

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Lê
No meu corpo
Com os olhos a brilhar
Um poema de encantar
Escreve
No meu corpo
Com a ponta dos dedos
Poesia erótica sem medos
Alinhava cada curva afogueada
Em manhãs cobertas de geada
Degusta a pele que me cobre
Saboreia na língua e descobre
No teu tacto procura os recantos
No olfacto cheira-me os encantos
Lê
No meu corpo
E acorda num sorriso pela manhã
Se não foi ontem nem hoje
Que seja sempre num amanhã.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Solidariedade - THEREZINHA TAVARES

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Tolerância
Ficou em alta!
Desapego
Desprendimento
Deram lugar
Ao descaso...
Enfim
Crescemos
Espiritualmente...

EM - MEUS POEMAS - THEREZINHA TAVARES - IN-FINITA

sábado, 3 de junho de 2023

Careca - AMÉLIA ANTUNES

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Olhou-se e sussurrou ao espelho
Emoldurado por um tolo laço rosa
Quem dera, pensou, quem dera
que o amor crescesse como o cancro,
ainda mais,
que invadisse as células que há em mim
e que, por fim, pudesse dizer em liberdade,
vai-te bicho papão,
tomaste o meu corpo sem pedir
numa agressora invasão
mas, minha alma e meu coração
não são teus, nunca serão.

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Desejo - ALEXANDRA FERREIRA

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O aroma do desejo
Invade-lhe os sentidos.
Na contraluz,
Adivinha-lhe a boca gulosa,
Os seios fartos,
As coxas fortes.

Afaga-lhe as costas,
Cola-se à pele morna.
O beijo húmido
Cala-lhe o gemido.

Aconchega-se nela,
Com dureza,
Com rudeza,
Com tesão.
E ela abre-se,
Húmida de vontade,
Para receber bem fundo
O vigor que a preenche
E a transborda.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Sou luz e sombra - ALICE COELHO

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Sou luz e sombra
Entre uma e outra
Penumbra
Quase transição
Ou em meditação
Sou luz e sombra
Silêncio com frio
Vénus
Estrela da manhã
Brilho do amanhã
Sou luz e sombra
Poderosa e firme
Louca
Carta aberta
Sentido de alerta
Sou luz e sombra

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 1 de junho de 2023

A tempestade - ALEXANDRA FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Era um simples poema.
Nem precisava de rimar.
E ela fitava, há horas, a ameaçadora folha em branco,
Que não se deixava preencher,
Que sabotava as suas tentativas de escrita,
Que parecia comprazer-se em humilhá-la,
De dedo em riste, a apontar-lhe a falta de criatividade.
Tamborilou o lápis, bebeu um golinho de vinho.
Suspirou.
Na longínqua linha do horizonte,
O azul profundo do mar e o cinza plúmbeo do céu uniam-se.
Vagas alterosas quebravam-se nos rochedos,
Farrapos brancos de espuma redemoinhavam
Até pousar na areia
Coberta de paus,
Emaranhados de redes,
Restos de boias.
As gaivotas, ancoradas no paredão,
Eram emudecidas estátuas brancas.
Um clarão riscou os ares,
Um trovão ribombou.
Um poema nasceu.

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

Sedução - ANA ACTO

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Embebedo-me
Nas palavras que te leio
Que me deixam semilouca
Tanto, como quando tua boca
Se me apodera dos seios

Embriagada
Em tuas letras e escrita
Se me turvam os sentidos
Nessa prosa proibida
Que troco por gemidos

Ébria neste prazer
Que me consome e rouba-me a lucidez
Te peço que me seduzas
Escreve-me outra vez…

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Estranha - LÚCIA BOONSTRA

Livro gentilmente cedido pela autora

Estive tão distante
Procurando um amor
Pois perto já não encontrava,
Quem pudesse aplacar a dor:

Dor de estar só,
Dor de ser estranha.
Estranha no meu canto,
Estranha no meu pranto.

No distante vivi,
No distante descobri
Não ser estranha,
Mas que desilusão tamanha!
Amor, amor jamais senti!

EM - SOPRADOS DAS GAVETAS - LÚCIA BOONSTRA - EDIÇÃO DE AUTOR/IN-FINITA