Ó doce viuvinha em cujos olhos
A cor é rima ao céu e ao próprio mar,
À minha beira passas devagar
Sem reparar, absorta, nos escolhos...
Logo sob a escumilha, sob os folhos
Do vestuário negro, vou buscar
As linhas desse corpo de luar,
Envolto em crepes duros como abrolhos.
E eis senão quando, a minha fantasia
Em ti descobre a velha que algum dia
Há-de rogar má sorte às raparigas,
E aquela amante adormecida apenas
Que acorda e sente as suas formas plenas
E ensaia os ritmos das paixões antigas.
EM - POEMAS 1934-1961 - PEDRO HOMEM DE MELLO - ASSÍRIO & ALVIM
Sem comentários:
Enviar um comentário