Mar alto. A brisa leva docemente
A minha caravela. Há nevoeiro...
Falo às ondas, noviço marinheiro,
Num canto adormecido que lhes mente!
Atrás só vejo o mar e vejo em frente
O grande mar também: vogo ligeiro...
Tomo das águas movimento e cheiro,
Sou vaga entre as mais vagas na corrente,
E logo acima encontro o céu distante.
O firmamento une-se ao mar gigante
- Espelho onde se mira a Eternidade...
Sinto-me só, minúsculo momento;
Tenho por mim não sei que sentimento:
Misto de amor, de orgulho, de piedade...
EM - POEMAS 1934-1961 - PEDRO HOMEM DE MELLO - ASSÍRIO & ALVIM
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