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domingo, 14 de outubro de 2012

Das coisas que competem aos poetas - RUY BELO

Nas terras onde os sinos andam pelas ruas
há horas surdas sós e sem cuidados
há mar condicionado ao possível verão
e vendem-se manhãs e mães por três ideias
Nas terras onde a música é o fogo de artifício
a camioneta curva a carga sob os plátanos
e à sombra dos lacrimejantes carros
o gato dorme a trepadeira sobe
o soba grita nunca ninguém sabe
a erva cresce e as crianças morrem
O mar aceita chão a mão do sol
Que plural deplorável o da magna agência mogno
E nas tílias há riscos dos vestidos do retintas raparigas
e o dente resistente número quarenta cheira a pepsodent

EM -  TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM

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