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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Com letras de sangue - MANUEL ALEGRE

De súbito três tiros na memória.
Apagaram-se as luzes. Noite. Noite.
De súbito três tiros nas palavras
um poeta calou-se apagou-se a canção.

De súbito um poema foi bombardeado
um poeta fechou-se nas vogais
cercado por consoantes que talvez
caminhassem cantando para um verso.

Eram granadas? Eram sílabas de fogo?
E de súbito a guerra. Noite. Noite. E um poeta
escreveu no chão: porquê?
E eram as letras do seu próprio sangue.

EM - POESIA I - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE

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