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sábado, 31 de dezembro de 2011

Lacrimatória 46 - JAIME ROCHA

O homem lembra-se de antigas caçadas em que se
degolavam os animais com os dentes e as mulheres
corriam à frente dos cavalos até aos caniçais. Era
o tempo da tortura, da glorificação, das raposas. O
tempo em que as cobras invadiam os festins, assobiando
pelas mesas. Um marinheiro procura em vão a sua
casa nas terras dos Feaces após os naufrágios. Entra
pelo rio do inferno e em todos os lugares habitados por
monstros. É invencível apesar de desfeito pelo sal.
Quando surge na praia é como um barco
encostado a um pontão, petrificado pelos limos.
Como se um deus o tivesse transformado numa ilha
e nela habitasse uma jovem mulher, a grega, a das
vestes brilhantes.

EM - LACRIMATÓRIA - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA

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