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terça-feira, 8 de março de 2011

Oitavas da oficina - VASCO GRAÇA MOURA

canto o rebite, o cravo, a dobradiça,
a luz coada junto das limalhas,
o alicate, a grade onde se eriça
um animal de pregos e cisalhas.
canto a chapa dobrada ou inteiriça,
o rigor milimétrico das calhas.
canto a paz mineral deste recinto
da dura criação. no labirinto

habita o minotauro, o que devora
no mais fundo do antro materiais
que despedaça à serra e à tesourada
e agrega depois noutros sinais,
o monstro vagaroso que elabora
a dúctil lentidão dos seus metais
e nas formas que engendra tem ofício
de conjugar silêncio e desperdício.

EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL

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