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domingo, 14 de novembro de 2010

Hás-de ser velho* - FRANCISCO JOSÉ VIEGAS


Hás-de ser velho e nessa altura talvez não sofras
das dores de hoje; os males de amor cura-os o tempo,
a maledicência, os passeios pelos bosques a meio
da manhã. Aprende-se devagar a dominar

a tristeza. Nem lhe dás esse nome, quando excede
os teus dias e os transforma em tempestades.
Hás-de ser velho de todas as vezes que o tempo
te arrasta às fontes onde procuras o silêncio.

A margem dos lagos, por exemplo, é outra coisa
triste, a água assemelha-se a um deserto, pequenas
ondas iludem o seu torpor. Sentas-te num muro

sobre a praia, hás-de ser velho um dia, é o que pensas.
Hás-de ter a tua idade, o teu nome e a tua casa,
hás-de esquecer esse dia, silencioso, entre os dedos.

in... O puro e o impuro - FRANCISCO JOSÉ VIEGAS - Quasi

* Este poema não é titulado. Usei parte do 1º verso como titulo por questões logísticas 

1 comentário:

  1. Acho um Poema muito realista, á maneina do posicionamento da maioria do estar e do sentir português. É genial, porém eu não me defino assim: velhos são os trapos e serei sempre jovem enquanto estiver lúcida. Admirei esta análise do poeta.

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