terça-feira, 22 de outubro de 2024

Confia (excerto) - Desafinador de palavras

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Confia!…
Difícil?… Sim…, muito, muito difícil…
Mesmo quase impossível!
Mas, na luta!
A tentar confiar novamente em Deus…
A tentar confiar novamente na vida…
A tentar confiar novamente em mim…
Uma missão quase impossível!…

Mas que grande abalo, sofreu esta minha pequena fé.
Tão pequena como um grão de mostarda
Que por ser tão pequeno, quase não o vemos até.

Agora…, ainda mais pequena, que um grão de mostarda.
Será que esse grão vai morrer, antes de se transformar
Numa enorme planta quase sagrada?

Agora…, esta fé que não se vê, também não a sinto
Quando falo dela, até parece que minto.
Não se vê, mas eu sei que está lá…
Não a sinto, mas eu sei que está lá…
Eu sei que, quando falo dela, não minto.

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Escrita impulsiva - Ivo Álvares Furtado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Enquanto me lembrar
e puder escrever e descrever
o que me circunda e impressiona;
enquanto conseguir
registar as marcas vincadas
dos sulcos da vida;
…, escreverei de modo impulsivo,
porventura sem nexo,
num gesto faminto
de procura da verdade e da justiça,
promotoras da felicidade!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Quinta essência - Pedro Miguel Santos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Procuro a luz condensada,
em pura razão!
A quinta essência do tudo,
uma centelha do absoluto,
um vislumbre de divindade!
A explicação para,
o temor do futuro…
Uma essência que faça,
esquecer nigérrimo passado,
que me lembre do agora,
de quem eu sou!
A essência da esperança,
num presente com norte!
Quero a luz,
para minha consorte!

EM - APÓS A ATLÂNTIDA - PEDRO MIGUEL SANTOS - IN-FINITA

Chove sobre os nado-mortos - Vítor Fernandes

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Tens no ventre o filho que não nasceu
Um corpo morto que não sabe que não vai parir
Tu que ignoras que já és morta também

Chovem-te estilhaços no leito
e as verdes vestes onde o verde já esmoreceu
por mais que ao amor prestem preito,
tens no ventre o filho que não nasceu

Jazes de esperança inundada de morte
que a qualquer hora é dela a hora de vir
e ao chegar essa hora, cabe-te em sorte
um corpo morto que não vai parir

É assim em Gaza, é assim em Rafah
o esplendor da morte do filho e da mãe
que tu não saberás que nunca vai nascer
tu que ignoras que já és morta também

EM - LÁGRIMAS POR GAZA - COLETÂNEA - IN-FINITA

A Cruz de Madeira - JackMichel

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Uma voz baixa me falou ao ouvido:
a cruz de madeira! A princípio eu achei 
que era brincadeira. Mas quando abri 
os olhos, vi um loiro padre jesuíta 
rezando a prece mais bonita que já ouvi 
na minha vida!

EM - PETIT - JACKMICHEL - IN-FINITA

domingo, 20 de outubro de 2024

O bom e o mau - António Soares Ferreira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sou uma ilha paradisíaca, 
sou o holocausto do pós-guerra, 
sou o diabo à solta, 
sou uma flor que brota da terra, 
sou o vento que sopra uma brisa, 
sou a tempestade no mar alto, 
sou um eremita na sua vida calma, 
sou uma criança em constante sobressalto, 
sou a fome que prolifera em África, 
sou aquele que ganha milhões, 
sou o prato cheio de caviar, 
sou o povo que conta tostões, 
sou o sol que volta de manhã, 
sou uma jangada feita de pau, 
sou o universo com todos os seus defeitos, 
eu sou o bom, eu sou o mau…
…sou o sonho que voa nas asas do vento…

EM - PALAVRAS QUE VOS TRAGO - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Funéreo - Clotilde Sampaio

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Para o Poeta Jehová de Carvalho

Quando a dádiva é demais
Vem logo atrás o pior:
Só te pedi menor mais.
E me deste o mais, menor.
Acaso teria sido
Questão de mal-entendido?

Pois, não sei me expressar bem
Com RARIDADEs a quem
Dificilmente admiro:
Encabulo-me e adquiro
Complexos de submissa:
Descarrilho... Agito guisos!
Sem maldar que é movediça
A estranha areia onde piso.

Depois do retorno a mim
Comprovam-se os meus receios.
Pois resulta mesmo assim:
Uma atingida, outro alheio.
Já nos funerais do fim
Dos sem princípios, nem meios.

EM - A INFINITA CLÔ - CLOTILDE SAMPAIO - IN-FINITA

sábado, 19 de outubro de 2024

Éolo - Fátima Santos

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Sejas mortal ou imortal
Descendente de Zeus ou de Posídon
A Grécia é tua terra natal
E a arte de guardar ventos é teu dom
Da Odisseia foste personagem
Oferecendo proteção na viagem
De Ulisses para a sua terra amada
Mas os companheiros do herói
Numa incauta e vil cilada
Os ventos deixaram em debandada
E foi de tal ordem o desalinho
Que alienaram Ulisses do seu caminho.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Ilha do Beijo - Nicoleta Peceli

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Deixa-te ficar nesse ardor que no meu peito se aloja.
Enquanto sentir esse calor o vazio não se apodera da minha alma.
Há ainda uma história por contar nesse veloz escoar do nosso desejo.
Sabes bem que me podes encontrar nas memórias da “Ilha do Beijo”.
Talvez a minha paixão seja o meu fracasso,
Talvez sejas para sempre um delírio ofuscado pelos fantasmas do passado,
Nesse mesmo passado onde eu te encontrei.
Meu amor, deixa-te pecar e demora-te no meu ventre,
Para que, lentamente, os dois continuemos a desvendar os segredos
da “Ilha do Beijo”.
Cerro os olhos recusando aceitar a realidade, teimando buscar um conforto
ilusório.
O silêncio aflige-me. Há nos meus versos uma falsa paz.
Hum… a mim não me engano.
A distorção da realidade talvez seja o que mais de mim exijo.
Será que nunca me conseguirei libertar desse teu desejo?
Talvez tu venhas validar a imortalidade de um amor na “Ilha do Beijo”.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Amanhecer de amor (excerto) - Lídia Palminha

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Não se trata de abrir os olhos
e correr para um novo dia,
trata-se de sorrir para a nova oportunidade
e de agradecer com toda a força do coração;

não se trata de um simples acordar
num momento ou num lugar onde pode nem existir sentido,
trata-se do encontrar em cada momento
uma nova lição, um novo traçado, uma nova motivação;

não se trata apenas de levantar da cama
desejando, nela voltar a cair,
trata-se de sentir a vida no âmago
e nela, encontrar o próprio lugar;

não se trata das sensações que vivas, estão moribundas
nem tão pouco da dor atroz,
trata-se de aproveitar o fogo do novo amanhecer
e de todos os estádios que o dia naturalmente tem para ofertar;

não se trata de cocriar o que não se consegue
o que só por si, é-te inatingível,
trata-se de dar pequenos passos
e em cada um, sentir a sua fragilidade e a sua fortaleza;

não se trata de tempo nem de espaço
nem tão pouco de ser-se o que de facto, não se é,
trata-se da conexão com o silêncio
e sentir a fértil vida que novamente e incansavelmente, desperta;
...

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Que chama é esta que se levanta - Sílvia Henriques

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Que chama é esta que se levanta
na alma que é lugar que desconhece
o firmamento pelo qual se encanta
num abraço que liberta e amanhece.

Que vento é este que se levanta
no coração cansado que conhece
as tempestades que a saudade canta
quando a dor é noite que desfalece.

É um querer dar sempre por vontade
e ter no coração somente ardor
feito de maravilha e raridade.

E, além da inconstância e destemor,
batem os corações pela verdade
de conhecer as instâncias do Amor.

EM - COUSA AMADA - COLETÂNEA - IN-FINITA

Discernimento (excerto) - Desafinador de palavras

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Discernir os teus sentimentos
Foi a tarefa mais difícil que eu já tive de fazer
De tudo o que já fiz na vida
Foi o enigma mais difícil, que tentei resolver

Perceber o que queres dizer?
O que queres fazer?
Entender para onde queres ir?
Até onde queres vir?
É muito complicado de entender
Mesmo que me esforce, não te consigo perceber

Não basta dizer que se ama
Para se querer amar
Não basta dizer «quero-te»
Para se querer aceitar

As tuas palavras não são claras
Não me conseguem elucidar
Ficam sempre a meio caminho… entre…
O amar… o querer… e o desejar…

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Incursão poética - Ivo Álvares Furtado

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À procura de uma realidade,
quiçá de uma ilusão;
um sentimento forte,
premente e permanente;
um desiderato em vista, latente;
um impulso de escrita
que lhe é subjacente;
a vontade de prosseguir
com a vida em frente;
o desejo de fazer,
o que a mesma vida
ainda nos reserva,
sempre presente
e concretizada,
nesta incursão.

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Porventura - Pedro Miguel Santos

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Porventura, beber um copo é bebedeira?
Quero socializar até me embriagar!
Pode ser que seja, reflexo de vícios outros,
que se escondem nas profundezas de cada um.
Hoje bebo café, na esperança de solitário proveito,
de nocturna vigília...
É um vício estar acordado!
Quando durmo, não estarei eu a sonhar, em estar acordado!?
Porventura, ter esta vida será ela pecado?
De pensador desterrado, de provincianos hábitos,
que não se identifica com o viver da província?!
Que porventura, adormece acordado à espera de um
Sonho, como se tivesse despertado...

EM - APÓS A ATLÂNTIDA - PEDRO MIGUEL SANTOS - IN-FINITA

Desfolhando o adeus - Susana Veiga Branco

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A mente nublada
Comandando
Exigindo

E ti?
Que resta de ti hoje?

O mistério da ocasião
Distraindo o esguio repouso

Profundo e intrincado
Uivei e acreditei

Confiança oblíqua
Destemido ir

Omisso
Descemos as escadas
Compomos um conto novo

Explorando o amanhã
Cerrando o drama...

EM - LÁGRIMAS POR GAZA - COLETÂNEA - IN-FINITA

Joselito - JackMichel

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Ante um sepulcro aberto que 
expendia forte luz branca um negro 
liberto contou-me do escravo Joselito 
que morrera de maus tratos; mas 
apontando para a tumba disse que isso 
se passara no Brasil Império, e agora, 
o pobrezinho estava livre de qualquer 
vitupério!

EM - PETIT - JACKMICHEL - IN-FINITA

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Saudade - António Soares Ferreira

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Cansado desta vida atribulada, 
cansado de fazer e nada ter, 
fazer de cada dia uma jornada, 
jornada em cada dia de sofrer. 

Sofrer desta maneira em cada dia, 
dia após dia a labutar, 
labutar com esmero o que fazia 
para mais tarde para casa voltar 

Voltar pra quê se já ninguém me espera, 
pra uma casa vazia onde a saudade, 
reina em casa e como por quimera 
levou contigo a minha felicidade, 

cansado e triste por sentir ainda 
saudades desses tempos de outrora 
saudades por sentir em cada dia 
não deixar de sentir saudade a toda a hora. 

O tempo vai passando lentamente, 
o mesmo tempo que apaga a saudade 
e um dia já não sabe o que a gente 
sente só espera ter um dia de felicidade

EM - PALAVRAS QUE VOS TRAGO - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Poema do poema - Clotilde Sampaio

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Para Mins Mesmas

Nem sei sobre o quê... aqueles
Poemas que li em sonhos
Sociais, reais, vertiam...
E era lê-los e secá-los.
Achei um... demais esplêndido
Bem ao molde do que eu gosto.
Me levou para o infinito:
Do mais misterioso abismo
Me elevou para as alturas
Daquele Céu que é o mais alto
Leve, limpo e livre Céu.

Acordo... e não me recordo
Dos detalhes da Beleza
Cuja essência impregnou
Minha consciente inconsciência
Com a qual este poema
Vem do poema do poema
Que eu li no sonho que tive
Mas não sei de quem seria:
Se de alguém desconhecido (?),
De mim mesma (?), ou... da Poesia (?).

EM - A INFINITA CLÔ - CLOTILDE SAMPAIO - IN-FINITA