segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Hoje sou! - Maria Cabana

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Hoje sou um poema declamado 
Em cada letra de esperança 
Sou um beijo murmurado 
No sonho de qualquer criança! 

Sou uma mulher de útero 
Que pariu e foi parido 
Sou um caminho adulto 
Que perdeu o seu sentido! 

Sou uma só nesga de luz 
Que trespassa a tempestade! 
 Quando estou em contraluz 
Sou um abraço de saudade! 

Sou uma viagem de metro 
Onde escrevo este poema! 
 Faço do meu longe perto 
E de que tudo vale a pena!

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Aspiração do Choro - Alan Dornales

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O Desfalecimento do choro
Oprimido e sem consolo
Na espera da abertura da janela
Do canto
De esquina
Conflitos, grafite
Estrela cadente sem brilho
Faca nos dentes
Volta o tempo, transforma o incidente
O salto do Alto
O castelo de vento
A Fortaleza que nos prende e liberta o segundo desejo
do choro outra vez

EM - GRITO ANÔNIMO SILENCIOSO - ALAN DORNALES - IN-FINITA

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Viva a Primavera - Teresa Carrapato Moleiro

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Vivam as flores brancas e
de todas as cores!
Vivam as aves do céu!
Vivam os campos silvestres!
Viva o sol dourado no horizonte!
Viva o arco-íris da esperança!

Num dia de calmaria
fui ao monte apanhar
uma braçada de lírios
p´ra do meu pensamento
qualquer tipo de tragédia afastar.

O meu pensar andava pesaroso!
- trago à mente um episódio insólito,
as minhas mãos tremem
em movimentos frenéticos -
A roda gigante não é, jamais,
o que eu procurava,
o que eu esperava…!
o que eu desejava.
Cansei de tanta amargura,
da desesperança.
Só a Primavera para me rejubilar!

Com fervor e amor no coração
roguei ao Altíssimo para impedir-me
de sofrer mais desventuras...!
Dentro de mim,
dentro do meu peito,
guardei o aroma primaveril
e, com os olhos calmos em êxtase,
gravei na alma
a beleza esplendorosa
dos lírios brancos!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Bons amigos - Antónia Balsinha

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Um bom amigo é alguém
Que vale pela amizade
Ao longo de muitos anos
Convivendo com verdade

Recordamos os amigos
E com eles convivendo
Durante imensos anos
Também no seu sofrimento

Muitos deles já partiram
Outros vivem santidade
Renovando a igreja
Seguindo pela verdade

Santidade dos escritos
Narrada plos evangelhos
Deram o seu testemunho
Hoje são amigos velhos

Na paz praticaram o bem
Foram cúmplices de Jesus
Com pobres abandonados
Receberam dele a luz

Anunciando aos pobres
Evangelho no concreto
Na sombra, Senhor protegeu
Caminhada do deserto

Hoje velhos e cansados
São amigos do coração
Por África caminharam
Cumprindo a sua missão

EM - A POESIA CORRE MUNDO - ANTÓNIA BALSINHA - IN-FINITA

Recordação - Andreia Sofia Vale

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Quando penso no passado,
e vejo o que sofri,
Meu coração está magoado
porque está longe de ti.
Não haverá jamais o reencontro
foi uma paixão de verão,
Que eu ainda escondo
Bem no fundo do meu coração.

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Lançando novidades - Susana Veiga Branco

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Estendendo um azul cálido
Criando um pretérito pouco imperfeito

Numa simulação de cheiro a terra molhada
Numa respiração de arco-íris

Criando
Usufruindo
Desconstruindo

Escrevendo em ondas de letras quebradiças
Sobre um vento agitador

Na coletânea do pecado
A infração abstrata

Na mensagem o paradigma do livro fechado
E no observar a teia do infinito interrogar...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Louvor - Sílvia Silva

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Se todas as mulheres fossem alvo de Louvor
Em magnitude maior de que o são de violência
Teríamos mais canteiros brotando com alegria
Porque a violência é sinónimo de pequenez
E o Amor chega sempre longe
Faz milagres
E faz despertar a essência
Seja p’lo amor próprio
Seja p’lo amor pelo próximo.
Louvor, te quero p’ra sempre
Louvor... que relembre!

EM - SÍLVIA SILVA - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Desfiar e tecer - Marilena de Castro

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desfiar e tecer
tecer e desfiar
a mesma fantasia
dias e noites até que os ventos tragam os elos
que me ligam a você,
palhaço
mesmo não saído da minha vagina

EM - ESTÓRIAS RASGADAS - MARILENA DE CASTRO - IN-FINITA

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

sem rumo - Sara Timóteo

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sem rumo
na convergência dos gestos
esboçados por retratos de mim,
estabeleço fronteiras
e sinto-me despojada
do supérfluo no atlântico
devir dos sonhos

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Urgência - Rita Mendes

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Há urgência na sílaba;
Há urgência no verbo;
Há urgência no poema;
Porque o canto tem que ser aberto,
Escovada a poeira que se esconde nas entrelinhas,
Suavizadas as páginas de uma rima,
Para que se possa erguer como bandeira
No fascínio rendido da palavra
Como árvore parida no oculto
E o poema fosse o seu último reduto!

É urgente esquecer a dor;
É urgente retomar o amor,
Abrir as pernas e escancarar as vozes
Para que o verso nasça!
É urgente relembrar o toque,
É urgente olhar de novo,
Suspirar por inteiro como um povo
Para que a alma cante!

É urgente que os poetas não morram!
É urgente que os livros não se percam!
É urgente que as diferenças se esqueçam
E que a métrica seja livre!

É urgente encontrar o outro nessa urgência!!!!!!

EM - PALAVRAS QUE FAZEM A DIFERENÇA - COLECTÂNEA GERÁBRIGA - IN-FINITA

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Nada - Sandra Isabel Mota

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Não estás contente?
Questionas?
Tudo e nada …
Nada é suficiente
Porque a resposta
Não vem
E o tudo de nada serve ..
Perante o Bem …

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Efemeridades nos jardins - Eli Coelho

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Podas e pulgões são uma constante no jardim,
Cada uma com sua especificidade...
Eu amo sol...
Eu amo sombra...
Eu amo umidade...
Eu detesto umidade...
Já tive pomar,
Laranjeiras, mangueiras, goiabeiras, bananeiras,
Já tive trepadeiras, pinheiras,
Já tive roseiras, lírios, boldos, alecrins,
Já tive margaridas, marias, canavieiras,
Já tive jasmins, losnas, ora-pro-nóbis,
Saias-brancas, damas-da-noite,
Já tive ipês de várias cores,
Paus-Brasis ou paus-de-Pernambuco,
Seriguela, jamelão,
Cocos Macaúba,
Hoje tenho hibiscos,
e Aloe Vera,
tudo esta no jardim, junto ao gramado...
tudo bem tratado...
muito bem regado...
a Flor-de-maio e o mamoeiro também...
o teor mais importante de um jardim...
não é só o sol e o adubo,
é antes de tudo a dose diária de um item essencial:
Palavras Ricas de Amor.

EM - ENTRE ROSAS, TUIUIÚS E BONECAS DE MILHO - ELI COELHO, MARCOS COELHO, MARIA ALIENDER - IN-FINITA

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Ósculo - Sueli Abreu Guimarães

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Falar no silêncio
Dialogar com o vazio
Entender o instante
Calar sem ser frio
Rimar no inconstante
Marejar olhos em rio
Quedar transbordante
Sentir o céu anil

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Emigrante - Maria Cabana

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Ser migrante ou emigrante, 
Somos todos deslocados. 
Somos todos a mesma gente, 
De belos rostos suados. 

O sonho nos fez partir, 
Talvez a fome obrigasse 
Não fomos nós a sorrir, 
Ficou cá quem muito chorasse! 

Emigrante teu coração, 
Chora pelo teu país. 
És irmão do teu irmão, 
Filho da tua raiz. 

Voltas sempre ao teu berço, 
Com orgulho de emigrante. 
Rezas as contas do terço, 
Abraçando toda a gente. 

Tu e eu emigrante, 
Língua de pais e avós. 
És filho de povo valente, 
Jamais desfazes teus nós

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Mouco - Alan Dornales

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O abrigo do som
Meus ouvidos sem audição
Inconstante abismo abandonado
Assovios afinados
Lamentos solitários
Sereno toque pausado
Aviso mortal
forca
Alagamento de sorrisos
o retorno da noite cansada

EM - GRITO ANÔNIMO SILENCIOSO - ALAN DORNALES - IN-FINITA

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Angústia - Silvana Abreu Guimarães

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Inesperada, surge de repente.
Chega, abraça,
Torna-se imponente.
Balança, abala,
Silenciosa acampa.
Difícil dizer
O momento exato que há de aparecer.
Vezes, visita rápida,
Vezes, morada imensa.
Muda todo um cenário
Faz da luz, escuridão,
Da canção, silêncio.
Tira da vida o movimento,
Provoca conflito.
Destroça.
E assim como surgiu,
Subitamente vai embora.

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Bonecas - Antónia Balsinha

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Brincar com as bonecas
Traz vida às crianças
Pensamentos emoções
E muitas esperanças

Percepciona outros
Teoria da mente
Vantagens da prática
Que a mente consente

Criança desenvolve
Seu imaginário
Entre 4 e 8
É um dever prático

Brincar forma hábitos
Com jogos criativos
Percorrendo na vida
Com jogos divertidos

Crianças e bonecas
São duas personagens
Inseridas no tempo
Que seguem em viagens

Falam uma com a outra
Alargam conversação
Nenhuma delas muda
A sua opinião

Meninas criativas
Com suas brincadeiras
Com bonecas bonitas
Sentadas nas cadeiras

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Amizade - Andreia Sofia Vale

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Porque me obrigas,
O meu pensar à reflexão!
com tantas amigas,
e nenhuma me dá uma compreensão,
para conseguir definir
novamente a tua vinda,
Talvez mesmo te possuir.
Será que te amo ainda?
É amor e mais amor,
Que se ama com muita dor!

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Maldições Vigentes - Ryan Alexandrino

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E se o canto do pássaro for
de dentro da gaiola, um pedido de socorro
da mentira do orgulho, e do medo do futuro
sou da noite e vim do morro, das vielas e escadões
por isso conheço a dor, presente em nossos corações.

A pátria tão amada, não recíproco, é evidente
lágrima no rosto de tanta gente, gente nossa, gente sofrida
de uma terra esquecida, que exala cor e vida
em cada gota de suor
e a velha maldição da dor, que traz de nós, o pior.

Desilusões precisas, contidas em enganações
raiva acumulada, move o sofrer de multidões
sonhando com o inexistente pódio
que odeiam viver da mágoa
da velha maldição do ódio.

E a muito tempo atrás, plantaram aqui hipocrisia
fruto forte e doloroso, sorte que Deus me fez teimoso
rebelde e resistente, nessa terra plantei semente
flor de qualquer coisa decente
que batizei de amor
que reverta o mal, das maldições vigentes
e com elas todo rancor.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Amigos precisam-se - Sílvia Silva

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Chama-se pelas pessoas que torcem por nós, verdadeiramente...
aqueles que não invejam as nossas posses,
que não cobiçam qualquer aspecto nosso e que não sabotam
os planos.
Aqueles que te deixam descansar, que são poiso,
que são luz e aura reparadora.
É tão difícil discernir entre o ouro e o latão...
Amigos precisamos de ser...
Amigos precisam-se...

EM - SÍLVIA SILVA - ANTOLOGIA - IN-FINITA