segunda-feira, 12 de maio de 2025

Tempestade - António Soares Ferreira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Tempestade no mar alto
Tempestade no deserto
Tempestade no planalto
Num tempo cada vez mais incerto.

Opinião aqui, opinião ali
Decisão aqui, decisão acolá
Ninguém se entende nesta trapalhada
Nem Jesus, nem Buda, nem Iemanjá.

E com tanta tempestade
A acontecer dia após dia
Nem rezas, nem mézinhas
Já nem nos pode valer Maria

Mas não há tempestade que sempre dure
E lá diz o povo “depois da tempestade vem a bonança”
E o povo é sábio e se o diz não se duvide
Pode ser que ainda haja alguma esperança

EM - NUM MAR DE PALAVRAS - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Equilíbrios - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Por vezes nesta vida
as travessias são desafios
e a caminhada destemida
é de difíceis equilíbrios,

o sucesso quando atingível
faz do equilíbrio eminente,
como a queda é tão previsível
quando não se é prudente,

tal como um símio exímio
saltando de liana em liana
vamos de desafio a desafio,

esta vida é uma gincana
tantas vezes em desvario,
não é uma linha plana.

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

domingo, 11 de maio de 2025

Encontra-me (excerto) - Teresa Carrapato Moleiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Esperei por ti
Perdi o norte
Já não sei se é dia ou se é noite
A tua ausência queima-me por dentro
Arrepia-me a espinha
Por onde andas…?

Volta, meu amor!
O universo um ano novo pariu
O dia despontou
Nas ruas há festejos
Fogo de artifício
Espetáculos de som e luzes a dançar
Pessoas a celebrar!
Risos, abraços sentidos
Afagos no sedoso cabelo das musas
Reconciliação à vista…
Não importa o passado
Viver o momento esperado.

EM - COUSA AMADA 2 - COLETÂNEA - IN-FINITA

Oh grande mar - Fernando Vasconcelos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Oh grande mar
que me encantas...!
Tu que és livre e vadio,
vigoroso é teu caudal...
não te insurjas
com tuas espadas revoltas,
contra quem lança as redes,
na apanha de sustento...
Para que seus filhos
não andem descalços, nem famintos...!
continuem brincando,
soltos... no baldio...

EM - VERSOS E DESABAFOS - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

sábado, 10 de maio de 2025

Colírio - Desafinador de palavras

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ponho colírio nos meus olhos
Para esconder o vermelho das minhas lágrimas
Tento fingir, que apenas estou a chorar
Porque o vento me bateu na cara.
Rio-me para disfarçar com cores
O negro da minha alma
Mascaro-me de palhaço rico
Para não mostrar, a minha mágoa.
Escrevo… fujo… escondo-me…
Fico no meu quarto escuro
Não quero falar, não quero ver ninguém
Apenas a minha cama é um porto seguro.
Escrevo… fujo… escondo-me…
Olho para as estrelas do teto do meu quarto
Tento dar a mão, tocar num anjo
Em pensamento, digo que te amo… e parto…
Escrevo… fujo… escondo-me…
Ponho colírio nos meus olhos
Para esconder o vermelho… das minhas lágrimas…

EM - PAIXÃO - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Desafie a fragilidade dos ventos! - Elizabete Nascimento

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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A vida, talvez, seja um plágio.
Perdi tempo em ajustes de atitudes.
Hoje, já não justifico mais.
Quer ir, vá!
Se precisar de ajustes,
tomo distância.
Eu sou plágio:
de Rio,
de Sol,
de Lua,
de Mar.
Transbordante!
Altamente contagiosa.
É no não lugar
que quero estar,
que me procuro,
que me encontro,
que me perco.
No desejo latente
que continuo sendo...
incógnita e protegida.
No meu instável lugar,
aqui, onde nem as palavras
podem estar e, não estando,
fazem-me ser, muitas.

Exército de liberdades,
A compor experimentos de devaneios.

EM - IMPÉRIO - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Lisboa, Alfama - Fátima Santos

CATÁLOGO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Este bairro de Lisboa é testemunho do passado mourisco da cidade, um emaranhado de vielas
onde ressoam as melodias do fado.

Alfama de almas bairristas
Poetas, guitarristas e fadistas
Embrenho-me nas tuas vielas
Nos estendais os lençois são velas
Que ao sol e ao vento
Levam meu pensamento
Sobre o passado de tormento
De um povo que navegou
E tantas vezes naufragou
Em busca de glórias
De troféus e vitórias.

Nas tascas ouve-se a viola
A voz da fadista e do mariola
A gargalhada do parodista
A história do alquimista
As badaladas dolentes do sino
E meu coração em desatino.

EM - RECORTES DE PAPEL - CLAUDE YERSIN - IN-FINITA

Ártemis - Adélio Amaro

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Deténs o sortilégio que enfeitiça a lua…
Tenho saudades nossas, tuas, do teu cheiro,
Da casa branca, do arvoredo soalheiro,
Do devaneio, da terra selvagem, nua…

És filha de Leto e Zeus soberano, amante,
Com coração gemelgo de Apolo a gritar.
Na virgindade azul que te faz levitar
Sei que não arfarias a flecha trespassante.

Semeias a luz do teu pranto e o arco letal,
Na tua mão, dá eternidade ao encanto.
Ressinto o cheiro a terra do teu manto, belo…

Tua castidade, cravada no portal
Das sessenta ninfas mergulhadas no pranto,
Trazem saudades do teu doirado cabelo…

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA 

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Ser alado - António Soares Ferreira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Já não voam sonhos
Nos braços do vento
São tempos medonhos
De fúria e tormento

Já não mora a esperança
Dentro de cada peito
Ficando como herança
Um coração desfeito

Qual ser alado
Que queria voar
Já não restam sonhos
Nem razão para sonhar

De guerra em guerra
De pandemia em pandemia
A humanidade enterra
Com enganadora polissemia

E jazem agora
Mártires aos molhos
E em cada canto
Se fecham os olhos

EM - NUM MAR DE PALAVRAS - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Silêncio - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Por todos os poemas por nós escritos,
pelos que ficaram por acabar
e por todos os que tínhamos ainda por
escrever...
... a Poesia pede-me Silêncio!

Ficou por acabar o derradeiro poema...
... partiste antes e sem avisar.

Ficou o vazio de nós!

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

terça-feira, 6 de maio de 2025

Quinhentos anos de Luís Vaz de Camões - Tiló Henriques

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Camões e suas grandes obras hoje celebradas
dez de Junho mar de poemas te homenageia
quinhentos anos em palavras assinaladas
inesquecível tua imortal e indizível epopeia…

Comemoramos Camões quantas aventuras
quantas terríveis guerras esforçadas
traições segredos perigos e rios de agruras
com as próprias naus no mar despedaçadas…

Mais do que foi a tua heroica força humana
a nado salvaste os Lusíadas que escreveste
e cantaste um verdadeiro Canto de Hossana

A glória de um passado sofrido mas glorioso
um pequeno grande Portugal se tornou ditoso
que o orgulho e a gratidão sempre nos reste!

EM - COUSA AMADA 2 - COLETÂNEA - IN-FINITA

Oh mar - Fernando Vasconcelos

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Oh mar imenso, terno e bravio
Quantas vidas tu levas,
Quando irradias a tua fúria
Sofrimento, penitência, de díspares almas
És inspiração segura e alva
No amanhecer do almejado poema
De marinheiros iluminados em sua demanda
Alentando a quem está triste
Lamentando suas mágoas

EM - VERSOS E DESABAFOS - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Brisa do mar (excerto) - Desafinador de palavras

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Olho para ti, com olhos de ver
E vejo o teu sentir, o teu respirar
A tua forma de viver
As tuas linhas arredondadas femininas
A tua forma de andar
Até reparo na maneira louca e inconsciente
Como costumas amar…
Toco em ti, com o meu toque de tocar
Tateio destinos, encobertos no teu corpo
Descubro sítios que até hoje, eram apenas sonhos
Praias escondidas, ainda virgens
Criadas pelo mar, mas inacabadas
Que me pedem para me despir, ficar livre, puro, límpido
Que me pedem serenamente para serem exploradas…
E eu, como índio nativo do teu corpo e da tua alma
Deixo-me ir, pelas águas límpidas de um riacho
Onde diariamente, partes íntimas do teu corpo são lavadas…

EM - PAIXÃO - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

domingo, 4 de maio de 2025

Proteja o teu abrigo! - Elizabete Nascimento

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Raízes são movediças.
Nelas, o silêncio grita,
como em noite de tempestade.
Raios de luz atravessam a escuridão,
fazem balançar as copas das árvores.
Focos e focos de fogo,
iluminam-me!
Sinto que o mal,
por mais profundo que seja,
não consegue alcançar as minhas raízes.
Elas movimentam-se,
como rizomas a sustentar a carne do corpo.
Cicatrizes regeneram como heras em ruína,
anunciam que não há distância
entre as raízes e o céu.
Elas atacam sem arma,
os parasitas que ameaçam
derrubar suas paredes.
No abraço das radículas,
o inimigo não consegue suportar,
ao ver impresso no adubo,
a potência do DNA,
com o nome amedrontador
que se chama liberdade.
Não se eleva ao céu, quem não sabe,
a dimensão e a qualidade do chão,
onde estão fincadas as próprias raízes.

EM - IMPÉRIO - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

sábado, 3 de maio de 2025

Lisboa, Alfama, R. das Escolas Gerais - Fátima Santos

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Alfama de trovadores e doutores
Alfama de estudantes e seus amores
Alfama de passado rico e de histórias
Dos estudos gerais e as memórias
Do rei D. Dinis semeador de sonhos
Jacarandás floridos do conhecimento
Ascensor do alimento e do sentimento
Cantado em becos e ruelas singelas
Em pátios e escadarias onde a solidão
Era também o doce abraço e a ilusão.

EM - RECORTES DE PAPEL - CLAUDE YERSIN - IN-FINITA

Afrodite - Adélio Amaro

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Filha da divindade, perdi-te no mar,
Embrulhada no véu do teu fecundo corpo.
Em mim apartou a pulcritude do teu sopro
que espumou o cerúlo céu no fulvo areal.

Adeus, especiosidade encantadora.
Hefesto expeliu dores inquietantes
e teus olhos laçaram Aires, dois amantes,
no passamento de uma vida dobadora.

Zeus, não me lances ao cortejo cipreste.
Deixa-nos na fulva alma dos nobres sentidos,
no travesso rio com seduzida margem.

Não me leves a maçã sagrada, celeste,
que tanta vez nos libertou da dor, perdidos
no amor meditado, consagrado e selvagem.

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Flôr bela - António Soares Ferreira

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Ser poeta é ser uma flor
Bela de onde brota amor
Com seu perfume alado
Que voa para todo o lado.

Rosa, malmequer ou jasmim
Todo o perfume que sai de mim
Voa para lá de qualquer monte
E vai pousar na tua fronte.

É a sina de um pobre poeta
Que vive com a alma liberta
Mesmo se é pisada a flor.

O perfume sempre estará presente
E resplandecerá intensamente
Numa “Florbela” de amor.

EM - NUM MAR DE PALAVRAS - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

A lua vai alta - Celso Cordeiro

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A Lua vai alta e tão bela…
… assim vai ela, vista da minha janela.

Carrega sonhos de muitos anos,
carrega angústias e desenganos,
e até confissões de alguns danos
por actos meus, talvez insanos…

mas continua a saber escutar
tantos gritos que teimo em calar,
como teima em me alimentar
esta constante necessidade de amar.

A Lua vai alta e tão bela…
… assim vai ela, vista da minha janela.

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Um sonho com uma linda donzela - Maria Felisbela Reis Paulo

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Um jovem encontra a donzela com quem sonhou
E logo envergonhado lhe perguntou
Se seria de muito embaraço
Que ele lhe desse o braço

A donzela muito bonita e gentil
Por ele ficou muito apaixonada
Mas como desconhecido
Ela fez-se muito rogada.

Seguiu ela o seu caminho
Ele a ficou a atormentado
Pensado que talvez
Tenha sido indelicado.

Que grande desilusão
Não ser aceite o carinho desejado
Aquela encantadora donzela
Era causa do amor
Por ele muito desejado!

EM - COUSA AMADA 2 - COLETÂNEA - IN-FINITA

Passageiro é o sopro da vida - Fernando Vasconcelos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Passageiro é o sopro da vida
Ligeiro, suave e monótono
Temperado, destemperado
Há que viver nossa vida!
Atingir uma nota afinada
De emoções em Dó maior!
Porque o tempo passa
Viajando numa clave
De vento sonante!
Sem dar tempo à pergunta
De quanto mais tempo
Nos resta, para sorrir
E chorar...

EM - VERSOS E DESABAFOS - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA