quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Árvore vitral - Inês Caeiro

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Não tinha placas.
Na penumbra das folhas
colhi os frutos.

Sonhei mais alto
do que a queda.

Olhei os pássaros
do horizonte

Afinal os sonhos caídos
eram anjos caídos
em viagem.
Enviei-lhes um beijo
de boa sorte.
(voa sorte)

Não podemos ir a algum lado
E a todo o lugar.
É preciso escolher
o lugar, ao sol.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Abençoado dia (visita Angelical) - Lídia Palminha

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Hoje recebi a luz mais elevada,
veio dizer-me que estou amparada
fez-me sentir a sua companhia,
disse-me estar comigo, noite e dia.

Hoje fui abençoada,
sentir que não há porta alguma fechada
fez-me perceber que há uma existência que sempre me irá acolher
disse-me que somente tenho que O receber.

Hoje recebi a maior prova de amor,
na luz que me rodeou em fogo, um suave calor
fez-me experimentar a verdadeira paz
disse-me que não há limites, que de tudo sou capaz.

Hoje fui louvada,
não porque fui escolhida, mas aprovada
fez-me sentir a elevação
disse-me que habita no meu coração.

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Chapada Diamantina - Lísias Azevedo

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Na vastidão da Chapada, vozes ressoam,
Onde o tempo gravou marcas que registram a dor.
Jagunços, Cangaceiros, sombras na serra,
Sertanistas desbravaram essa terra.

Nos vales sombrios, frias madrugadas,
Buscavam riquezas, jornadas traçadas.
Indígenas calados, chão profanado,
Sob pedras, seu grito foi silenciado.

Coronéis erguiam poder com terror,
Diamantes brilhavam, promessa e ardor.
Garimpeiros seguiam trilhas fatais,
Mas o ouro cobrava seus altos finais.

Escravos curvados, fardo sem fim,
Nas fazendas sofriam em um destino ruim.
A Chapada, testemunha de tanta agonia,
Guardou as memórias da dor e euforia.

Hoje, nas trilhas, o vento é brando,
A natureza floresce, e o presente é amparo.
Chapada, teu passado persiste no chão,
Mas o futuro renasce em nova canção.

Montanhas e vales, tua história assim:
Força e beleza, encanto sem fim.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Rumo da Vida - Ivo Álvares Furtado

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A vida segue o seu rumo,
imparável e implacável,
na despedida;
segue depressa
e atrevida,
despida de preconceitos,
altiva.

É preciso saber ler
as “pontas soltas”,
quais sinais de orientação,
do caminho certo
que queremos
para a nossa vida…;
e seguir em frente,
com o nosso projeto,
de vida!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Gratidão em cada estação (excerto) - Juraci Cruz

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Minha vida não foi sempre sol
Quantas tempestades já me ameaçaram
Quantos outonos, com as folhas caindo
Aprendi com cada estação.

Se está tudo florido, sinto o perfume, ofereço um buquê
Na chuva, me banho, sinto cada gota, danço
Quando as folhas caem, faço um tapete.
Aproveito o filete de sol na fresta da vida,
Faço uma tocha, ilumino a vereda estreita e sigo
Sei que logo ali, a luz será plena
Depois da curva, o sol vai brilhar inteiro

Trilhei penhascos, corri riscos
Sobre o meu rosto suportei chuviscos
Meus pés, descalços superaram percalços
Foram machucados no aprendizado
Foram sarados a cada mão que se estendeu
...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Dia 8 - Joaquim Paulo Silva

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As gaivotas
Moram agora
nas ruas
abandonadas
quase nuas.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Franklin Quadras (O amor ficou contigo) - Fernando Silva

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Passámos noites perdidas
Ao encontro desse amor

Falámos das nossas vidas
Entre desprezo e a dor

Nos caminhos d’aventura
Rezam preces a teu lado

Falámos da amargura
Do nosso tempo passado

O tempo ficou comigo
Contigo ficou a razão

E este amor ficou contigo
Nos males do coração

Naqueles lugares do passado
Não te esqueças por favor

Estou mesmo a teu lado
Nas loucas noites de amor

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

A rede que me balança - Josessandro Andrade

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Desde quando fui criança
Mamãe foi bondade plena
A rede que me balança
De forma meiga e serena

Na nossa casa na Rua
Ladeira de Francisquinho
Guardo saudades da sua
Cantiga de Passarinho

Mamãe dá em sua lida
A doçura toda pra mim
Fazendo da minha vida
Ser um eterno pudim

É se muito eu disser
É pouco esse louvor
Pois tudo que eu fizer
Não dá um quarto do amor

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

O dilema do poeta (excerto) - Frassino Machado

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Qual é o problema?
Nunca falta o tema.
Em qualquer sistema
Sobrevive o lema!

Não estou a vê-lo…
Ah, é um poema
Todo ele é o selo
Que lhe traz dilema.

Basta uma palavra?
Não basta a fantasia:
Sem semente nem lavra
Nunca há poesia.

Quem é o semeador
Se a terra é completa?
Seja lá quem for,
Tem que ser poeta.

O arado e a cultura,
São a alma e a pena;
A mente, se o é pura,
Resolve este dilema.

Mas qual o desenho,
E qual a atitude?
Com total empenho
A obra é a virtude.
...

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

domingo, 19 de janeiro de 2025

Ressurreição - Joselita Boaventura

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Se eu contar minha história
Você senta e chora.
E esse chorar pode te despertar.
Mas pode fazer
Você perecer e se lamentar.

Lamente um instante.
Mas logo levante.
Olhe para dentro
Apoie-se em você.
Nunca permita-se desaparecer.

Encolher para ocupar
O lugar que o outro lhe quer dá?
Isso não é vida.
Cure as feridas.
Cada uma a seu tempo.
Tudo tem seu momento.
Nunca esqueça de erguer a cabeça.

Se por ventura cair
Vá nas entranhas
Resgate o que restou
Força tamanha
Que você sepultou.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Canção de vidro - Mario Quintana

E nada vibrou...
Não se ouviu nada...
Nada...

Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som.

Cala, amigo...
Cuidado, amiga...
Uma palavra só
Pode tudo perder para sempre...

E é tão puro o silêncio agora!

EM - ANTOLOGIA POÉTICA - MARIO QUINTANA - ALFAGUARA

sábado, 18 de janeiro de 2025

Havia algo diferente em meu olhar - Jocélia Peixoto

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Havia algo diferente em meu olhar
Acredito ter perdido grande parte da ingenuidade
sobre a maior parte das coisas.
Meu olhar tornou-se desobediente às regras e convenções.
Um olhar epistemológico?
Talvez. Sim. Também.
Olhar de pomba ou de serpente?
Muito tempo, serpente.
Períodos tantos, pomba.
Porque não dá para fitar tudo só de maneira negativa ou ácida.
Dedico agora mais tempo ao olhar pomba
Afinal, o olhar de pomba enxerga e vê o positivo e o negativo dialeticamente
Estão imbricados nas situações da vida
Nos acontecimentos, nas gentes.
Há algo diferente em meu olhar:
- Sou cada vez mais dona de mim.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

As veias das árvores - Pedro Albuquerque

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As veias das árvores
Seu emaranhado de estradas
Pelas cartilagens da madeira
Da raíz do chão das aves
À folha à flor ao fruto são
As veias das árvores
Que traduzem a terra
Em seiva e o céu em
Verde sombra única
Que respiramos.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Teu olhar (encontro Divino) - Lídia Palminha

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Foi no teu profundo olhar,
que me deixei enfeitiçar!
Permiti-me voar,
e os meus sonhos alcançar.
Foi no teu profundo olhar,
que me deixei encantar!
Permiti-me chorar,
e à paz chegar.
Foi no teu profundo olhar,
que me deixei desfolhar!
Permiti-me entregar,
e o teu ser abraçar.
Foi no teu profundo olhar,
que me permiti mergulhar!
O teu penetrante olhar,
calmamente estava no mar.
Permiti-me nesta sintonia mútua de amar,
e à terra eu não queria regressar,
mas a vida no exterior, tem de continuar,
e quanto ao teu amor, eternamente em mim irá perdurar.

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Memórias de Estância - Jardim de Sergipe (excerto) - Joce Araújo

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Do meu tempo de criança, tenho lindas lembranças
A maior diversão nas férias de verão
Era a viagem para Abaís.
Um paraíso banhado pelas águas de rio e mar.
O carro de boi era o transporte para lá.
Que lembrança singular! Até hoje me recordo do som
Das rodas do “carro de boi”.
Quando em movimento, o som era como uma cantiga!...
Costumava fechar os olhos para ouvir a melodia
Que durante o trajeto se repetia. Lindo! Um encanto.
Era como um lamento que parecia uma cantiga de ninar
E fazia as crianças dormirem e até sonhar.
Minha mãe preparava o carro com esteira de taboa
e colchas de lã.
Deitados adormeciam todos olhando o céu estrelado.
O carro de boi, os cavalos com os homens e os burros com os caçuás
...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Obra de Arte - Ivo Álvares Furtado

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Eis-me diante de uma obra de arte!
A beleza é sempre,
uma expressão artística inacabada;
pese embora estejamos
em presença de um quadro,
que constitui a obra realizada,
todavia em contínua evolução.
A noção do infinito como horizonte
e a inspiração como fonte.
A perfeição, na procura
de um registo, ou marca
colocada pela Divindade,
na obra em realização,
que o artista tem, presentemente,
nas suas mãos.

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Orgulho de ser nordestino - Jaci Leal Pereira dos Santos

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Oxe! Tu não sabes?
Ser nordestino é ter orgulho da cultura que lhe traz
Cuscuz fresquinho, canjica e mungunzá
São iguarias, na mesa não podem faltar.

Oxente!
Ser nordestino é caminhar léguas a fins
Em busca de maracujá do mato
Verdinho e doce como ingá.

Não se avexe, não!
Nordestino é coisa boa, seu menino
No amor são fieis
E seguem seu destino.

São trabalhadores e corajosos
Caçam, pescam, cozinham e lutam
Correm atras dos seus objetivos
E não fogem da labuta.

Oxe! nordestinos são exemplo,
Queremos ver quem os detém
Além de trabalhadores decentes
Sabem usar o tempo tão bem.

Nordestino, seu menino, têm os pés no chão
Da labuta se orgulham
Veste a roupa da escuta
E ao amigo dão as mãos.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Dia 7 - Joaquim Paulo Silva

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O bico do pássaro
mergulha em busca
do troféu

No lago
subitamente as águas
invadem as terras
de um modo selvagem.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Fé (Madrugadas despidas) - Fernando Silva

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Lindas vozes nas madrugadas
À procura de outras vidas
Trocamos olhar brilhante
Ouvi vozes caladas
Nas madrugadas despidas

Janelas com tabuinhas
E a cadeira à porta
Nem mesmo na calada da noite
Eu posso até levar açoite
O que disse não te importa

Labaredas dessa tua chama
Construídas na fé que o tempo
Arde no fogo esperança
Nas cinzas de quem tanto ama
Seguem nas asas do vento

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Minhas trajetórias (excerto) - Hildete D. Vergne

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Quando a vida oferece oportunidades
Os sonhos tornam-se realidade
Sonhei ingressar na universidade
Pensei, vou fazer vestibular
Na UFBA vou ingressar
Sonho distante, para pessoas importantes
Alguém veio me dizer
Aquele espaço não é para você
Acreditei por algum tempo...
Mais Deus mudou meu pensamento
Resolvi fazer o vestibular
Primeira e segunda fase, aprovada!
Muita emoção!

Meu nome agora está no listão!
Hildete.
Aprovada no curso de pedagogia da UFBA
E agora, o que fazer?
Vou encarar os desafios que vão aparecer
Vou aproveitar as oportunidades...
Esse sonho finalmente tornou-se realidade.
Primeiro semestre, inicio da caminhada
Descobrir que tudo que pensava saber,
Nesse espaço tenho muito que aprender
Então veio a greve, que maldade!
Não vai tirar a minha felicidade
...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA