segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Fado Alexandrino do Armandinho (Observo) - Fernando Silva

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Arco-íris, teus olhos
Que a noite nos faz distante
És parte dos meus escolhos
És meu dia mais brilhante

Observo desta janela
Teu olhar distante
Pintas uma aguarela
Com o olhar gritante

Correndo atrás do tempo
Numa sombra tão escura
Voam as folhas ao vento
Numa desmedida procura

Hoje já não vejo os céus
Nem luar prateado
Faço preces a Deus
Nas memórias deste fado

Correndo atrás do tempo
Numa sombra tão escura
Voam as folhas ao vento
Numa desmedida procura

Hoje já não vejo os céus
Nem luar prateado
Faço preces a Deus
Nas memórias deste fado

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

domingo, 10 de novembro de 2024

Tempero e magia - Frassino Machado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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“Para a Lúcia & Francisco”

Tanto se tem escrito sobre o amor
E nada nem ninguém tem segurança
Mesmo que se articule numa aliança
Algo que a alma tenha em desfavor.

E tantos sonhos com prazer ou dor,
Tantas idas e vindas da esperança,
Tanto de contra censo ou contradança
Sem que nada se ajuste com rigor…

Há sempre amor na hora da madrugada
Quando um dos elos parte para a estrada
E o outro permanece no doce lar.

Há sempre amor na hora do entardecer
Quando de novo o encontro acontecer
No abraço e na doçura de um olhar…

E se houver mais alguém entrelaçado,
Rebento de um amor já realizado,
Eis tempero, eis magia a latejar!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

sábado, 9 de novembro de 2024

Vida - Fátima Santos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não quero vendavais
Mas preciso de sentir
A fresca brisa matinal
Qual papoila frágil
Cujas pétalas ondulam
Acariciadas pelos Zéfiros
Mas no botão perduram
Adiando sua efemeridade
Nossa temente verdade.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

Todos sabiam... - Graça Pires

Todos sabiam de cor uma canção.
Todos tinham um poema na memória,
ou lembravam uma prece antiga.
Todos tinham no peito um rio
sem margens a alagar o sonho.
Em cada esquina um amigo, cantara o Zeca.
Verdade irrefutável, premonição,
senha indicada à boca da vertigem,
um ímpeto no espanto há muito pressentido.

EM - ERA MADRUGADA EM LISBOA - GRAÇA PIRES - POÉTICA EDIÇÕES

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Dança cigana ao luar - Andreia Sofia Vale

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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As horas iam passando devagar
Estando eu ansiosa pelo momento
Sabia que iria ser mágico o encanto,
Toda a envolvência daquele lugar,
Onde se relata o sentimento
Presenteado pelo canto,
Os animais alegres procurando
O sítio para melhor admirar.
Chegou o momento, no céu o luar
Nos movimentos de suavidade
Um corpo de contornos sensuais,
Um passo, uma mão com generosidade
Com véstias brilhantes
E um colar de diamantes
Prendendo num suspiro de olhar
Voltaria a haver momentos iguais
Daquele momento agora com saudade
Queria ter tudo como antes
Sentir na pele o teu dançar,
Só com a presença da lua
Refletindo a tua imagem,
Relembro onde fui apenas tua
E que agora é simples miragem.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

O valor do tempo (excerto) - Lídia Palminha

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Qual calendário ou relógio tem tempo
quando não há tempo, para se ter tempo?
Quais noites e dias têm tempo
quando não se constrói tempo, para se ter tempo?

O tempo!
Esse eterno desconhecido que percorre as mentes
num desassossego entre o que foi,
inutilizando o que é,
potencial criador do que será!

O tempo!
Esse espaço interno que vive na ilusão
crendo em algo vago,
retirando o mérito ao que é,
especulando o que será!

O tempo!
Uma linha ténue impercetível
que percorre entre a dor do ontem,
a incompreensão do hoje,
o definhar do amanhã!
...

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Apenas escrever (excerto) - Desafinador de palavras

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sou um homem rico, com sorte, abençoado.
Um homem quase perfeito.
Se uma filha, Deus não me tivesse levado…
Mas também tenho a minha escrita, que me sai das
entranhas…
A minha escrita sou eu, são os meus pensamentos…
a derrubarem montanhas…
A minha escrita são os meus sentimentos…
O meu passado e o presente. Porque o futuro, não existe,
não acredito nele… e desse, não escrevo, não registo.
A minha escrita é a minha verdade! A minha honestidade!
A minha liberdade! Por isso, tenho esta necessidade… de
dizer, de escrever com humildade.
Fingindo que ninguém vai ler…
Mais uma vez finjo…, passo a vida a fingir…
Um comportamento que nunca imaginei ter…
Até já finjo que sei escrever…

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Parque das Nações (excerto) - Ivo Álvares Furtado

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Espaço de acolhimento da Lusofonia

Local privilegiado de acolhimento,
de muitas populações;
frequentado por gente proveniente,
de todas as Nações.
Espaço dileto da Lusofonia,
onde todos se exprimem livremente,
num Portugal democrático,
sem opressões.

A Portela, onde resido,
paredes-meias com o Parque das Nações,
é o local de habitação destas novas gerações,
coabitando sem preconceitos,
com vidas reconstruídas em novas dimensões.
Têm a Língua Portuguesa como a bandeira,
comum a todas as libertações.

Saradas as feridas dos conflitos,
entre antecedentes gerações,
prevalece o respeito,
por uma realidade histórica,
comum e incontornável,
de todas as novas nações.
...

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

E... no final - Joaquim Paulo Silva

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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E… no final
só a música
sem latitudes
nos surpreende
e nos transporta
na longa
Barca de Caronte.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Adiça (Andorinha perdida) - Fernando Silva

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Uma andorinha perdida
Pousou no beiral errado (bis)

Fez contas à sua vida
E regressou ao passado (bis)

Numa casa sem janelas
Onde mora a saudade (bis)

Que saudades são aquelas
Onde lembra a mocidade (bis)

A primavera voltou
Há mais ninhos nos beirais (bis)

A andorinha ali ficou
No sítio que gosta mais (bis)

Sua casinha, seu lar
Ali dorme aconchegada (bis)

Pra seus filhos educar
E dormir descansada (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

terça-feira, 5 de novembro de 2024

O papelão - Frassino Machado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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“Os Protervos da Assembleia”

Triste Casa da Democracia
Que não sabe como pôr mão
Aos vis caminhos da Anarquia
E à ignóbil figura do “Papelão” …

As palavras são aquilo que são:
Se malquistas, elas vão no vento,
Mas, absurdas, são armas na mão
Que levam à dor e ao tormento.

O “Papelão” tem aquilo que tem
E nem sempre o tem na hora certa,
Mas é desonra prás pessoas de bem
E, prá Democracia, é um alerta…

Os seus agentes – ditos Protervos! –
(Pensam que têm o Rei na barriga!!!)
Colocam em franja todos os nervos…
A ingénua justiça, essa, que o diga!

Se esta – com’ lhe compete – não actuar,
Todo o “Papelão” tende a continuar!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Seja isto ou aquilo - Fátima Santos

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Seja moinho ou gigante
Seja Pança ou Quixote
Seja Dulcineia ou imaginação
O vento impulsiona a ação
Seja para moer o trigo
Ou o gigante procurar abrigo
Ou caminhar entre a gente
Ao vento, mas contra a corrente
Ou Quixote Dulcineia procurar
E imaginariamente a encontrar.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

domingo, 3 de novembro de 2024

Posso dizer que sinto a tua falta amor...? - Ana Acto

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Foste um sonho, ou talvez não
As manhãs nascem agora tão frias
E eu, não tenho força para as consolar

Posso te dizer que sinto a tua falta amor?

Diz-me...
Porque vieste até mim
Sabendo que partirias?
Porque me trouxeste de volta à vida
Para me deixares de novo a morrer?

Talvez te deva agradecer
Me resgatares as vontades
Ou te amaldiçoar
Por mas lembrares

Este ardor queima
E crescem-me nas mãos as ausências
Pouco importa o que não foi
E quero acreditar, que nunca o teria sido

Talvez nunca tenho feito morada em teu peito
Já tu no meu, plantaste amoras
Sucos e desejos
E deixaste virgens meus lábios

Posso sentir a tua falta amor?
Do que nunca nos foi?

Não respondas... pouco importa agora...
Deixa-me continuar a sonhar...

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Recados no espelho - Lídia Palminha

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Só quero um recado para perceber quem sou
nem importa que possa ser algo menos bom,
mas tão-somente que seja uma verdade de mim,
mesmo que os meus olhos não queiram ver
e meu coração, não queira sentir.

Só quero que deixes um recado
um que seja o meu fiel retrato,
talvez aquele que as minhas asas refletem
ou o que representa a liberdade dos meus passos
ou talvez um novo desafio para mim mesmo.

Só quero que se reflita o encontro
aquele que tantas vezes dele fujo,
que só quero abandonar para não me doer
num jogo de esconde-esconde
e o ego, esse, definitivamente adormeça.

Há recados que doem,
mas esmagam o orgulho e a arrogância,
retalham as folhas murchas que teimam viver,
destroem as raízes moribundas
… e são vida!

Há recados que são histórias de amor
que são renascimento, construção,
que são esperança e fé,
amor e paz
… são a plenitude de um nada num tanto!

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

sábado, 2 de novembro de 2024

Assédio ou sedução (excerto) - Desafinador de palavras

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...
O assédio é «nojento»!… É condenável!…
Nisso estamos todos de acordo.
Só os «nojentos» é que discordam!…
Mas a sedução é um jogo que apaixona… cativa, excita,
leva-nos ao desejo de amar… acariciar…
Ao desejo do homem e da mulher acoplar…
Ou, até seja que casal for, não vamos aqui discriminar!…
Faz-nos voltar a sermos pessoas…
A regressarmos à adolescência…
E, até por vezes, não é só paixão do momento… mexe
com o coração,
com a nossa própria existência…
Quantas relações começaram com um redondo «Não!»?
E, hoje, são redondos «Sins!»?
Eles e elas, não queriam!… Mas, depois…, viveram felizes
para sempre!…
E foi por causa do assédio?…
Ou do jogo de sedução?…
Foi…, Assédio ou Sedução?…
No princípio, foi…
Um redondo «Sim!»?…
Ou foi um redondo «Não!»?…

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Repto aos Poetas para o estreitamento dos laços da Lusofonia - Ivo Álvares Furtado

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Reúnam-se os poetas lusófonos,
de várias gerações,
no local dileto,
em Portugal,
no Parque das Nações.

Na raiz e origem,
a convergência de intenções,
na discussão de temas
de interesse comum,
entre gente proveniente
de várias localizações,
incluindo muita gente,
oriunda de países,
que são fruto de
descolonizações.

E assim reunidos
tratarão,
de engrandecer esta,
tão valiosa
quanto importante
relação,
que sustêm
presentemente,
nas mãos!

Viva a Lusofonia,
o nosso elo comum,
hoje em dia!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Tens o infinito - Joaquim Paulo Silva

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Tens o infinito
nos olhos do mar
nessas copas
de palmeiras
feitas para amar.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado da Balada (Quadro lindo) - Fernando Silva

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Conta um certo menino
Que a caminho pra escola
Encontrou aquele velhinho
Descalço jogando bola

E quis perceber a razão
Desta situação tão feliz
Só quem não tem coração
O Impede de ser petiz

Foram os dois d’abalada
Brincar pela rua fora
Jogaram à apanhada
Não queriam ir embora

A certa altura pararam
E olharam-se sorrindo
Aqueles que repararam
Disseram, quadro lindo

E num abraço de carinho
Fechou os olhos, sonhou
Seria o avozinho?
Faz tempo que o deixou

Sorriram à vida contentes
Por viver este momento
As ruas estão diferentes
Não lhes sai do pensamento

Sorriram à vida contentes
Por viver este momento
As ruas são diferentes
Não lhes sai do pensamento

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA