domingo, 15 de maio de 2022

Palavras há - MARIA FRATERNA

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Que são de maio
Andam pé ante pé
A soletrar cada sílaba
Antes de ditas
Procuram ternura, intimidade, enleio
Querem agarrar a tua mão.

Roseiras há
Que são de maio
Depois de cobertas de rubis
São rosas fecundas
Que beijam a tua boca
De desejo e de paixão
São pétalas para o teu coração
Na retidão do teu corpo
Num longo mar de carícias.

Restos na vida há
Que são de maio
E se tu os fechares num poema
No ventre de qualquer vale,
E nele redigires
O percurso rubro do teu caminho
Consegues amar os picos das tuas rosas.

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

Revés - RODRIGOSBA

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Naqueles rostos
De olhares rasos
Não vejo rastros
De esperanças

Níqueis-retratos
De sonhos ricos
Nefastos restos
De desencantos

Nenhumas relhas
De preces-regras
Nem os reversos
De guerras santas

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 14 de maio de 2022

Legítimo charme da experiência - NAUZA LUZA MARTINS

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Sessentei, raro presente da vida ganhei
Mais tempo, esperança e oportunidades
Sensação de plenitude, vigor invejável
Novas aventuras, paixões, saberes diversos
Aproveitar da vida todas as possibilidades
Definir meu destino com atitude e coragem
Transformar meus sonhos em realidade.

Sou uma loba solitária feliz do meu jeito
Sou mulher empoderada, dona de mim,
Tenho minhas memórias, já fui vendaval
Nunca fui santa, sei do que sou capaz
Provoquei mudanças, me livrei de teias
Descobri em mim, liberdade afinal.

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

Olivença - RODRIGOSBA

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Janeiro
Família.

Água salgada
Água doce
Água ferro
Água salobra
Água-viva
Água, água…

Ainda no raso,
remo lembranças

           Viajo.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Sentidos aguçados - MAURA LUZA FRAZÃO

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Com o tempo entendi
Que todo desejo
Tem um propósito ou intenção
E que cada sentido
Parte de uma realidade
Alcançar prazer
Realização de um sonho
Ou simplesmente satisfação
De uma vaidade.

Conquistar para o deleite
Pessoal
Subjugar ao bel prazer
Ambicionar
Vencer, lutar
Xeque-mate
Assim o tempo me ensinou
Que todo e qualquer desejo
Vem de uma necessidade.

Percebi também
Que existe tempo para tudo
Tempo de desejar
Ou ser desejada
Experienciar
Partilhar emoções
Se entregar a possíveis sensações
Plenamente vivenciá-las
Ao sabor do tempo, saciá-las.

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

Se um dia - FERNANDO VASCONCELOS

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Se um dia te apaixonares como eu apaixonei!
Só por ti minha lírica e poética donzela, eu me declararei!

És fruto de outras castas,
És o fruto que me afeiçoei,
Benzido… por mim beijado,
Com ternura acariciado,
Como eu nunca acariciei!...

Dá-lhe todo o teu carinho,
Dá-lhe todo o teu afeto,
Dá-lhe todo o teu amor,
Defende-o com toda a garra que tens.
Dá-lhe tudo de bom em ti,
Que no teu interior, buscas e tens!

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

Pan-de-mia - RITA QUEIROZ

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Miados no telhado
Gatos se enamoram
Olhos vidrados na lua
Adormecem abraçados.

Cheiro de alfazema
Desperta sentidos implícitos
Nos lençóis de linho
Traições se aninham.

Fumaça, brigas, craques
Trapos humanos em contraste
Bola corre pelos gramados
Disfarces de Coringa nunca jazem.

Fome de tantos quereres,
Beija as manhãs carentes
Olhos sedentos
Bocas desejam pão.

Em outras paragens,
Cortes, navalha afiada,
Gás pelos olhos da cara
Ma(u)l lavada sem piedade.

Clemência pede passagem
Não há espaço.
Inerte, sangra solitária
Para que tanta maldade?

Segundos, minutos, horas
Dias, semanas, meses, anos
Repetem-se as promessas
Tudo em vão.

Doenças, vírus, bactérias
Não vencem a tirania.
Segue o fluxo, motorista,
Não há parada fixa.

Anseios da alma
Gosto de café salgado
Poesia eterna
Nós, elos passados.

Inteligência emocional, artificial
Conquistas em profusão
Faltam amor, saúde, interconexão
Deus, responde-nos se há salvação.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Prendi o Mundo - MARILDA DE FÁTIMA RIBEIRO

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Fechei portas e janelas
Prendi o mundo lá fora.
Eu já estava muito cheia e precisava
Guardar algumas ausências
Descubro nesse refúgio que a vida não tem fios
Somente recuos e avanços que fazem
De mim um porto sem fim.
Enquanto eu espero ainda enlutada amores
E amparos nesse confronto desarmado
Alcançar outros fins.
Me vejo assim, continuo existindo a
Espera de outros horizontes e
Resistindo aos plurais das ausências.

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Último desejo (reprise) - CRISTIANO CONSTANTINO

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o meu último desejo
é devorar devagarinho
o teu coração tão tão frio
fazer sangrar bem aos pouquinhos

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

O sertão virou arte - RITA PINHEIRO

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O sertão virou arte
Dos mandacarus secos
Brotaram poesias...
O quadro natural
Que vinha de todos os lados
Bastava se permitir olhar.
Lá estava mais uma tela
Pintada por Deus.
O azul de doer os olhos
É o céu de Canudos
História contada e recontada
E o orgulho que salta meus olhos.
O povo de Conselheiro
Canções entoadas, hinos, lamentos
O sertão virou e sempre será Arte!
A arte da resistência, da luta, persistência.
Piso no solo sagrado
Reverencio a história
Bebo do conhecimento
E escrevo esse poema.

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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Chilrear dos pássaros - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

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Soltam-se os pássaros em debandada
Soltam-se as asas em liberdade
E os beijos doados com amor
E as mãos dadas em desalinho
As flores renascem ao amanhecer
Abrem-se à luz do sol ardente
Numa primavera ausente
E as águas do rio banham os lagos
Onde os patos passeiam os bicos
E o mundo gira em redor
E a lua apaga o dia
E a felicidade se anuncia
Entre abraços de felicidade
Com o chilrear dos pássaros em debandada.

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Não mais menina... - ANA MENDES

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Ainda jovem
Mas não mais menina
Com a voz suave
E corpo de bailarina
Que nos segredos te escondes
Teu olhar inocência
De gestos seguros respondes
Trazendo no olhar vivência.
Por momentos distraída
És levada ao longínquo passado
Perdendo pérolas dos olhos caídas
Talvez de um amor destroçado.
Por ti muito me importo
Tudo quero levar
O teu amor sonho e imploro
Deixa-me tudo de ti amar.
Mulher pura e não mais menina
Tens em ti a esperança da infância
Quero a tua presença na minha vida
Aceita de mim esta aliança...

EM - PELO FIO DE ARIANA - ANA MENDES - IN-FINITA

Nordestinidade - REJANE SOUZA

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As paisagens se bifurcam no Brasil
As estações definem as regiões
Mas o ser Nordeste é plural
Em cada espaço do mapa
Há boa dose de sua cultura
que se derrama em literatura

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 10 de maio de 2022

Barroco - REJANE SOUZA

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O signo sertão barroco... sertão de natureza ambivalente, plástica...
Que se desdobra, para gerar o sertão geográfico:
região apartada...
O sertão físico: o cacto, o chão...
O sertão metafísico: o homem...
Um sertão onde a natureza e o homem vivem em estado de tensão...
Um sertão poente, seco, ao mesmo tempo solitário
e abundante.
Um signo do tudo de nada, que gera vazio,
Mas é do “tamanho do mundo”.

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Num estranho destino de fronteira. - MARIA FRATERNA

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Por mais distante que estejas,
Se eu morrer aqui sem morada
Onde me encontro revoltada
De tudo que há no vasto silêncio
O qual criaste e me deixaste
Entre as folhagens secretas
Do Jardim das Águas Santas
Que será o esconderijo
E o destino do meu sono profundo.
Esse que terminará no pulverizar
Das cinzas sossegadas
Longe das tuas mãos afastadas
Apesar da elevação atingida
Com sopros conjugados
Debaixo do mesmo céu
Num estranho destino de fronteira.

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Eu - LIZ RABELLO

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Grãozinho de areia,
luzes das estrelas,
semente de energia.

Música suave ao acabar bateria,
Fonte mutante de muitos casulos,
salpicada de Sol, intuição, poesia,
Lua prateada na calada noturna,
Repleta de amor, sorrisos, magia.

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Salve, salve a Bahia! - REJANE LUCI SILVA DA COSTA KNOTH

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Salve, salve a Bahia!
Terra da felicidade e da alegria
Terra de diversidades e de magia.

E o que é que só a Bahia tem?
Tem a primeira capital do Brasil: Salvador
Os inventores do trio elétrico: Osmar e Dodô
A primeira Faculdade de Medicina e tem o Pelô.

Tem Gregório: Boca do Inferno e suas poesias
O estilo único de Caymmi e suas melodias
A obra de Raul que se traduz em nossos dias.

Salve, salve a Bahia!
Terra de todos os santos
Terra de axé em todos os cantos
Terra mãe do Brasil e de todos os encantos.

E o que é que só a Bahia tem?
A primeira santa no Brasil nascida
O inexorável clássico Ba-Vi! Que torcida!
Carnaval de trios, samba-reggae! Que batida!

Tem Caetano e sua genialidade
Maria Bethânia e sua sensualidade
Gilberto Gil e sua intelectualidade.

Salve, salve a Bahia!
Terra de mistura de sons, de miscigenação
Do Olodum, do rock, de muita produção
De belezas naturais, do inverno e do verão.

E o que é que só a Bahia tem?
Tem o Amado Jorge, artista imortal
A voz inconfundível de Gal
A criatividade e o ajayô de Brown.

Tem acarajé e a Chapada Diamantina
Morro de São Paulo e muita praia linda
Tem povo supercultural e toda gente é bem-vinda!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 8 de maio de 2022

Demarcação - LINDEVANIA MARTINS

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Arrastando o pé na areia da praia
Meu irmão desenha no chão meus limites
Uma linha de demarcação:
“Daqui uma mulher não pode passar”.
Ah!
Por que meu irmão espera que eu obedeça?
Por que o observo muda e calma
Educada e controlada?
Ah!
Por que meu irmão espera que eu obedeça?
Uma mulher não pode passar?
Pergunto a ele
Depois de ultrapassada a linha:
“Tem certeza?”

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Nós sabíamos - RAQUEL LOPES

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Sabíamos das luzes que acendem novas esperanças
Em razão delas ficamos que abismados

Sabíamos de tudo que antes não conhecíamos

Sabíamos.

O céu está aberto para viver sem neblina
E tuas mãos nas minhas
Refazendo a moldura de barro

Um lar
Uma casa
Nosso ninho.

Sabíamos mesmo sem ter dito uma única palavra
Dessas que escapam para enfim voar no horizonte
Sabíamos dos ventos contrários que vinham do mar.

Sei lá...

Sabíamos de tudo mesmo
Sem fazer o que se pode achar.

Sabíamos amar.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Para o restante do meu viver - FERNANDO VASCONCELOS

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Cérebro doente transtornado,
Não o desejo no meu viver!

Cérebro puro suplantado,
Desde hoje, será cada vez mais a fonte
Onde eu vou beber, para ainda mais
Me deixar crescer.

Corpo morto, inferiorizado
Não o desejo no meu ser,
Por toda ainda muita vida
Que eu quero por mim viver.

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA