sábado, 9 de março de 2019

O futuro - JOSÉ FERNANDO DELGADO MENDONÇA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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traz-me
todas as canções
da nossa juventude

as canções
que tocavam
indefinidamente
no gira-discos
enquanto
trocávamos
sonhos de futuro

agora
o nosso tempo
seria só de recordações
se não soubéssemos
que um só dia

dos que vão chegar

chegaria
para melhorar
tudo o que fizemos
naqueles tempos
de loucura

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Pairam silêncios nos teus olhos - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Pairam silêncios nos teus olhos
Quando apaixonado os semicerras,
Flutuam no ar como esquecidos
E olham para os meus que estão perdidos.

E quando eles me falam das memórias
Dos sonhos e dos beijos que já demos,
Aqueles olhos que eu julgava já esquecidos
Voltaram a perturbar a nossa história.

E numa ansiedade de eterna conquista
Os teus olhos param numa cor indefinida
É como se o sol os ofuscasse
Enquanto a minha boca te sorria.

Estranha língua a dos nossos olhos
Feita de palavras escondidas
Tenho medo que essa língua tão estranha
Fique para sempre esquecida.

E se foi ela que te trouxe até mim,
E se no teu olhar há laivos de esperança,
Ensina-me a olhar-te desse jeito
Porque na vida, o olhar também se alcança.

EM - À PROCURA DE MIM - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

sexta-feira, 8 de março de 2019

Minha cidade - HORÁCIO ALMEIDA

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Beirã Capital Altiva
Da Estrela altaneira
Rodeada de serranias
Granítica prazenteira
Minha cidade pioneira
D.Sancho I a fundou
Populares e trovadores
Rei poeta a perpetuou
Na senda da ribeirinha
O Rei Sancho prazenteiro
Ficou perdido de amores
Conivente um sapateiro
Negligência e aproveitamento
Escondido sub valorizado
Incúria ou desconhecimento
O Fundador foi ostracizado
Catedral soberba imponente
Persiste através dos tempos
Deslumbrante e garbosa
Vestígios de outros tempos
Por muralhas altivas cercada
Nelas brincava ainda franzino
Histórias de mouras encantadas
Comentadas era ainda menino
Na judiaria brinquei e cresci
Rodeado de gente amistosa
Na saudade e visita me revi
Deixo esta menção honrosa.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA

Sonho - RITA CRUZ

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Ao cair da noite,
Ao som do mar revolto
Abraçamo-nos.
Beijei-te a fonte tremula...
O vento...
Ah, aquele vento frio.
Brincava com meus pelos
Seria frio?
Saímos de encontro ao mar.
Amamo-nos na água morna
Foi apenas uma noite sob o luar...
Um sonho talvez!

EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sinfonia - ANITA SANTANA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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Não há porquê... por mais que procure,
A beleza de uma voz insurgente
Vem, chega de mansinho, invade
E extasia em meio ao nada.
Sem explicação e motivo algum
A lágrima que corre lenta e sem sabor
 Seca com a quentura do próprio calor.
Labaredas se apagam e se acendem
E ardem ao ritmo da melodia,
Dissolvendo-se no vazio povoado da existência.
É preciso aceitar essa angústia que emana
E deixar do ser tomar conta.
As chamas só se dissolvem na dor que sangra.


EM - VERSOS & CLIQUES: INSTANTES - ANITA SANTANA - EDITORA ZARTE

O coração - JOSÉ FERNANDO DELGADO MENDONÇA

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o coração
é tão simples

quatro divisões

duas em cima
duas em baixo

um coração de pedra?
uma só divisão?

dizes
mas não acreditas

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Os dias maiores - SUSANA NUNES

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Os dias maiores
despregaram-se das paredes direitas
lugares há muito sem escutas de assombros
brancas demais sem pele
só servidas por alguns enfeites dispersos
em quadros pincelados de óleos de pouca arte.

Depois que os senti ressurgir dos despojos
abandonados na entrega do vivo dos sonhos
dei-lhes flores lilases e beijos amendoados
e plantei-lhes o sublime dos desejos
nos muros imensos e altos
que pensei não ter mais forças para galgar.

Agora no desfolhar de malmequer que sinto
abeiram-se de mim os poros destemidos
espalhados de pétalas macias
e de oiros de doces e de sais
... porque quando eles em sede
me passam os braços pela cintura
e me mostram a cadência dos antúrios...
eu estremeço e humedeço
na volúpia das reais orquídeas
num renascer renovado e maior
num regozijo em esplendor de vidas.

EM - NA PELE DA PALAVRA - SUSANA NUNES - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de março de 2019

No espaço que deixaste - LAURINDA RODRIGUES

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No espaço que deixaste, minha Mãe,
no vazio que deixaste, no teu espaço,
nada há para preencher que saiba bem
nem bem que sejo bom para o meu cansaço.

Não são recordações que te dão vida.
O que te fiz, em vida, já é morte.
Fiquei assim confuso, assim perdida,
eu que, para toda a gente, sou tão forte.

Mas sei-te o olhar, aqui neste meu canto,
atento e preocupado, a querer dizer,
que não deixe da morte acontecer
o acontecer à vida desencanto.

EM - VERTIGENS DO SER - LAURINDA RODRIGUES - EDIÇÃO DE AUTOR

Os filhos da seca - RAMON MEDEIROS

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És malvada com quem não te faz mal,
não permites ninguém viver feliz,
nos sertões ressequidos do país
sempre deixa seu rastro funeral.
Não escapa sequer um animal,
os humanos se mudam pra cidade,
porque tu sem ter dó nem piedade
os expulsa de casa para fora
e os coitados tristonhos vão embora
pra viver pelas mãos da caridade.

Os teus frutos por todos são colhidos:
fome, sede, tristeza e nada mais!
Gente, bicho, bem como os vegetais
pra sofrerem, por ti são escolhidos.
Os teus golpes são velhos conhecidos
e de longe se avista o resultado:
xique-xique no cocho para o gado,
lodo seco na tina de beber
e a família sem ter o que colher
das sementes plantadas no roçado.


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sem família humana - JOÃO BARNABE

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Aqueles a que não têm família
Aqueles a que não têm amparo
Conheci e vi gentes desta terra lisboeta
Que tudo tão duro e cinzento esmeram
E sem pátria sem calor de um sol paterno
Sem o leito mais puro e materno
Não têm quem lhes dê, de beber o tenro amor humano
Sem um aconchego noturno
Vivem moribundos fingindo não ter dor

São duma raça e ternura
Têm a garra de uma agresta e partida sepultura
São como escravos da vida onde escondem amargura
E sentem que a solidão é o castigo doutra vida
Mas que admiração eu sinto neste mundo
Que sozinho sem ninguém, vivendo sem lua
Mudos partidos e enxugados em lágrimas

Como conseguem?
Qual a fonte daqueles que não têm família
Que consomem os centros clandestinos
Terramotos trituram os fantasmas que lá vão
Onde nem o gato e o cão
Servem para preencher o vazio dessas estrelas
Que alumiam sozinhas
Catacumbas e valas derretidas
De corpos cansados de jazer
Sepultados e saudosos por ver nascer
A família que os beijará de manhã até ao anoitecer

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

Dor e amor - JOSÉ FERNANDO DELGADO MENDONÇA

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passei horas
a juntar
pedaços
de Ti
e no final
o que ficou?

a certeza
de que só existe
a dor e o amor

tudo o resto
é composição
é gradação
destes dois sentimentos
tão simples

até a paixão
até a morte

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quem sabe?... - VÍTOR COSTEIRA

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A noite acorda-me incompleto.
Tornou-se um ritual
que passei a aceitar
sem questionar
seja o que for.

Acordo e já não lamento,
não ausculto ruídos anormais,
sombras sem sentido,
nem tento sequer recordar
qual o sonho que me inventava
quando o espanto de acordar me despertou,
se noutro tempo,
se noutro lugar.

Simplesmente... acordo.
Acordo e fico desperto
com a esperança sorridente
de que também estejas acordada,
olhando-te sem me veres
e escrevo poemas
doces, lindos, maravilhosos
que a manhã não lembra,
mas que eu acredito
que os lerás um dia
ou, quem sabe, ainda hoje!


EM - POEMAS DE MEL E LIMÃO - VÍTOR COSTEIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 6 de março de 2019

Estrela - ANABELA SANTOS

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Minha doce estrela
Adoro teu cintilar
Após o meu acordar
E assim te encontrar
Para te abraçar
Amor te dar
Sem mais parar
E para sempre ficar
E em teus braços embalar
Com o teu sorriso ficar
Preso no meu olhar
Como é bom te abraçar
E sentir teu cintilar
Me acariciar e assim ficar

EM - DEIXEI O CORAÇÃO FALAR - ANABELA SANTOS - IN-FINITA

O Nordeste - RAMON MEDEIROS

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O Nordeste é berçário da cultura,
terra mãe de Gonzaga e Virgolino.
Onde a arte com gente se mistura,
pois faz parte do sangue nordestino.

Tripa assada, cuscuz e rapadura
dão sustança ao caboclo campesino.
O roçado é tapete de fartura
irrigado por Deus, O Pai divino.

O Nordeste é celeiro de riqueza,
onde Deus criador da natureza
fez questão de plantar sua bondade.

Quem beber dessa água cristalina
e provar a comida nordestina
sentirá o que é felicidade!


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Tudo me é estranho - ANA P DE MADUREIRA

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tudo me é estranho

porque sem braços
sou asas
e sem passos
sou céu

alma
liquida a minha
que desce ao mar
e se afunda

sagrado em mim

cereja
rubi
palavra muda
no rodopio do sem corpo
pela nudez dita

sorriso de olhar infindo
no meu dentro
por esse mundo afora

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Teoria do nada - JOSÉ ANTÓNIO PINTO

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Tem o poder de com nada
o tempo encher,
de reduzir os mares
à dimensão pretendida,
preencher os desertos
com oásis imaginados,
construir o discurso mudo
na praça pública com êxito,
fechar o frenesim duma cidade
na pacatez duma fotografia,
fazer da respiração dum país inteiro
uma tempestade em copo de água...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Ocaso -TÂNIA DINIZ

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Nos raros dias
em que você volta a me ver
tudo vale a pena!
A alegria se instala
o sol canta
o jardim fala!...
E, invejoso, o tempo,
o tal cotidiano,
te leva depressa, pobre príncipe.
Nubla minha tarde, e eu, triste rã,
um fiapo de esperança vã,
resto sombria, na calma vazia,
onde se infiltra, tênue,
um fio de poesia.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

terça-feira, 5 de março de 2019

Mulher - LUZ LOPES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Ser Mulher é,
Em cada madrugada,
AMANHECER

EM - GRITOS DE SILÊNCIO - LUZ LOPES - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Rosa dos Ventos - PATRÍCIA SANTANA

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Pelos quatro cantos
do país
já podemos ouvir
a sua voz,
muito tempo silenciada
por uma sociedade patriarcalizada

Forte,
determinada,
persistente,
guerreira...

Mulher nordestina,
mulher brasileira.


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Memória acesa - ANA CASANOVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Sentidos lampejantes se acácias rubras
pintando as avenidas da memória
da Mãe África que vive em mim!
Em ti, eu sonho ficar
ao lado da minha gente
abraçada pelo sol quente
banhada por esse mar
onde me fiz mulher...
Sonho com a sombra das palmeiras
ondulando ao sabor do vento
oiço o batuque e reco-reco
que no meu peito fazem eco
onde a memória sempre volta
pelo amor que transborda
e que em mim vive eternamente.

EM - À SOMBRA DO SILÊNCIO/À L'OMBRE DU SILENCE - ANTOLOGIA BILINGUE - MOSAICO DAS PALAVRAS