De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
O seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Brinde no banquete das musas - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Poesia, marulho e náusea,
poesia, canção suicida,
poesia, que recomeças
de outro mundo, noutra vida.
Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te equivale:
a mosca deglute a aranha.
Poesia, sobre os princípios
e os vagos dons do universo:
em teu regaço incestuoso,
o belo câncer do verso.
Azul, em chama, o telúrio
reintrega a essência do poeta,
e o que é perdido se salva
poesia, morte secreta.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
poesia, canção suicida,
poesia, que recomeças
de outro mundo, noutra vida.
Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te equivale:
a mosca deglute a aranha.
Poesia, sobre os princípios
e os vagos dons do universo:
em teu regaço incestuoso,
o belo câncer do verso.
Azul, em chama, o telúrio
reintrega a essência do poeta,
e o que é perdido se salva
poesia, morte secreta.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Encomenda - CECÍLIA MEIRELES
Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
domingo, 7 de outubro de 2012
Eu ontem vi-te..* - ÂNGELO DE LIMA
Eu ontem vi-te...
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse
Fulgor assim.
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse
Fulgor assim.
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
sábado, 6 de outubro de 2012
Marco - PEDRO MEXIA
Na rua escondida
o marco do correio
há muitos anos recebe
as escassas cartas
que mudam a vida.
Há muito que está
fora de serviço
mas a companhia
não informou ninguém.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
o marco do correio
há muitos anos recebe
as escassas cartas
que mudam a vida.
Há muito que está
fora de serviço
mas a companhia
não informou ninguém.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Intervalo - MARIA TERESA HORTA
no silêncio que guardo
quando partes
que escondo sob
os dedos
que se prende
que me deixa no corpo
este calor
da falta do teu corpo como sempre
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
quando partes
que escondo sob
os dedos
que se prende
que me deixa no corpo
este calor
da falta do teu corpo como sempre
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Na praia - RUY BELO
Raça de marinheiros que outra coisa vos chamar
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?
EM - TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?
EM - TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Medo da morte? - ALBERTO CAEIRO
Medo da morte?
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se até os átomos não dormem, por que hei-de ser eu a dormir?
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se até os átomos não dormem, por que hei-de ser eu a dormir?
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Comunicado - MIGUEL TORGA
Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Folhas caídas - MARIA JOSÉ LACERDA
tronco despido de folhas
folhas soltas e perdidas
sem saberem de seu dono
folhas caídas no Outono
folhas feitas de tristezas
de vividas incertezas
de esperanças já esquecidas
pelo Outono sentidas
folhas que cobrem o corpo
folhas que abrigam em conforto
folhas disfarçando o desgosto
folhas que cobrem o rosto
folhas vinde dar guarida
aconchegar minha vida
dar alento ao meu sentir
vinde fazer-me sorrir
porque me sinto perdida
EM - DANÇA DE PALAVRAS - MARIA JOSÉ LACERDA - TEMAS ORIGINAIS
folhas soltas e perdidas
sem saberem de seu dono
folhas caídas no Outono
folhas feitas de tristezas
de vividas incertezas
de esperanças já esquecidas
pelo Outono sentidas
folhas que cobrem o corpo
folhas que abrigam em conforto
folhas disfarçando o desgosto
folhas que cobrem o rosto
folhas vinde dar guarida
aconchegar minha vida
dar alento ao meu sentir
vinde fazer-me sorrir
porque me sinto perdida
EM - DANÇA DE PALAVRAS - MARIA JOSÉ LACERDA - TEMAS ORIGINAIS
domingo, 30 de setembro de 2012
Soneto de devoção - VINICIUS DE MORAES
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE
sábado, 29 de setembro de 2012
Rapto - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Se uma águia fende os ares e arrebata
esse que é forma pura e que é suspiro
de terrenas delícias combinadas,
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaustão suavíssima, tributo
com que se paga o voo mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via hermética e defesa
vai demandando o cândido alimento
que a alma faminta implora até ao extremo;
se esses raptos terríveis se repetem
já nos campos e já pelas nocturnas
portas de pérola dúbia das boates;
e se há no beijo estéril um soluço
esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
e tudo é triste sob o céu flamante
(que o pecado cristão, ora jungido
ao mistério pagão, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao desígnio
da natureza ambígua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
esse que é forma pura e que é suspiro
de terrenas delícias combinadas,
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaustão suavíssima, tributo
com que se paga o voo mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via hermética e defesa
vai demandando o cândido alimento
que a alma faminta implora até ao extremo;
se esses raptos terríveis se repetem
já nos campos e já pelas nocturnas
portas de pérola dúbia das boates;
e se há no beijo estéril um soluço
esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
e tudo é triste sob o céu flamante
(que o pecado cristão, ora jungido
ao mistério pagão, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao desígnio
da natureza ambígua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Para uma cigarra - CECÍLIA MEIRELES
Cigarra de ouro, fogo que arde,
queimando, na imensa tarde,
meu nome, sussurrante flor.
(Estudei amor.)
Cigarra de ouro, por que me chamas,
se, quando eu for,
bem sei que foges por entre as ramas?
(Estudei amor.)
Cigarra de ouro, eu nem levanto
meus olhos pata teu canto.
(Estudei amor.)
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
queimando, na imensa tarde,
meu nome, sussurrante flor.
(Estudei amor.)
Cigarra de ouro, por que me chamas,
se, quando eu for,
bem sei que foges por entre as ramas?
(Estudei amor.)
Cigarra de ouro, eu nem levanto
meus olhos pata teu canto.
(Estudei amor.)
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Floriram por engano...* - CAMILO PESSANHA
Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanto flor! - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanto flor! - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Os dez mil - PEDRO MEXIA
Os dez mil de Xenofonte,
em retirada, procuravam
o mar. Mas, na retirada,
existe mar? Talvez um batedor,
um porta-estandarte, grite que o vê,
azul e inequívoco, ao fundo.
Talvez depois de uma derrota
dez mil homens presos entre
canções tristes e poemas épicos
regressem a casa, e digam
que é o mar. mas não é o mar.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
em retirada, procuravam
o mar. Mas, na retirada,
existe mar? Talvez um batedor,
um porta-estandarte, grite que o vê,
azul e inequívoco, ao fundo.
Talvez depois de uma derrota
dez mil homens presos entre
canções tristes e poemas épicos
regressem a casa, e digam
que é o mar. mas não é o mar.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Lã - MARIA TERESA HORTA
A única diferença
que une a tarde à manhã
é das tuas mãos espessas
a memória
o rasto
a lã
não a lã da camisola
que usas rasando o peito
mas aquela das palavras
que deixas cair a meio
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
que une a tarde à manhã
é das tuas mãos espessas
a memória
o rasto
a lã
não a lã da camisola
que usas rasando o peito
mas aquela das palavras
que deixas cair a meio
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O valor do vento - RUY BELO
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
EM - TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 23 de setembro de 2012
Todas as teorias...* - ALBERTO CAEIRO
Todas as teorias, todos os poemas
Duram mais que esta flor,
Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e húmido,
E mais que esta flor...
O tamanho ou duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...
O que importa é aquilo que dura e tem dimensão
(Se verdadeira dimensão é a realidade)...
Ser real é a cousa mais nobre do mundo.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
Duram mais que esta flor,
Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e húmido,
E mais que esta flor...
O tamanho ou duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...
O que importa é aquilo que dura e tem dimensão
(Se verdadeira dimensão é a realidade)...
Ser real é a cousa mais nobre do mundo.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 22 de setembro de 2012
Alvorada - MIGUEL TORGA
Amanhece...
E amanhece o desespero...
Dura condenação
Da vida humana!
Angústias a oprimir o coração,
Seguidas como os dias da semana.
Mais vinte e quatro horas
De negrura,
Que o sol nem há-de ver, na sua pressa.
Em vez dum claro apelo,
Dum sonho mau, que apenas recomeça.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
E amanhece o desespero...
Dura condenação
Da vida humana!
Angústias a oprimir o coração,
Seguidas como os dias da semana.
Mais vinte e quatro horas
De negrura,
Que o sol nem há-de ver, na sua pressa.
Em vez dum claro apelo,
Dum sonho mau, que apenas recomeça.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Debussy - MANUEL BANDEIRA
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Um novelozinho de linha...
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Oscila no ar pela mão de uma criança
(Vem e vai...)
Que delicadamente e quase a adormecer o balança
- Psio... -
Para cá, para lá...
Para cá e...
- O novelozinho caiu.
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
Para cá, para lá...
Um novelozinho de linha...
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Oscila no ar pela mão de uma criança
(Vem e vai...)
Que delicadamente e quase a adormecer o balança
- Psio... -
Para cá, para lá...
Para cá e...
- O novelozinho caiu.
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
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