na suave asa do grito reflecte-se o lume
comestível do tempo - a mão transformada
em polvo sacode a erva seca no sangue
da manhã
eis o mundo feérico das feridas incuráveis
o inferno
mesmo quando dormes gemes abandonado
ao estertor da chuva na vidraça e ao vento
que dança na persiana
não saberás nunca da rua metamorfose
em pantera aérea - vou proibir que te passeies
por cima dos sentimentos e dos móveis
e que te vingues
do hábil sedutor das feras
EM - HORTO DE INCÊNDIOS - AL BERTO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 20 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
A vida - FLORBELA ESPANCA
É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo «Pedro Sem»,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu amor, se é isto a vida!...
EM - SONETOS - FLORBELA ESPANCA - BERTRAND
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo «Pedro Sem»,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu amor, se é isto a vida!...
EM - SONETOS - FLORBELA ESPANCA - BERTRAND
domingo, 18 de agosto de 2013
Quem a tem... - JORGE DE SENA
Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - JORGE DE SENA - GUIMARÃES
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - JORGE DE SENA - GUIMARÃES
sábado, 17 de agosto de 2013
Violetas - DOMINGOS MONTEIRO
Violeta! penso eu
Que não há outra mais bela;
Tens a graça da donzela,
Da donzela, que morreu...
Virgem tombada do céu,
As tuas folhas escuras,
São rosários d'amarguras
São a noite que desceu...
Nossa Senhora das Dores
Quando lhe cingem com flores
Suas vestes de brocado,
Com seu olhar que adormece,
O seu vestido parece,
De violetas talhado.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Recordações de uma ingrata - MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE
Inda em meu frágil coração fumega
A cinza desse fogo em que ele ardia;
A memória da tua aleivosia
Meu sossego inda aqui desassossega:
A vil traição, que as almas nos despega,
Não tem cabal poder na simpatia;
Gasta o mar importuno a rocha fria,
Melhor que o desengano a paixão cega:
Bem como o flavo sol, que a terra abraça,
Por mais que o veja densamente oposto,
Atraído vapor fere, e repassa:
Tal, para misturar gosto e desgosto,
Na sombra de teus crimes brilha a graça,
Com que o pródigo céu criou teu rosto.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - BOCAGE - VERBO
A cinza desse fogo em que ele ardia;
A memória da tua aleivosia
Meu sossego inda aqui desassossega:
A vil traição, que as almas nos despega,
Não tem cabal poder na simpatia;
Gasta o mar importuno a rocha fria,
Melhor que o desengano a paixão cega:
Bem como o flavo sol, que a terra abraça,
Por mais que o veja densamente oposto,
Atraído vapor fere, e repassa:
Tal, para misturar gosto e desgosto,
Na sombra de teus crimes brilha a graça,
Com que o pródigo céu criou teu rosto.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - BOCAGE - VERBO
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Espectros - ANTERO DE QUENTAL
Espectros que velais, enquanto a custo
Adormeço um momento, e que inclinados
Sobre os meus sonos curtos e cansados
Me encheis as noites de agonia e susto!...
De que me vale a mim ser puro e justo,
E entre combates sempre renovados
Disputar dia a dia à mão dos Fados
Uma parcela do saber augusto.
Se a minh'alma há-de ver, sobre si fitos,
Sempre esses olhos trágicos, malditos!
Se até dormindo, com angústia imensa,
Bem os sinto verter sobre o meu leito,
Uma a uma verter sobre o meu peito
As lágrimas geladas da descrença!
EM - SONETOS - ANTERO DE QUENTAL - ULMEIRO
Adormeço um momento, e que inclinados
Sobre os meus sonos curtos e cansados
Me encheis as noites de agonia e susto!...
De que me vale a mim ser puro e justo,
E entre combates sempre renovados
Disputar dia a dia à mão dos Fados
Uma parcela do saber augusto.
Se a minh'alma há-de ver, sobre si fitos,
Sempre esses olhos trágicos, malditos!
Se até dormindo, com angústia imensa,
Bem os sinto verter sobre o meu leito,
Uma a uma verter sobre o meu peito
As lágrimas geladas da descrença!
EM - SONETOS - ANTERO DE QUENTAL - ULMEIRO
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Se meu desejo... - ANTÓNIO FERREIRA
Se meu desejo só é sempre ver-vos,
Que causará, senhora, que em vos vendo
Assi me encolho logo, e arrependo,
Que folgaria então poder esquecer-vos?
Se minha glória só é sempre ter-vos
No pensamento meu, porque em querendo
Cuidar em vós, se vai entristecendo?
Nem ousa meu espírito em si deter-vos?
Se por vós só a vida estimo, e quero,
Como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?
Não sei entender o que em mim mesmo vejo.
Mas que tudo é amor, entendo, e creio.
E no que entendo, e creio, nisso espero.
EM - CASTRO E POEMAS LUSITANOS - ANTÓNIO FERREIRA - VERBO
Que causará, senhora, que em vos vendo
Assi me encolho logo, e arrependo,
Que folgaria então poder esquecer-vos?
Se minha glória só é sempre ter-vos
No pensamento meu, porque em querendo
Cuidar em vós, se vai entristecendo?
Nem ousa meu espírito em si deter-vos?
Se por vós só a vida estimo, e quero,
Como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?
Não sei entender o que em mim mesmo vejo.
Mas que tudo é amor, entendo, e creio.
E no que entendo, e creio, nisso espero.
EM - CASTRO E POEMAS LUSITANOS - ANTÓNIO FERREIRA - VERBO
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Cinzas - JAIME CORTESÃO
Como um largo perfume rescendente
Que exala oculta flor, o seio abrindo,
Assim nasce de vós e vai subindo
O puro aroma, o hálito crescente...
Certa branda virtude se pressente
Na figura, no olhar, no gesto lindo,
E ainda mais na voz... murmúrio infindo,
Piedoso, suavíssimo, dormente.
Mas traz-me esse perfume, quando a sós,
O sonho doutro tempo; eu desvario,
Gelado e peito no desejo atroz: -
Morrer a pouco e pouco desse frio,
Enquanto lentamente a tua voz
Derivasse num fino e breve fio...
EM - POESIA - JAIME CORTESÃO - INCM
Que exala oculta flor, o seio abrindo,
Assim nasce de vós e vai subindo
O puro aroma, o hálito crescente...
Certa branda virtude se pressente
Na figura, no olhar, no gesto lindo,
E ainda mais na voz... murmúrio infindo,
Piedoso, suavíssimo, dormente.
Mas traz-me esse perfume, quando a sós,
O sonho doutro tempo; eu desvario,
Gelado e peito no desejo atroz: -
Morrer a pouco e pouco desse frio,
Enquanto lentamente a tua voz
Derivasse num fino e breve fio...
EM - POESIA - JAIME CORTESÃO - INCM
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Inspiro a manhã - EDUARDO ALEIXO
Quando era mais novo deitava-me tarde
E respirava o ar dengoso da noite.
Agora, levanto-me cedo,
Inspiro a frescura da manhã,
E rejubilo com o cantarolar dos pássaros.
EM - OS CAMINHOS DO SILÊNCIO- EDUARDO ALEIXO - CHIADO EDITORA
E respirava o ar dengoso da noite.
Agora, levanto-me cedo,
Inspiro a frescura da manhã,
E rejubilo com o cantarolar dos pássaros.
EM - OS CAMINHOS DO SILÊNCIO- EDUARDO ALEIXO - CHIADO EDITORA
domingo, 11 de agosto de 2013
Quando virá o clarão... - MÁRIO SAA
Quando virá o clarão do lívido estio
a meu rosto banhado em mar de sal?
Farto, e não contente de mim nem d'al
te deixarei para sempre, mísero rio!
Quando virá até mim, aquele frio
encontro com a história em terra muda,
aquela fria tarde de chuva miúda
sobre o lamaçal do meu coval?!
Meu frouxo coração, guloso e exangue,
morno e peganhoso como o sangue,
meu frouxo coração goluso e morno,
o esquecimento venha a teus cuidados,
venha o sossego pra teus olhos grados,
grados por chorarem fundo e forno!
EM - POESIA E ALGUMA PROSA - MÁRIO SAA - INCM
a meu rosto banhado em mar de sal?
Farto, e não contente de mim nem d'al
te deixarei para sempre, mísero rio!
Quando virá até mim, aquele frio
encontro com a história em terra muda,
aquela fria tarde de chuva miúda
sobre o lamaçal do meu coval?!
Meu frouxo coração, guloso e exangue,
morno e peganhoso como o sangue,
meu frouxo coração goluso e morno,
o esquecimento venha a teus cuidados,
venha o sossego pra teus olhos grados,
grados por chorarem fundo e forno!
EM - POESIA E ALGUMA PROSA - MÁRIO SAA - INCM
sábado, 10 de agosto de 2013
Novos rumos - LUIS DA MOTA FILIPE
Hoje não teimes em maçar-me mais
De ti nem uma palavra quero escutar
Frases que digas, serão apenas banais
Mentiras usuais que não quero aceitar
Minha tolerância partiu do cansaço
Voaram os sonhos traçados em vão
Quebrou-se o presente e desfez-se o laço
O que era projecto tornou-se desilusão
É assim no barco da reflexão
Entre novos ventos de brandura
Que traço outras rotas de expedição
Há brisas transportando esperança
Saudando o meu ser com ternura
São sinais de audácia e de bonança
EM - SENTIMENTO MAIOR - LUIS DA MOTA FILIPE - CHIADO EDITORA
De ti nem uma palavra quero escutar
Frases que digas, serão apenas banais
Mentiras usuais que não quero aceitar
Minha tolerância partiu do cansaço
Voaram os sonhos traçados em vão
Quebrou-se o presente e desfez-se o laço
O que era projecto tornou-se desilusão
É assim no barco da reflexão
Entre novos ventos de brandura
Que traço outras rotas de expedição
Há brisas transportando esperança
Saudando o meu ser com ternura
São sinais de audácia e de bonança
EM - SENTIMENTO MAIOR - LUIS DA MOTA FILIPE - CHIADO EDITORA
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Conversação doméstica... - LUIS VAZ DE CAMÕES
Conversação doméstica afeiçoa,
ora em forma de boa e sã vontade,
ora d'uma amorosa piedade,
sem olhar qualidade de pessoa.
Se despois, porventura, vos magoa
com desamor e pouca lealdade,
logo vos faz mentira da verdade
e brando Amor, que tudo em si perdoa.
Não são isto que falo conjecturas,
que o pensamento julga na aparência,
por fazer delicadas escrituras.
Metido tenho a mão na consciência,
e não falo senão verdades puras
que m'ensinou a vida experiência.
EM - POESIA LÍRICA - LUIS VAZ DE CAMÕES - VERBO
ora em forma de boa e sã vontade,
ora d'uma amorosa piedade,
sem olhar qualidade de pessoa.
Se despois, porventura, vos magoa
com desamor e pouca lealdade,
logo vos faz mentira da verdade
e brando Amor, que tudo em si perdoa.
Não são isto que falo conjecturas,
que o pensamento julga na aparência,
por fazer delicadas escrituras.
Metido tenho a mão na consciência,
e não falo senão verdades puras
que m'ensinou a vida experiência.
EM - POESIA LÍRICA - LUIS VAZ DE CAMÕES - VERBO
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Vox postuma - TOMAZ KIM
Silentes, embora,
As vozes da noite,
Parado, agora,
O fluir da noite,
Repete-se o eco
Do apelo da noite,
Mirrado e seco,
Traindo a noite...
Assim se insinua a memória
Por entre as brechas da muralha erguida
Para ocultar a velha história
De quem vai esgravatando a mesma ferida.
EM - OBRA POÉTICA - TOMAZ KIM - INCM
As vozes da noite,
Parado, agora,
O fluir da noite,
Repete-se o eco
Do apelo da noite,
Mirrado e seco,
Traindo a noite...
Assim se insinua a memória
Por entre as brechas da muralha erguida
Para ocultar a velha história
De quem vai esgravatando a mesma ferida.
EM - OBRA POÉTICA - TOMAZ KIM - INCM
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Salomé - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se p'ra mim num espasmo de segredo...
Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minha Alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
Ela chama-se em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:
Mordora-me a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...
EM - POESIAS - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - VERBO
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se p'ra mim num espasmo de segredo...
Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minha Alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
Ela chama-se em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:
Mordora-me a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...
EM - POESIAS - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - VERBO
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Na mesa do Santo Ofício - JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam
E que a nossa aventura,
É no vento que passa que a ouvimos,
É no nosso silêncio que perdura.
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima.
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira.
EM - OBRA POÉTICA - JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS - EDIÇÕES AVANTE
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos
Como a água das chuvas.
Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam
E que a nossa aventura,
É no vento que passa que a ouvimos,
É no nosso silêncio que perdura.
Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima.
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira.
EM - OBRA POÉTICA - JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS - EDIÇÕES AVANTE
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Mito - CECÍLIA VILAS BOAS
Da tua boca nascem flores inquietas
Apelos de bem querer em ritos ancestrais
Que se propagam ao vento, no estio da vida
Tocando-me a pele, no gomo das madrugadas.
Lavro na terra, o silêncio da tua sombra
Cato no vento os ciclos lunares
Emanados pelo crepúsculo dos deuses
Recito-te, nas melodias das liras imaculadas
Deleito-me no banho de ambrósia
Sou-te imortal.
EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS
Apelos de bem querer em ritos ancestrais
Que se propagam ao vento, no estio da vida
Tocando-me a pele, no gomo das madrugadas.
Lavro na terra, o silêncio da tua sombra
Cato no vento os ciclos lunares
Emanados pelo crepúsculo dos deuses
Recito-te, nas melodias das liras imaculadas
Deleito-me no banho de ambrósia
Sou-te imortal.
EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS
domingo, 4 de agosto de 2013
cristal - VASCO GRAÇA MOURA
tinha algum vinho ainda o copo que atirei
por cima do meu ombro e foi cair ao tejo
de madrugada, amor, e havia esse lampejo
do fogo em teu olhar a impor-me a sua lei
da minha sombra à tua, em sombras pelo cais,
tinha um som inda rouco o fado que eu cantava
tão perto já de ti, não sei se respirava,
nem se era para sempre ou para nunca mais
meu amor, meu amor, por quanto me dizias
estranho murmurar levado pelo vento
por quanto era paixão e agora é desalento
o meu rosto estremece em águas tão sombrias
por quanta embriaguês então nos consumiu
fiquei como o cristal, mas creio que esqueceste,
do copo em que eu bebi e tu também bebeste
que foi cair ao rio e nele se partiu
EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL
por cima do meu ombro e foi cair ao tejo
de madrugada, amor, e havia esse lampejo
do fogo em teu olhar a impor-me a sua lei
da minha sombra à tua, em sombras pelo cais,
tinha um som inda rouco o fado que eu cantava
tão perto já de ti, não sei se respirava,
nem se era para sempre ou para nunca mais
meu amor, meu amor, por quanto me dizias
estranho murmurar levado pelo vento
por quanto era paixão e agora é desalento
o meu rosto estremece em águas tão sombrias
por quanta embriaguês então nos consumiu
fiquei como o cristal, mas creio que esqueceste,
do copo em que eu bebi e tu também bebeste
que foi cair ao rio e nele se partiu
EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL
sábado, 3 de agosto de 2013
Afectos - JORGE BICHO
No mistério dos afectos
inexplicáveis
que se debruçam sobre ti,
e te encontram
quase nua,
envolta em pequenos pedaços
de desejo,
é nesta breve cantata
de solene toque
sagrado,
que me dispo e me disponho
para ti;
e me imolo em teu altar
nu, - que o calor me guarda
sentindo no pulsar
das artérias, roxas,
onde aventuro,
ser teu e te querer
desenhando em poucos traços
neste lençol
onde nos pomos
à mão da louca sina
que nos talha
como amantes de outra vida,
donde viemos mesmo agora
que o futuro nos falou.
EM - POR DENTRO DAS PALAVRAS - JORGE BICHO - LUA DE MARFIM
inexplicáveis
que se debruçam sobre ti,
e te encontram
quase nua,
envolta em pequenos pedaços
de desejo,
é nesta breve cantata
de solene toque
sagrado,
que me dispo e me disponho
para ti;
e me imolo em teu altar
nu, - que o calor me guarda
sentindo no pulsar
das artérias, roxas,
onde aventuro,
ser teu e te querer
desenhando em poucos traços
neste lençol
onde nos pomos
à mão da louca sina
que nos talha
como amantes de outra vida,
donde viemos mesmo agora
que o futuro nos falou.
EM - POR DENTRO DAS PALAVRAS - JORGE BICHO - LUA DE MARFIM
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Não menosprezo a minha escrita - HELENA ISABEL
Se escrevo ou não poesia,
Só a mim me diz respeito.
Escrevo o que trago na alma
Em realidade ou fantasia.
Escrevo tristezas, lágrimas ou alegrias
Trago no coração uma determinação
De remeter para o papel o grito da emoção.
Da caneta faço olhos, das letras sentimentos
Do papel vida, dos versos a minha escrita.
Solta-se de mim de rajada ou cuidada
Não tem preço mas sim apreço
Por ela, todos os momentos vividos eu prezo
A minha escrita? Não a menosprezo!
Só a mim me diz respeito.
Escrevo o que trago na alma
Em realidade ou fantasia.
Escrevo tristezas, lágrimas ou alegrias
Trago no coração uma determinação
De remeter para o papel o grito da emoção.
Da caneta faço olhos, das letras sentimentos
Do papel vida, dos versos a minha escrita.
Solta-se de mim de rajada ou cuidada
Não tem preço mas sim apreço
Por ela, todos os momentos vividos eu prezo
A minha escrita? Não a menosprezo!
EM - MAR QUE ME ESCREVE - HELENA ISABEL - CHIADO EDITORA
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Sacra luz... - ANTÓNIO GIL
Sacra luz que me sitias
serás algo como aura
na manhã que me restaura
para idas alegrias
alameda e avenida
para o hoje que começa
seja a tua luz promessa
de nova e eterna vida
e enquanto me frequentes
jamais sentirei desdoiro
por me banhar em teu oiro
bebendo em tuas nascentes
EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM
serás algo como aura
na manhã que me restaura
para idas alegrias
alameda e avenida
para o hoje que começa
seja a tua luz promessa
de nova e eterna vida
e enquanto me frequentes
jamais sentirei desdoiro
por me banhar em teu oiro
bebendo em tuas nascentes
EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM
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