Andamos
À procura de amor
Sorvendo,
Na beleza da flor,
Encanto.
Sonhamos
O desejo, o ardor
Sabendo
Que no fim resta dor
E pranto.
Vivendo, arriscamos amando.
Temendo, acabamos chorando.
EM - PEDAÇOS DO MEU SENTIR - VITOR CINTRA - TEMAS ORIGINAIS
sexta-feira, 31 de maio de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
O amor acontece - BELMIRO BARBOSA
Quando o amor está com as crianças,
Porque não se pode ser calculista,
Será que também requer alianças!
Compromisso, inocência uma pista...
O que valem mil sonetos de amor
Se o sangue do poeta não transforma
Outros sangues que impliquem outra dor
Irradiando o amor, ser a norma?
Quero ter longos braços e no tom
De meus passos mais curtos não contados,
Em que o tempo pare para estes lados.
Chegar e partir com amor sem som,
E que a sua magia permaneça,
Sem ler este poema, que ele aconteça...
EM - SÓ CEM SONETOS - BELMIRO BARBOSA - CHIADO EDITORA
Porque não se pode ser calculista,
Será que também requer alianças!
Compromisso, inocência uma pista...
O que valem mil sonetos de amor
Se o sangue do poeta não transforma
Outros sangues que impliquem outra dor
Irradiando o amor, ser a norma?
Quero ter longos braços e no tom
De meus passos mais curtos não contados,
Em que o tempo pare para estes lados.
Chegar e partir com amor sem som,
E que a sua magia permaneça,
Sem ler este poema, que ele aconteça...
EM - SÓ CEM SONETOS - BELMIRO BARBOSA - CHIADO EDITORA
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Visita - MIGUEL TORGA
Fui ver o mar.
Homem de pólo a pólo, vou
De vez em quando olhá-lo, enraizar
Em água este Marão que sou.
Da penedia triste
Pus-me a olhar aquele fundo
Dentro do qual existe
O coração do mundo.
E vi, horas a fio,
A sua angústia ser
Uma espécie de rio
Que não sabe correr.
EM - POESIA COMPLETA VOL. I - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
Homem de pólo a pólo, vou
De vez em quando olhá-lo, enraizar
Em água este Marão que sou.
Da penedia triste
Pus-me a olhar aquele fundo
Dentro do qual existe
O coração do mundo.
E vi, horas a fio,
A sua angústia ser
Uma espécie de rio
Que não sabe correr.
EM - POESIA COMPLETA VOL. I - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
terça-feira, 28 de maio de 2013
Mártir da esperança - ANTÓNIO MR MARTINS
Crescem rastos nas emoções
Num sentir acrescido
De laivos de sensações
Nascem veículos nos caminhos
Interiorizados pela mente
Em pensamentos velhinhos
Por fim o sol
Por entre as nuvens
Do desespero
Anseio o regresso
Mas não vislumbro retorno
Contudo espero
Sem sucesso
Finalmente
O abraço
EM - MÁSCARA DA LUZ - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS
Num sentir acrescido
De laivos de sensações
Nascem veículos nos caminhos
Interiorizados pela mente
Em pensamentos velhinhos
Por fim o sol
Por entre as nuvens
Do desespero
Anseio o regresso
Mas não vislumbro retorno
Contudo espero
Sem sucesso
Finalmente
O abraço
EM - MÁSCARA DA LUZ - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS
segunda-feira, 27 de maio de 2013
De tarde - CESÁRIO VERDE
Naquele «pic nic» de burguesas,
Houve uma cousa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
EM - OBRA COMPLETA - CESÁRIO VERDE - LIVROS HORIZONTE
domingo, 26 de maio de 2013
Liberta-me - NUNO MIGUEL MIRANDA
Sinto-te em mim
Sufocas-me
Quero respirar e não deixas
Bloqueias-me os movimentos
Pareço uma marioneta nas tuas mãos
Deixa-me viver!
Tentar ser feliz
Dou um passo e lá estás tu à espreita
Escondo-me
Procuras-me
Larga-me!
Só te peço isto, larga-me
Deixa-me viver!
EM - PARVOÍCES DE UM SONHADOR - NUNO MIGUEL MIRANDA - UNIVERSUS
Sufocas-me
Quero respirar e não deixas
Bloqueias-me os movimentos
Pareço uma marioneta nas tuas mãos
Deixa-me viver!
Tentar ser feliz
Dou um passo e lá estás tu à espreita
Escondo-me
Procuras-me
Larga-me!
Só te peço isto, larga-me
Deixa-me viver!
EM - PARVOÍCES DE UM SONHADOR - NUNO MIGUEL MIRANDA - UNIVERSUS
sábado, 25 de maio de 2013
soneto do soneto - VASCO GRAÇA MOURA
catorze versos tem este soneto
de dez sílabas cada, na contagem
métrica portuguesa; de passagem,
o esquema abba dá esqueleto
aos versos do começo: a engrenagem
podia ser abab, mas meto
aqui baba, destarte, preto
no branco, instabilizo a sua imagem.
teria, isabelino, uma terceira
quadra cddc e ee final,
em vez de dois tercetos, com quilate
sempre de ouro no fim, de tal maneira
porém o engendrei continental,
que em duplo cde tem seu remate.
EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL
de dez sílabas cada, na contagem
métrica portuguesa; de passagem,
o esquema abba dá esqueleto
aos versos do começo: a engrenagem
podia ser abab, mas meto
aqui baba, destarte, preto
no branco, instabilizo a sua imagem.
teria, isabelino, uma terceira
quadra cddc e ee final,
em vez de dois tercetos, com quilate
sempre de ouro no fim, de tal maneira
porém o engendrei continental,
que em duplo cde tem seu remate.
EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Sobe ao palco mais um sonho - JOEL LIRA
Tenho tido na vida dissabores,
inesperados obstáculos, tais,
que a falar deles seriam horrores
e nunca poria fim aos finais!
Mas este de que vos venho falar,
É das quimeras, a mais importante
- subir ao palco e representar,
vendo só à volta o meu semelhante.
Não sou doido mas comporto-me um pouco
pois é sempre o sonho que me faz louco
e que todos nós vamos contemplar:
sobe ao palco o mais empolgante jogo
teatral com um elenco nada oco
dando o seu melhor ao representar!
EM - POESIA AO VENTO - JOEL LIRA - LUA DE MARFIM
inesperados obstáculos, tais,
que a falar deles seriam horrores
e nunca poria fim aos finais!
Mas este de que vos venho falar,
É das quimeras, a mais importante
- subir ao palco e representar,
vendo só à volta o meu semelhante.
Não sou doido mas comporto-me um pouco
pois é sempre o sonho que me faz louco
e que todos nós vamos contemplar:
sobe ao palco o mais empolgante jogo
teatral com um elenco nada oco
dando o seu melhor ao representar!
EM - POESIA AO VENTO - JOEL LIRA - LUA DE MARFIM
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Ecos de verão - EUGÉNIO DE ANDRADE
Quando todo o brilho da cidade
me escorre pelas mãos, que já não são
mais que fugidios ecos de verão,
a música dos dias sem idade
subitamente como fonte ou ave
rompe dentro de mim - e nem eu sei,
neste rumor de tudo quanto amei,
se a luz madrugou ou chegou tarde.
EM - AS PALAVRAS INTERDITAS... - EUGÉNIO DE ANDRADE - ASSÍRIO & ALVIM
me escorre pelas mãos, que já não são
mais que fugidios ecos de verão,
a música dos dias sem idade
subitamente como fonte ou ave
rompe dentro de mim - e nem eu sei,
neste rumor de tudo quanto amei,
se a luz madrugou ou chegou tarde.
EM - AS PALAVRAS INTERDITAS... - EUGÉNIO DE ANDRADE - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Fado ilusão - JESÚS RECIO BLANCO
Não é o vento
que brinca nos espelhos,
que estende a clarabóia do teu riso,
que se esconde nos cantos
do teu corpo,
que estala na paisagem
dos teus olhos aquáticos.
Não é o vento.
É a luz da tarde
a camuflar-se no teu ventre,
é o súbito reflexo
dum sol nómada
a incendiar
as tuas ancas giratórias,
a descer por uma estória
de amor errada.
EM - SOBRE OS FADOS - JESÚS RECIO BLANCO - LUA DE MARFIM
que brinca nos espelhos,
que estende a clarabóia do teu riso,
que se esconde nos cantos
do teu corpo,
que estala na paisagem
dos teus olhos aquáticos.
Não é o vento.
É a luz da tarde
a camuflar-se no teu ventre,
é o súbito reflexo
dum sol nómada
a incendiar
as tuas ancas giratórias,
a descer por uma estória
de amor errada.
EM - SOBRE OS FADOS - JESÚS RECIO BLANCO - LUA DE MARFIM
terça-feira, 21 de maio de 2013
Cai a noite - FRANCIS RAPOSO FERREIRA
Quando a noite cai
Recolhemos ao abrigo
Toda a canseira se esvai
No reencontro contigo.
Esqueço a desilusão
Do colega que me traíu,
Abro as janelas do coração,
A quem o coração me abriu.
Não és uma qualquer,
Tu és a minha menina
Num corpo de mulher.
Ganho nova vida contigo,
Tu és a luz divina
Que me chama ao abrigo.
EM - 1ª ANTOLOGIA UNIVERSUS - ANTOLOGIA - UNIVERSUS
Recolhemos ao abrigo
Toda a canseira se esvai
No reencontro contigo.
Esqueço a desilusão
Do colega que me traíu,
Abro as janelas do coração,
A quem o coração me abriu.
Não és uma qualquer,
Tu és a minha menina
Num corpo de mulher.
Ganho nova vida contigo,
Tu és a luz divina
Que me chama ao abrigo.
EM - 1ª ANTOLOGIA UNIVERSUS - ANTOLOGIA - UNIVERSUS
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Lúcifer - MIGUEL TIAGO
quando as veias pulsam chamas
e fazemos de nós instrumentos do mundo
então as forças são divinas
que deus és tu e eu e o resto.
e somos também os demónios
que portam a luz
e o fogo purificador
dos silêncios e cumplicidades
dos nossos confessionários-
EM - LETRAS ÍGNEAS - MIGUEL TIAGO - LUA DE MARFIM
e fazemos de nós instrumentos do mundo
então as forças são divinas
que deus és tu e eu e o resto.
e somos também os demónios
que portam a luz
e o fogo purificador
dos silêncios e cumplicidades
dos nossos confessionários-
EM - LETRAS ÍGNEAS - MIGUEL TIAGO - LUA DE MARFIM
domingo, 19 de maio de 2013
Quem morre no que diz - JOSÉ JORGE LETRIA
Sou o que me persegue e me envenena,
pois tudo começa e acaba
no círculo avassalador em que me movo.
Avizinho-me com lentidão felina
dos lugares onde se morre e se renasce
e transformo-me em palco de lumes,
na ficção última que me é dado representar.
Andam vozes lá fora a incendiar
os terraços largos do Verão,
e eu fico entontecido pela fúria da água
pelo desvelo das mãos que me alisam
os cabelos e as roupas num afago materno.
Tudo é fictício menos esta complacência
que me faz suportar o medo
quando só a última coragem
pode ser esperada de quem morre no que diz.
EM - POESIA ESCOLHIDA - JOSÉ JORGE LETRIA - INC
pois tudo começa e acaba
no círculo avassalador em que me movo.
Avizinho-me com lentidão felina
dos lugares onde se morre e se renasce
e transformo-me em palco de lumes,
na ficção última que me é dado representar.
Andam vozes lá fora a incendiar
os terraços largos do Verão,
e eu fico entontecido pela fúria da água
pelo desvelo das mãos que me alisam
os cabelos e as roupas num afago materno.
Tudo é fictício menos esta complacência
que me faz suportar o medo
quando só a última coragem
pode ser esperada de quem morre no que diz.
EM - POESIA ESCOLHIDA - JOSÉ JORGE LETRIA - INC
sábado, 18 de maio de 2013
O poeta não se submete... - AMADEU BAPTISTA
O poeta não se submete, é uma raiz
a pressentir o coágulo a penetrar
no cérebro, sempre que a treva
alastra.
O poeta olha fixamente para trás
e para a frente, sobre as imagens
evolui para que a sua sede
se estenda como uma particularidade
grave, um ferro a atravessá-lo,
a beleza cerrada, um último
predomínio do que, humanamente,
é conciliável com o irreconciliável.
Porque o poeta ama e odeia, em simultâneo,
no poema.
EM - ATLAS DAS CIRCUNSTÂNCIAS - AMADEU BAPTISTA - LUA DE MARFIM
a pressentir o coágulo a penetrar
no cérebro, sempre que a treva
alastra.
O poeta olha fixamente para trás
e para a frente, sobre as imagens
evolui para que a sua sede
se estenda como uma particularidade
grave, um ferro a atravessá-lo,
a beleza cerrada, um último
predomínio do que, humanamente,
é conciliável com o irreconciliável.
Porque o poeta ama e odeia, em simultâneo,
no poema.
EM - ATLAS DAS CIRCUNSTÂNCIAS - AMADEU BAPTISTA - LUA DE MARFIM
sexta-feira, 17 de maio de 2013
De tarde... - MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
De tarde viera alguém com flores - lírios,
jacintos, narcisos, despedidas - e a porta ficara
aberta desde então. Agora as traças ciciavam
lá fora numa alegria turva em redor de uma
lâmpada; e, sobre o banco do alpendre, jazia um
livro aberto na mesma página fazia quase um dia.
Batia-me nos pulsos uma vida vencida; e, mesmo
que a terra apenas aguardasse o fulgor da manhã
para chamar pelo teu corpo, tive a certeza de que
era sobre o meu que a noite eternamente se abatia.
EM - POESIA REUNIDA - MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - QUETZAL
jacintos, narcisos, despedidas - e a porta ficara
aberta desde então. Agora as traças ciciavam
lá fora numa alegria turva em redor de uma
lâmpada; e, sobre o banco do alpendre, jazia um
livro aberto na mesma página fazia quase um dia.
Batia-me nos pulsos uma vida vencida; e, mesmo
que a terra apenas aguardasse o fulgor da manhã
para chamar pelo teu corpo, tive a certeza de que
era sobre o meu que a noite eternamente se abatia.
EM - POESIA REUNIDA - MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - QUETZAL
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Leves melodias - MARIA TERESA DIAS FURTADO
para a Gisela
Um Verão suspenso de um cálido céu
retoma um fio de amizade uma lembrança
cintilante e imagens paralelas
navegam-nos nos olhos como barcos
as velas movem o desenho das quilhas
na água, o vento é criador e surpreende.
Entre o não e o sim soltam-se
melodias leves e inteiras
que tentam harmonizar-nos na pele do mundo:
Cantam as imagens nos nossos olhos
fitam o horizonte pleno de silêncio
sobem alto de onde tudo se vê pequeno
e o mais elevado próximo.
Dançam-nos os gestos e o verso
dança que entre melodias leves
e versos se descansa.
EM - O ARCO DO TEMPO - MARIA TERESA DIAS FURTADO - LUA DE MARFIM
quarta-feira, 15 de maio de 2013
As cartas - FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO
Esperas os sinais da minha existência.
Eu transcrevo-te mas não vivo no poema.
Morro na mancha do papel. Uma carta cai
no matagal como um pássaro. O não ser
caçadora dá-me um sentido conciso da
realidade. Nem os belíssimos perdigueiros
me sentirão passar aqui. Eles
não me vêem até ao âmago. Tudo
o que é exterior e visível como
o corpo atrai-os. Tenho um limite
onde estou e nada está. As cartas
caem diante da avidez de cães.
Vou existir onde jamais vivi.
EM - ÂMAGO - FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO - ASSÍRIO & ALVIM
Eu transcrevo-te mas não vivo no poema.
Morro na mancha do papel. Uma carta cai
no matagal como um pássaro. O não ser
caçadora dá-me um sentido conciso da
realidade. Nem os belíssimos perdigueiros
me sentirão passar aqui. Eles
não me vêem até ao âmago. Tudo
o que é exterior e visível como
o corpo atrai-os. Tenho um limite
onde estou e nada está. As cartas
caem diante da avidez de cães.
Vou existir onde jamais vivi.
EM - ÂMAGO - FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 14 de maio de 2013
X - PAULO EDUARDO CAMPOS
nunca virei a ser um escritor maldito
muito menos um poeta consagrado
sinto-o.
seria incapaz de viver da escrita.
de viver com a incerteza da inspiração.
imagino-me a ver o tempo escorrer
pelas paredes amarelas do fumo dos cigarros.
o papel por escrever.
as folhas, no cesto dos papéis
alternadamente rasgados pela fúria e desespero.
os poetas de agora já não são mártires
nem vivem na miséria.
EM - A CASA DOS ARCHOTES - PAULO EDUARDO CAMPOS - LUA DE MARFIM
muito menos um poeta consagrado
sinto-o.
seria incapaz de viver da escrita.
de viver com a incerteza da inspiração.
imagino-me a ver o tempo escorrer
pelas paredes amarelas do fumo dos cigarros.
o papel por escrever.
as folhas, no cesto dos papéis
alternadamente rasgados pela fúria e desespero.
os poetas de agora já não são mártires
nem vivem na miséria.
EM - A CASA DOS ARCHOTES - PAULO EDUARDO CAMPOS - LUA DE MARFIM
segunda-feira, 13 de maio de 2013
SOMOS - MARIA JOSÉ LACERDA
Somos o talvez
Do quase nada de nós.
Somos momentos, repartidos
No tempo.
Subtraímos ausências...
Marcamos presenças...
Somos os espaços preenchidos
Nos intervalos da vida dos nadas.
Somos, fomos os seremos, por viver
Somos pedaços de vida, a correr
Somos viajantes da brisa
Somos vida acontecida
Somos do que não se vê...
De todo sem vez...
Somos o talvez...
EM - ESCRITUS E RABISCUS - MARIA JOSÉ LACERDA - UNIVERSUS
Do quase nada de nós.
Somos momentos, repartidos
No tempo.
Subtraímos ausências...
Marcamos presenças...
Somos os espaços preenchidos
Nos intervalos da vida dos nadas.
Somos, fomos os seremos, por viver
Somos pedaços de vida, a correr
Somos viajantes da brisa
Somos vida acontecida
Somos do que não se vê...
De todo sem vez...
Somos o talvez...
EM - ESCRITUS E RABISCUS - MARIA JOSÉ LACERDA - UNIVERSUS
domingo, 12 de maio de 2013
Magnólia - LÍDIA BORGES
Recolho com o olhar,
derramado no chão,
um Outono cor-de-rosa
em manhã de Primavera.
E não sei
se é euforia ou tristeza
o que vejo da janela.
EM - NO ESPANTO DAS MÃOS - LÍDIA BORGES - LUA DE MARFIM
derramado no chão,
um Outono cor-de-rosa
em manhã de Primavera.
E não sei
se é euforia ou tristeza
o que vejo da janela.
EM - NO ESPANTO DAS MÃOS - LÍDIA BORGES - LUA DE MARFIM
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