Paralelo ao destino
Inteiro ou mutilado
Doutros irmãos,
O fuste, a prumo, vai da terra ao céu,
Da base ao capitel.
Os dentes do cinzel
E a mão crispada
Deixaram no granito
A imagem figurada
Dum sobranceiro grito
Da condição humana,
Erguido na planície alentejana.
EM - POESIA COMPLETA VOL. I - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Visão trinta e cinco - JAIME ROCHA
Desapareceria por detrás dos legumes
como um pássaro inventado pelo pedreiro,
já sem asas, mas com um fôlego de ave,
capaz de tapar o universo com o bico
e de engolir todo o pensamento conseguido
até hoje pelos homens. Uma mulher com
uma guilhotina no berço e um choro próprio,
esperando que os construtores do mundo
saíssem da terra para conquistar a água
e o fogo e fazerem da peste um outro
modo de resistir ao tempo.
EM - OS QUE VÃO MORRER - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA
como um pássaro inventado pelo pedreiro,
já sem asas, mas com um fôlego de ave,
capaz de tapar o universo com o bico
e de engolir todo o pensamento conseguido
até hoje pelos homens. Uma mulher com
uma guilhotina no berço e um choro próprio,
esperando que os construtores do mundo
saíssem da terra para conquistar a água
e o fogo e fazerem da peste um outro
modo de resistir ao tempo.
EM - OS QUE VÃO MORRER - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA
domingo, 18 de março de 2012
O livro dos amantes III - NATÁLIA CORREIA
Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE
sábado, 17 de março de 2012
62 - RICARDO REIS
Pequena vida consciente, sempre
Da repetida imagem perseguida
Do fim inevitável, a cada hora
Sentindo-se mudada,
E, como Orfeu volvendo à vinda esposa
O olhar algoz, para o passado erguendo
A memória pra em mágoas o apagar
No báratro da mente.
EM - POESIA - RICARDO REIS - ASSÍRIO & ALVIM
Da repetida imagem perseguida
Do fim inevitável, a cada hora
Sentindo-se mudada,
E, como Orfeu volvendo à vinda esposa
O olhar algoz, para o passado erguendo
A memória pra em mágoas o apagar
No báratro da mente.
EM - POESIA - RICARDO REIS - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 16 de março de 2012
Nuvens - LUÍS FERREIRA
Na calma, deslizam nuvens encantadas
Que preenchem o meu pensamento,
Vagueando sem fronteiras...
Tomando o espaço vazio, num cheio...
Germinando deslumbrantes sentimentos.
Suave é o deslizar,
Absorvendo o meu olhar sedento de palavras
Nos versos que cultivo na seara dos sonhos
Doce algodão, onde me deito
Com a minha alma soltando-se ao vento
Até onde a imaginação me levar.
Na calma, deslizam nuvens encantadas
Nasce a dúvida que sempre tenho...
Que transportam elas nas suas asas?
Segredos deslumbrantes do infinito, talvez!
Com elas viajo...
Viajo na imensidão,
Nessa estrada além do firmamento...
Deixando fluir as emoções que nascem em mim.
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
Que preenchem o meu pensamento,
Vagueando sem fronteiras...
Tomando o espaço vazio, num cheio...
Germinando deslumbrantes sentimentos.
Suave é o deslizar,
Absorvendo o meu olhar sedento de palavras
Nos versos que cultivo na seara dos sonhos
Doce algodão, onde me deito
Com a minha alma soltando-se ao vento
Até onde a imaginação me levar.
Na calma, deslizam nuvens encantadas
Nasce a dúvida que sempre tenho...
Que transportam elas nas suas asas?
Segredos deslumbrantes do infinito, talvez!
Com elas viajo...
Viajo na imensidão,
Nessa estrada além do firmamento...
Deixando fluir as emoções que nascem em mim.
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
quinta-feira, 15 de março de 2012
É preciso um país - MANUEL ALEGRE
Não mais Alcácer-Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.
Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.
EM - POESIA I - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.
Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.
EM - POESIA I - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 14 de março de 2012
Quanto morre um homem - RUY BELO
Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?
EM - TODOS OS POEMAS I - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?
EM - TODOS OS POEMAS I - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 13 de março de 2012
43 - ÁLVARO DE CAMPOS
Duas horas e meia da madrugada. Acordo e adormeço.
Houve em mim um momento de vida diferente entre sono e sono.
Se ninguém condecora o sol por dar luz,
Para que condecoram quem é herói?
Durmo com a mesma razão com que acordo
E é no intervalo que existo.
Nesse momento em que acordei, dei por todo o mundo -
Uma grande noite incluindo tudo
Só para fora
EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM
Houve em mim um momento de vida diferente entre sono e sono.
Se ninguém condecora o sol por dar luz,
Para que condecoram quem é herói?
Durmo com a mesma razão com que acordo
E é no intervalo que existo.
Nesse momento em que acordei, dei por todo o mundo -
Uma grande noite incluindo tudo
Só para fora
EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM
segunda-feira, 12 de março de 2012
XI - ALBERTO CAEIRO
Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 11 de março de 2012
Nenhuma música - MANUEL ANTÓNIO PINA
«O gato olha-me
ou o meu olhar olhando-o?
E eu o que vejo senão
a mesma Única solidão?
Chamo-o pelo nome,
pela oposição.
Em vão:
sou eu quem responde.
Virou-se e saltou
para o parapeito
real e perfeito,
sem nome e sem corpo.
(Também eu estou,
como ele, morto).»
EM - POESIA REUNIDA - MANUEL ANTÓNIO PINA - ASSÍRIO & ALVIM
ou o meu olhar olhando-o?
E eu o que vejo senão
a mesma Única solidão?
Chamo-o pelo nome,
pela oposição.
Em vão:
sou eu quem responde.
Virou-se e saltou
para o parapeito
real e perfeito,
sem nome e sem corpo.
(Também eu estou,
como ele, morto).»
EM - POESIA REUNIDA - MANUEL ANTÓNIO PINA - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 10 de março de 2012
Outono - MIGUEL TORGA
Tarde pintada
por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
EM - POESIA COMPLETA VOL. I - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
EM - POESIA COMPLETA VOL. I - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
sexta-feira, 9 de março de 2012
Visão trinta e quatro - JAIME ROCHA
Um mar onde os monstros se fossem desfazendo
e, depois, no meio dos barcos, renascessem com
uma outra luz, respondendo a um sinal. Nesse
momento o homem cortaria as mãos, logo após
ter serrado minuciosamente o corpo de centenas
de gaivotas, deitadas sobre a praia,
presas por um fio a uma âncora. A mulher
dançaria nas muralhas de um farol no centro
desse foco luminoso, espalharia as roupas
pela água ou desapareceria no vento.
EM - OS QUE VÃO MORRER - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA
e, depois, no meio dos barcos, renascessem com
uma outra luz, respondendo a um sinal. Nesse
momento o homem cortaria as mãos, logo após
ter serrado minuciosamente o corpo de centenas
de gaivotas, deitadas sobre a praia,
presas por um fio a uma âncora. A mulher
dançaria nas muralhas de um farol no centro
desse foco luminoso, espalharia as roupas
pela água ou desapareceria no vento.
EM - OS QUE VÃO MORRER - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA
quinta-feira, 8 de março de 2012
O livro dos amantes II - NATÁLIA CORREIA
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 7 de março de 2012
47 - RICARDO REIS
Mas dia a dia
Com lapso gradual vai hora a hora
A vida vã tornando-se mais fria,
vai descorando a face,
E a alma, acompanhando
Ah, saibamos mostrar
À vida a força de a aceitar,
Indiferentes tanto
Ao riso como ao pranto,
E, spectadores de nós próprios, nada
Na nossa consciência elucidada.
EM - POESIA - RICARDO REIS - ASSÍRIO & ALVIM
Com lapso gradual vai hora a hora
A vida vã tornando-se mais fria,
vai descorando a face,
E a alma, acompanhando
Ah, saibamos mostrar
À vida a força de a aceitar,
Indiferentes tanto
Ao riso como ao pranto,
E, spectadores de nós próprios, nada
Na nossa consciência elucidada.
EM - POESIA - RICARDO REIS - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 6 de março de 2012
Lar doce lar - LUÍS FERREIRA
Erguemos os dois a casa,
Entre todos os mimos e todos os beijos
Eu morri em teus braços,
Enquanto tu morreste nos meus versos.
Os lábios semearam flores
Que pigmentaram de vermelho o jardim,
O teu corpo perfumou o átrio,
Dando calor aos poemas que escrevi.
No cetim dos teus cabelos,
Demos vida à morada...
Enlouquecemos entre os dedos,
Pintando o nosso nome nas paredes,
Que encheram todo o espaço.
Abraçados construímos as manhãs,
Como se o tempo fosse nosso,
Folheando as páginas na tua doce pele
Na sensibilidade dos livros que escrevi.
A paixão acendeu os candeeiros
Entre juras eternas e palavras ditas
Forjando a ouro as alianças,
Neste herança das nossas vidas.
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
Entre todos os mimos e todos os beijos
Eu morri em teus braços,
Enquanto tu morreste nos meus versos.
Os lábios semearam flores
Que pigmentaram de vermelho o jardim,
O teu corpo perfumou o átrio,
Dando calor aos poemas que escrevi.
No cetim dos teus cabelos,
Demos vida à morada...
Enlouquecemos entre os dedos,
Pintando o nosso nome nas paredes,
Que encheram todo o espaço.
Abraçados construímos as manhãs,
Como se o tempo fosse nosso,
Folheando as páginas na tua doce pele
Na sensibilidade dos livros que escrevi.
A paixão acendeu os candeeiros
Entre juras eternas e palavras ditas
Forjando a ouro as alianças,
Neste herança das nossas vidas.
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
segunda-feira, 5 de março de 2012
E o bosque se fez barco - MANUEL ALEGRE
Já meu país foi uma flor de verde pinho.
País em terra. (E semeá-lo uma aventura).
Depois abriu-se o mar como um caminho.
Depois o bosque se fez barco e o barco arado
dessa nova e fatal agricultura:
colher no mar o fruto nunca semeado.
EM - POESIA I - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
País em terra. (E semeá-lo uma aventura).
Depois abriu-se o mar como um caminho.
Depois o bosque se fez barco e o barco arado
dessa nova e fatal agricultura:
colher no mar o fruto nunca semeado.
EM - POESIA I - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
domingo, 4 de março de 2012
39 - ÁLVARO DE CAMPOS
Ah, as horas indecisas em que a minha vida parece de um outro...
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.
EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.
EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 3 de março de 2012
O beijo - ALEXANDRE O'NEILL
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
EM - POESIAS COMPLETAS - ALEXANDRE O'NEILL - ASSÍRIO & ALVIM
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
EM - POESIAS COMPLETAS - ALEXANDRE O'NEILL - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 2 de março de 2012
É tão bom ser criança... - ISABEL REIS
É tão bom ser criança,
E viver de sonhos e sorrisos,
Que brotam no seio dos improvisos,
De amores que chegam sem avisos,
Sem tão pouco bater à porta,
Seja ela direita ou torta...
É tão bom ser criança,
E abraçar o mundo inteiro de uma só vez,
Como se fosse o Reino do "Era uma vez",
Como se a vida se fizesse toda num segundo,
Como se se pudesse ser dono do mundo,
No momento em que se conta aquela história,
Cheia de amor e de glória,
Onde cada sonhos é uma vitória...
É tão bom ser criança,
E beijar como quem dança,
E sonhar nas asas da confiança,
P'ra sentir o gosto doce da esperança...
EM - POR UM SORRISO - ANTOLOGIA - TEMAS ORIGINAIS
E viver de sonhos e sorrisos,
Que brotam no seio dos improvisos,
De amores que chegam sem avisos,
Sem tão pouco bater à porta,
Seja ela direita ou torta...
É tão bom ser criança,
E abraçar o mundo inteiro de uma só vez,
Como se fosse o Reino do "Era uma vez",
Como se a vida se fizesse toda num segundo,
Como se se pudesse ser dono do mundo,
No momento em que se conta aquela história,
Cheia de amor e de glória,
Onde cada sonhos é uma vitória...
É tão bom ser criança,
E beijar como quem dança,
E sonhar nas asas da confiança,
P'ra sentir o gosto doce da esperança...
EM - POR UM SORRISO - ANTOLOGIA - TEMAS ORIGINAIS
quinta-feira, 1 de março de 2012
Morada - MANUEL ANTÓNIO PINA
Sozinho na grande cama,
perdido nos seus frios corredores,
ouço, de quartos interiores,
a tua voz que me chama.
Do fundo da noite enorme
onde pouso a cabeça por fora
a tua voz de alguém acorda-me
como num sono insone.
Como se a tua voz agora
antigamente me chamasse
e tudo, menos a tua voz, faltasse
fora da minha memória.
EM - POESIA REUNIDA - MANUEL ANTÓNIO PINA - ASSÍRIO & ALVIM
perdido nos seus frios corredores,
ouço, de quartos interiores,
a tua voz que me chama.
Do fundo da noite enorme
onde pouso a cabeça por fora
a tua voz de alguém acorda-me
como num sono insone.
Como se a tua voz agora
antigamente me chamasse
e tudo, menos a tua voz, faltasse
fora da minha memória.
EM - POESIA REUNIDA - MANUEL ANTÓNIO PINA - ASSÍRIO & ALVIM
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