Ó voz da escuridão! - murmúrio quieto
Do negro contra a luz dura, cortante
- Linguagem do Mistério, nesse instante
Em que arde o nosso olhar como um insecto.
Frescura de quem busca o céu dum tecto
Ao fim de ter andado ao sol flamante;
Doçura de quem nunca teve amante
E se deslumbra ao sopro dum afecto!
Escuridão que traz os sonhos ledos,
Que fecha os nossos olhos com seus dedos
E lhes desfaz a névoa, o fumo baço...
Ó mãos de lenhador, ó mãos funestas,
A abrir chagas no corpo das florestas,
Deixai ao lar das sombras mais espaço!
EM - POEMAS 1934-1961 - PEDRO HOMEM DE MELLO - ASSÍRIO & ALVIM
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